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Memória imunológica é peça-chave na proteção contra a Covid-19, indicam estudos

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A defesa do corpo humano contra o coronavírus é mais poderosa e complexa do que se imaginava, revelam novos estudos. Eles mostram que a “memória” do sistema imunológico desempenha papel estratégico na proteção contra a Covid-19.

As pesquisas trazem boas notícias tanto em relação à capacidade de adquirir imunidade quanto à chance de sucesso de vacinas. E ajudam a explicar por que a maioria das pessoas infectadas permanece sem sintomas ou adoece com pouca gravidade. Não se sabe, porém, como se defendem, sem anticorpos contra o Sars-CoV-2.

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A reação das células do sistema imunológico, a imunidade celular, teria ainda relação com o motivo pelo qual a maioria das pessoas que adoecem se recupera, mas outras acabam por precisar de respirador ou morrem devido à Covid-19.

Os estudos — um americano e outro alemão — sugerem que a resposta está numa reação cruzada aos outros quatro coronavírus comuns na população mundial, e que representam cerca de 20% dos casos de resfriados comuns. Os vírus não são iguais, mas as semelhanças acionariam as defesas.

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Os estudos reforçam a hipótese de que a defesa não está relacionada a anticorpos e sim à ação de células “de memória” do sistema imunológico, os linfócitos CD4 e CD8.

Por já terem combatido coronavírus de resfriados comuns, os linfócitos identificam no Sars-Cov-2 uma ameaça em potencial e o atacam antes que se multiplique.

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Se confirmada, a hipótese ajuda a saber o quão imune ao Sars-Cov-2 uma pessoa é, e oferece uma forma eficiente de testar vacinas.

Integrante da comissão que dá assessoria científica ao combate da Covid-19 no Rio de Janeiro e membro da Academia Nacional de Medicina, o hematologista e oncologista Daniel Tabak vê na imunidade celular um caminho promissor no combate à doença:

— Os pesquisadores identificaram uma resposta de linfócitos CD4 e CD8 em indivíduos não expostos ao Sars-Cov-2 , o que indica reações cruzadas com outros coronavírus respiratórios. E as respostas celulares nos pacientes convalescentes têm boa correlação com os anticorpos neutralizantes. Isso será fundamental para o desenvolvimento de uma vacina eficaz.

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O estudo americano sobre a imunidade celular foi publicado no site da revista científica “Cell”. Liderado pelo Instituto de Imunologia de La Jolla, nos EUA, ele revelou uma robusta resposta contra o Sars-CoV-2 num grupo de 20 adultos que se recuperam de Covid-19.

“Vimos uma potente reação à presença da proteína S do vírus, a que é usada por ele para invadir células humanas. É uma boa notícia para o desenvolvimento de vacinas”, escreveram os autores.

Alessandro Sette, líder da pesquisa, disse haver “fortes indícios de que existe diferença na resposta das células de defesa de pessoas que tiveram Covid-19 das que nem sequer apresentaram sintomas”.

O grupo dele investigou a resposta dos linfócitos de amostras de sangue coletadas entre 2015 e 2018, antes do Sars-CoV-2 entrar em circulação. Esses linfócitos reagiam com ferocidade ao novo coronavírus, embora nunca tivessem sido expostos a ele.

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— A reação cruzada com outros coronavírus é a explicação possível para o não adoecimento em grande parte da população. O mais interessante é que talvez seja mais importante do que os anticorpos neutralizantes — acrescenta Tabak.

A pesquisa alemã, da Universidade de Berlim e do Instituto Max Planck de Genética Molecular, mostrou reatividade cruzada a outros coronavírus em linfócitos de pacientes com Covid-19 e em pessoas não infectadas.

O estudo salienta que as células CD4 e CD8 “podem ser cruciais para compreender as manifestações tão diferentes da infecção pelo Sars-CoV-2 e, particularmente, a alta taxa de assintomáticos e de crianças e adultos jovens com quadros mais leves. Uma vez que estes, em geral, têm mais contatos sociais do que os idosos e, por isso, poderiam ser mais infectados pelos demais coronavírus”.

Família corona

Causador da Covid-19, o Sars-CoV-2 é o sétimo coronavírus conhecido a causar doença em seres humanos. Dos outros seis, dois são os letais e bem mais raros: Sars-CoV-1 e Mers.

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2020/05/21/covid-19-macacos-ficam-protegidos-de-uma-segunda-infeccao-diz-estudo-2/

Outros quatro coronavírus são muito comuns e provocam cerca de 20% das infecções respiratórias. Conhecidos apenas pelas siglas 229E, NL63, OC43 e HKU1, estão disseminados no mundo. Estima-se que qualquer pessoa já teve contato com os quatro ou ao menos três deles, o que explica a reação cruzada das células de defesa de alguém que é infectado pelo Sars-Cov-2. Elas “se lembrariam” deles.

Segundo pesquisadores da Universidade de Berlim, um adulto poderia contrair infecção por um desses coronavírus em média a cada dois ou três anos. Como não evoluem com gravidade na esmagadora maioria dos casos, a pessoas recebe apenas o vago diagnóstico de “uma virose”.

Não se sabe ainda em que grau a reação cruzada poderia oferecer imunidade, por quanto tempo ela duraria e ainda se é mais frequente em algumas regiões do mundo.

Fonte: O Globo

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