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Sobreviventes da Sars têm anticorpo promissor

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Enquanto cientistas de todo o mundo correm para desenvolver uma vacina contra o Sars-CoV-2, uma equipe internacional liderada por Davide Corti, da Vir Biotechnology, e David Veesler, da Universidade de Washington, trabalha 24 horas por dia em uma abordagem complementar. Trata-se da identificação de anticorpos neutralizantes que poderiam ser usados como tratamento preventivo ou como terapia pós-exposição ao vírus causador da covid-19.

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As descobertas mais recentes do grupo indicam que os anticorpos derivados de sobreviventes da epidemia de Sars de 2002/2003 são capazes de bloquear de maneira potente a entrada, em células hospedeiras, do Sars-CoV-2 e de outros coronavírus relacionados. Em um estudo publicado na revista Nature, os cientistas observaram que o mais promissor candidato já está em um caminho acelerado de desenvolvimento em direção a ensaios clínicos (com humanos).

Anticorpos neutralizantes são pequenas proteínas que impedem os patógenos de se ligarem à molécula usada pelo micróbio para infectar células hospedeiras. Em humanos e outros animais, células imunes especiais produzem anticorpos neutralizantes em resposta a infecções, de modo que, se o mesmo patógeno for encontrado novamente, o corpo poderá eliminá-lo mais rapidamente.

Embora os anticorpos neutralizantes naturais sejam produzidos no corpo por um tempo limitado após a infecção inicial, os cientistas podem fabricar quantidades farmacêuticas dessas substâncias, idênticas a elas, desde que conheçam a sequência proteica viral. Os anticorpos produzidos em massa podem, então, ser administrados a pessoas que ainda não têm nenhuma defesa contra esse patógeno em particular. As vacinas, por outro lado, induzem o corpo a produzir os próprios anticorpos, introduzindo uma parte cuidadosamente escolhida de um patógeno — normalmente uma molécula de sua superfície externa ou uma versão enfraquecida ou inerte do vírus ou da bactéria.

Alvo

Logo após o surgimento do Sars-CoV-2, no fim de 2019, Veesler e seus colegas começaram a rastrear possíveis anticorpos neutralizantes entre os identificados em sobreviventes de Sars e Mers em 2002/2003 e 2013, respectivamente. A equipe de biologia estrutural do laboratório de Veesler é especializada no estudo das máquinas de proteínas que os patógenos usam para infectar hospedeiros.

O trabalho é crucial para descobrir quais moléculas podem ser direcionadas para tratamentos e vacinas. A pesquisa anterior sobre os coronavírus causadores de Sars e Mers realizada pelo grupo revelou que alguns anticorpos neutralizantes produzidos em resposta a essas doenças também eram eficazes contra coronavírus intimamente relacionados. Portanto, eles suspeitavam que vários deles poderiam inibir o Sars-CoV-2, um primo bastante próximo do Sars-CoV-1.

A triagem produziu oito anticorpos que podem se ligar à glicoproteína spike, do Sars-CoV-2. Trata-se de uma estrutura em forma de espinho na superfície viral, composta por proteínas com carboidratos conectados, que facilita a entrada na célula hospedeira. Vários estudos sugeriram que ela é o principal alvo de anticorpos neutralizantes e vacinas. Testes adicionais estreitaram o campo para revelar um anticorpo chamado S309, que neutraliza com sucesso o Sars-CoV-2.

Os estudos ainda estão na fase inicial, com testes sendo realizados em laboratório. Porém, David Veesler entusiasma-se com os resultados obtidos até agora. “Estamos muito animados por ter encontrado esse potente anticorpo neutralizante, que esperamos que participe do fim da pandemia da covid-19”, diz.

Fonte: Correio Braziliense

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