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Covid-19: pesquisadores e comunidades científicas criticam uso de cloroquina

Professor da Unicamp acredita que as recomendações quanto ao uso da cloroquina dadas pelo Ministério da Saúde não passam de opiniões pessoais e não possuem embasamentos científicos

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Covid-19
“Não há estudos científicos publicados sobre o uso no começo da doença e nem em relação à dosagem segura”, diz o pesquisador. (Foto: Antonio Scarpinetti/Unicamp)

Covid-19 – Com o avanço da pandemia do novo coronavírus, muito se tem discutido sobre o uso da cloroquina como tratamento da doença. Inclusive, o Ministério da Saúde (MS), em protocolo publicado nesta quarta-feira (20), recomendou a ampliação da utilização do medicamento para casos leves da covid-19 no Brasil.

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Sobre isso o professor do Instituto de Química da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Luiz Carlos Dias, ressalta que a recomendação do MS não deve ser seguida, visto que não há comprovação para a eficácia do uso da cloroquina e da hidroxicloroquina em casos de covid-19.

A afirmação é compartilhada por comunidades médicas e científicas de todo o mundo. Em nota, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, bem como a Associação Brasileira de Medicina Intensiva, Sociedade Brasileira de Infectologias e Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, dizem não recomendar o uso de tais medicamentos enquanto não houver evidências científicas definitivas acerca do seu emprego.

Após analisar pesquisas recentes relativas à rotina de tratamento com cloroquina e hidroxicloroquina (composto análogo à cloroquina), Dias pondera que os resultados de ensaios clínicos em seres humanos, em diferentes estágios da infecção, não são favoráveis.

Ele acredita que as recomendações de uso da cloroquina em casos leves não passam de opiniões pessoais e recomenda que qualquer decisão sobre a cloroquina e a hidroxicloroquina seja baseada em evidências científicas.

“Não há estudos científicos publicados sobre o uso no começo da doença e nem em relação à dosagem segura. Precisamos de mais estudos e investigações que confirmem se existe realmente eficiência no início da enfermidade, pois só há relatos pessoais de médicos, mas falta provar isso num ensaio clínico, seguindo o rigor científico, com controle, ou os resultados podem ser desastrosos para a população”, disse.

A Azitromicina e a arritmia cardíaca

O professor salienta que estudos recentes demonstram a falta de segurança na rotina clínica com os medicamentos. Segundo ele, a arritmia cardíaca, um dos efeitos colaterais mais frequentes, é potencialmente fatal.
Na recomendação do Ministério da Saúde, determinada pelo presidente Jair Bolsonaro, foi indicado que o uso da cloroquina seja administrado junto à azitromicina, um antibiótico. De acordo com Dias, a azitromicina, assim como a cloroquina e hidroxicloroquina, também pode causar arritmia cardíaca. “Você junta dois medicamentos que causam arritmia cardíaca, o que pode ser fatal”, alerta.

Além de não haver evidências de eficácia com pacientes que apresentam sintomas leves, ele aponta que estudos realizados com pacientes graves, internados em UTI (Unidade de Terapia Intensiva), também sinalizam que a combinação, assim com a administração individual dos medicamentos, não é positiva.

“Vários ensaios realizados e publicados em periódicos conceituados na área médica e ensaios clínicos realizados em vários países já mostraram que a combinação hidroxicloroquina e azitromicina ou cloroquina e azimitromicina, ou a cloroquina e hidroxicloroquina sozinhas, não têm nenhum benefício para pacientes em UTI”, complementou.

No entanto, para os pacientes que optarem pela realização do tratamento, a Sociedade Brasileira de Cardiologia orienta que, desde que resguardada as condições sanitárias necessárias para minimizar o risco de contágio de profissionais de saúde e outros pacientes, devem ser realizados eletrocardiogramas a fim de avaliar a evolução do intervalo QT, de forma a subsidiar o médico quanto à pertinência de se persistir no tratamento. (Com informações do Jornal da Unicamp)

Fonte: A Cidade On

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2020/06/01/mercado-farmaceutico-tera-de-aumentar-tiquete-de-vendas-no-pos-covid-alerta-pg/

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