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Covid-19: Macacos ficam protegidos de uma segunda infecção, diz estudo

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Pesquisas foram feitas com macacos rhesus, comuns na Ásia: três semanas após a imunização, animais não adoeceram depois de exposição ao vírus (foto: AFP / Sajjad HUSSAIN)

Uma das maiores dúvidas relacionadas à covid-19 é uma possível imunidade à doença após a infecção, algo que ainda não foi completamente comprovado por cientistas. Para entender melhor essa questão, pesquisadores americanos realizaram uma série de testes com macacos, que foram infectados com o vírus Sars-Cov-2. Ao serem expostos novamente ao patógeno, os animais não foram atingidos. Em outro experimento, o mesmo grupo observou a imunização provocada por seis vacinas experimentais também em primatas. Os resultados dos estudos foram apresentados em dois artigos publicados na revista especializada Science.

Os cientistas destacam que, mesmo com milhões de casos de covid confirmados em todo o mundo e milhares de mortes provocadas pela doença, pouco se sabe sobre o novo coronavírus, principalmente em relação a uma imunidade. Essas informações, segundo eles, também podem ser estratégicas para a criação de tratamentos. “A pandemia global da covid-19 tornou o desenvolvimento de uma vacina uma prioridade biomédica, mas, atualmente, sabemos quase nada sobre imunidade protetora ao vírus Sars-CoV-2”, justifica, em comunicado, Dan H. Barouch, diretor do Centro de Pesquisa em Virologia e Vacinas do Centro Médico Deaconess de Beth Israel (BIDMC, em inglês), nos Estados Unidos.

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2020/05/20/a-empresarios-guedes-fala-em-novo-regime-para-evitar-desemprego-em-massa-pos-pandemia/

O grupo liderado por Dan H. Barouch começou a desenvolver vacinas para a covid-19 em meados de janeiro, quando cientistas chineses mapearam o genoma viral. Todas as fórmulas criadas pelos pesquisadores são feitas de DNA (leia Para saber mais) e projetadas para treinar o sistema imunológico. A ideia é fazer com que as defesas do corpo reconheçam a presença do coronavírus pela spike, proteína do Sars-Cov-2 essencial para a sua replicação.

No primeiro estudo, a equipe testou seis vacinas experimentais em 25 macacos rhesus adultos e aplicaram uma fórmula falsa em 10 macacos, que formaram o grupo controle. Os animais imunizados desenvolveram anticorpos neutralizantes contra a covid-19. Três semanas depois, todas as cobaias foram expostas ao Sars-CoV-2. Oito dos 25 animais vacinados não demonstraram vírus detectáveis em nenhum momento, e os outros primatas apresentaram níveis baixos do patógeno.

No segundo estudo, a equipe americana analisou se macacos poderiam desenvolver uma imunidade protetora natural contra após curados da doença. “Os indivíduos que se recuperam de muitas infecções virais geralmente desenvolvem anticorpos que fornecem proteção contra a reexposição, mas nem todos os vírus geram essa imunidade protetora natural”, detalha Dan H. Barouch.

Depois de expor nove macacos adultos ao vírus Sars-CoV-2, os pesquisadores monitoraram os níveis virais à medida que os animais se recuperavam. Todas as cobaias desenvolveram anticorpos contra o vírus. Mais de um mês após a infecção, a equipe voltou a expor os rhesus ao vírus, e os primatas demonstraram proteção quase completa contra o patógeno. “Nesses dois estudos, demonstramos, em macacos rhesus, que protótipos de vacinas protegem os animais da infecção por Sars-CoV-2 e que a infecção pelo vírus também os protege em uma reexposição”, contextualiza Dan H. Barouch.

Mais estudos

Segundo o cientista, os dados podem contribuir para futuras estratégias de imunização. “Nossas descobertas aumentam o otimismo em relação ao desenvolvimento das vacinas para a covid-19”, frisa. “Claro que mais pesquisas serão necessárias para abordarmos questões importantes, como a duração da proteção, além de entendermos melhor o efeito dessas vacinas em humanos e qual delas se sairá melhor.”

Marli Sartori, infectologista do Hospital Santa Lúcia, em Brasília, e membro titular da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), destaca que o estudo mostra dados muito positivos, e, caso a imunidade após a infecção se comprove em humanos, significará um grande alívio. “Muitos vírus provocam imunidade no organismo depois de infectarem uma pessoa. Por isso, existe a suspeita de que o mesmo ocorreria no caso desse patógeno. Isso aliviaria bastante o combate, pois todos que já contraíram estariam livres”, justifica. “Mas é claro que precisamos observar por quanto tempo isso dura, se existe um prazo de validade. Também temos casos de doenças que causam uma segunda infecção que pode ser até mais grave, como a dengue. É algo que precisamos analisar”, pondera.

A infectologista também acredita que os dados da pesquisa americana podem contribuir para o desenvolvimento de vacinas. “Essas fórmulas testadas em macacos são mais opções que estão surgindo e podem render resultados positivos. Talvez, seja possível usar os anticorpos de pessoas curadas como base nessas fórmulas de imunização”, cogita.

Porém, Marli Sartori ressalta que um dos pontos que precisam ser levados em consideração são as mutações que o vírus pode sofrer, o que exigirá uma adaptação constante das vacinas desenvolvidas. “Isso já ocorre no caso da influenza, por exemplo. Na China, muitos pesquisadores apontaram que existem no mínimo duas cepas do novo coronavírus. Por isso, o monitoramento constante será necessário”, frisa.

Adaptações anuais

O vírus influenza, que causa a gripe, é um patógeno que sofre muitas mutações de um ano para o outro. Segundo cientistas, a sua alta circulação na população faz com que sofra essas alterações constantes. Por isso, é necessário tomar a vacina da gripe anualmente, já que as fórmulas são atualizadas para as mudanças. Se o indivíduo não é imunizado regularmente, seu sistema imune se torna novamente suscetível à doença.

Para saber mais

Cópia engenhosa

Nas vacinas tradicionais, os cientistas utilizam parte do próprio vírus a ser combatido como base para a fórmula. Eles “silenciam” os pedaços do micro-organismo para que ele possa ser usado com segurança. No caso das vacinas de DNA, os especialistas baseiam-se no material genético do vírus, “copiando” a parte mais importante, que é a responsável pela sua replicação.

O objetivo das duas vacinas é o mesmo: fazer com que o corpo crie imunidade contra o agente invasor. As vacinas de DNA ainda são recentes, mas, segundo os cientistas, podem trazer uma série de vantagens, como não precisar ser refrigerada, mais segurança e também um baixo custo de produção.

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Fonte: Correio Braziliense Online

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