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Testagem para a COVID-19 é lenta em todo o estado; veja os números

Belo Horizonte realiza 273 exames para detectar o coronavírus por 100 mil habitantes, e Minas 99. "Testes não salvam vidas", diz Zema

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Como um iceberg, a realidade dos casos de COVID-19 em Minas está submersa devido à baixa testagem, admitida pelo próprio governo de Minas nesta semana. O número insuficiente de testes está na capital e em todas as regiões do estado, conforme levantou a reportagem do Estado de Minas. Na capital, foram realizados 6.860 exames RT-PCR pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), desde março, em pacientes com suspeita da doença. Como a população é de 2,5 milhões de habitantes, são 273 testes para cada 100 mil habitantes na capital. O número no estado é ainda menor, de 99 para cada 100 mil habitantes. Para o governador Romeu Zema (Novo), entretanto, a questão não é prioridade no enfrentamento da pandemia.

“Testes não salvam vidas, são apenas termômetros”, afirmou ontem, em entrevista à CBN. A baixa testagem se repete no Brasil como um todo, com índice de exames inferiores aos de países como EUA, Rússia, Espanha, Reino Unido, Itália, França e Alemanha, conforme dados do projeto Corona BR, que reúne informações sobre a pandemia em uma comunidade da rede social Reddit.

Belo Horizonte, o epicentro da epidemia em Minas, com 1.628 casos e 46 mortes, já iniciou a testagem rápida da população em um inquérito sorológico. Serão realizados 75 mil testes para COVID-19, sendo 30 mil por 1 milhão de habitantes. Do total de testes RT-PCR feitos na capital, conforme último boletim epidemiológico publicado pela Secretaria Municipal de Saúde, 1.570 tiveram resultado positivo. O protocolo definido do Ministério da Saúde orienta a testagem de pessoas com quadros graves. A assessoria de imprensa afirma que, na capital, também são testados todos os profissionais de saúde que estão na assistência direta de pacientes e apresentam sintomas.

O número de testes por 100 mil habitantes é ainda menor quando se considera todo o território mineiro. A Funed tem capacidade para 2 mil análises por dia. No entanto, não é possível saber quantas, de fato, são feitas diariamente com base na informação oficial do boletim epidemiológico. O documento divulgado ontem informa que foram realizados 20.985 exames para COVID-19 desde que a pandemia chegou a Minas. Considerando esse volume e que a população é de 21,1 milhões de habitantes, de acordo com o IBGE, Minas aplicou 99 testes para cada 100 mil habitantes. Até 13 de maio, quando essa informação era divulgada, havia 101.572 casos suspeitos no estado. A partir desse dado, pode-se dizer que foram testadas apenas 20% do total de pessoas que apresentaram sintomas relacionados à COVID-19.

O governo de Minas recebeu do Ministério da Saúde 783.960 testes rápidos para repasse às prefeituras. Feitos a partir de sorologia, eles identificam se a pessoa tem anticorpos, o que indica que teve contato com o vírus. “Quanto mais testes melhor, desde que tenha foco. Deveria testar mais os casos agudos para saber se tem a COVID-19. Aumentar a notificação e até eventualmente tomar uma medida extra. Ou que seja o caso de descartar, e evitar uma quarentena desnecessária”, afirma o presidente da Sociedade Mineira de Infectologia, Estevão Urbano.

Os infectologistas que compõem o comitê que assessora o prefeito Alexandre Kalil na tomada de decisões sobre o enfrentamento da pandemia informaram, em entrevista ao EM publicada na edição de domingo (24/5), que a baixa realização de testes é uma das falhas do enfrentamento na capital. O problema foi atribuído à dificuldade de obtenção de insumos, o que também tem sido alegado pelo secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral.

RECOMENDAÇÃO DA OMS

No entanto, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou, em 16 de março, que os países ampliem a testagem em pacientes com sintomas do novo coronavírus. Na ocasião, a entidade, que lidera esforço global contra a pandemia, deixou claro que, assim como o isolamento social, é necessário identificar os infectados pelo novo coronavírus para reduzir o R0, indicador da quantidade de pessoas que podem ser contaminadas a partir de alguém que esteja com vírus, sintomático ou não.

O diretor-geral da organização, Tedros Adhanom Ghebreyesus, reforçou a importância das duas iniciativas para evitar a ampliação da circulação do vírus. “A forma mais eficaz de salvar vidas é quebrar a cadeia de transmissão. E para fazer isso precisa testar e isolar. Não se pode apagar a fogo cego. Não conseguiremos parar a pandemia se não soubermos quem está infectado. Temos uma simples mensagem: testem, testem, testem. Todos os casos suspeitos. Se eles derem positivo, isolem”, declarou.

Em entrevista recente, o governador Romeu Zema chegou a dizer que Minas Gerais tem “capacidade ociosa” para a realização dos testes do coronavírus. “Temos uma capacidade ociosa de testes que não estão sendo realizados, pois não está havendo procura. Qualquer pessoa que vai ao hospital é examinado e se apresentar sintomas é enviado o teste”, declarou Zema.

“A gente está testando a ponta do iceberg; os casos sintomáticos graves internos nos hospitais. A gente não está testando a comunidade, que é o principal lugar de transmissão do vírus. Dessa forma, as pessoas continuam transmitindo e não se isolam”, afirma o coordenador do Centro de Epidemiologia, Estatística e Pesquisas da Santa Casa de Juiz de Fora, infectologista Guilherme Côrtes. “Se há capacidade ociosa de exames, os casos suspeitos também deveriam receber os testes”, defende. Segundo o especialista, é preciso facilitar o acesso aos exames ou talvez mudar a estratégia. Ele ainda recomenda diminuir a grande diferença entre números de casos suspeitos e de confirmados, caso contrário, seria difícil acreditar que não haja subnotificação.

Dois métodos para apurações diferentes

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, são cinco instituições públicas habilitadas para realizar os testes do novo coronavírus: o Laboratório Central de Saúde Pública (Lacen-MG), da própria Fundação Ezequiel Dias (Funed), e quatro parceiros que trabalham de forma integrada: Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Fundação Hemominas, Fiocruz/MG e Laboratório Federal de Defesa Agropecuária.

As autoridades dispõem de dois métodos para a realização da testagem, o RT-PCR, que identifica nas amostras material genético do novo coronavírus, e os testes rápidos, que apresentam os resultados em cerca de 15 minutos e apontam a presença de anticorpos na amostra. O RT-PCR é o mais indicado para diagnóstico, uma vez que indica se a pessoa está com o vírus ou não. Já os testes rápidos mostram se a pessoa tem ou não anticorpos para o vírus, o que significa apenas se ela teve contato com o micro-organismo.

No momento da testagem, a pessoa pode estar com a COVID-19 ou ter tido um quadro assintomático. “A testagem sorológica, para a gente ver o tamanho da imunidade da população é outro tipo de teste, de sangue, sorologia, em que você pesquisa anticorpos. É para ver quantas pessoas tiveram contato. O percentual da população que foi imunizada. Você faz um inquérito sorológico. Elege uma população, como se fosse uma pesquisa eleitoral, para ter ideia do percentual de pessoas que já foram expostas”, explica Estevão Urbano. No teste rápido, milhares de pessoas são testadas, para as autoridades em saúde avaliarem o grau de imunização e circulação do vírus na população.

Fonte: Estado de Minas


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