Notícias do setor farmacêutico

Uso de plasma contra Covid-19 é restrito a poucos

49

Uso de plasma contra Covid-19 é restrito a poucos - Jornal O GloboEstudos clínicos pelo mundo mostram resultados animadores para o uso da técnica do plasma convalescente, que transmite anticorpos de pacientes recuperados da Covid-19 a pacientes em tratamento. Entretanto, resultados preliminares de trabalhos no Brasil mostram que a medida se mostra cada vez mais restrita e para poucos, em especial em países menos ricos e com menos recursos para viabilizar a aplicação do procedimento.

Siga nosso instagram: https://www.instagram.com/panoramafarmaceutico/

As dificuldades começam na seleção de doadores: de 271 inicialmente aptos a participar de pesquisa em curso nos hospitais Sírio Libanês e Albert Einstein, em São Paulo, por exemplo, apenas 110, ou 40%, de fato puderam transfundir plasma — a parte líquida do sangue — para alguém internado.

Exames sorológicos insatisfatórios, baixo índice de anticorpos e até mesmo teste positivo para presença do vírus no corpo — apesar de 14 dias sem sintomas — são alguns dos fatores que restringem a doação e, por consequência, o alcance da terapia, que busca fornecer imunidade às pessoas com a doença.

— Plasma convalescente não pode ser usado em larguíssima escala. Para chegarmos a isso no Brasil, levaríamos um bom tempo. Por isso, é preciso selecionar pacientes graves, não pode ser usado para qualquer paciente. Infelizmente, é uma terapia com recursos limitados — diz o hematologista Silvano Wendel Neto, do Sírio-Libanês, que participa da pesquisa em São Paulo.

O efeito do plasma em pacientes dos dois hospitais ainda está em estudo — cerca de 50 pacientes receberam transfusão nas últimas semanas, nos dois hospitais.

Índices semelhantes de doadores aptos, em torno de 40%, têm sido observados também no Rio, onde o Hemorio conduz pesquisa semelhante com transfusão para pacientes que estão em três hospitais.

— Muita gente não tem anticorpo em nível suficiente. A gente já sabia que este não seria um tratamento em massa, é mesmo com disponibilidade limitada. Mesmo que você tenha muitas pessoas com a doença (e potenciais doadores), há procedimentos, maquinário especial, não é algo simples — diz o diretor do Hemorio, Luiz Amorim.

De acordo com profissionais que vêm participando do atendimento nas duas pesquisas, os resultados têm sido mais animadores entre aqueles que ainda estão na fase inicial da doença, e não no período agudo, pós-intubação.

Pesquisa em Nova York

Cenário semelhante foi atestado por estudo recente realizado com 39 pacientes que receberam plasma no Hospital Mount Sinai, em Nova York. Eles foram comparados a pessoas que não haviam recebido o tratamento, no início da pandemia. A diferença de mortalidade entre os grupos não foi considerada relevante (12,8% no grupo plasmático e 24,4% no grupo de controle). Mas o resultado foi considerado animador quando se verificou que a necessidade de suplementação de oxigênio era consideravelmente menor entre os pacientes que receberam o tratamento.

“Pacientes não intubados podem se beneficiar mais do que aqueles que necessitam de ventilação mecânica”, diz o relatório final do estudo.

— Não adianta muito quando o paciente já está há muitos dias no respirador e com diversas outras complicações de saúde. Quando mais precoce (a transfusão), melhor — diz Amorim, do Hemorio, que nos próximos dias deve divulgar um estudo com resultados preliminares do atendimento a 10 pacientes.

— Os melhores resultados terapêuticos vêm sendo observados entre os que estão no início da infecção, mas estes resultados ainda estão sendo aferidos — repetiu Wendel Neto sobre o estudo realizado em São Paulo, durante apresentação a médicos e pesquisadores, há algumas semanas.

O especialista citou outro achado relevante da análise de doadores recuperados: quase 35% ainda tinham vírus no corpo. Não é possível dizer se em quantidade suficiente para contágio, por isso eles têm sido orientados a manter medidas de prevenção, como uso de máscaras, higiene redobrada e evitar contato com grupos de risco.

— Se isso é transmitido para outras pessoas, a gente não sabe. Por enquanto, isso é só especulação, não temos uma posição firme nem de um lado, nem de outro — disse o pesquisador, mencionando que material nucleico identificado com o coronavírus não é necessariamente um vírus viável a atacar as células do corpo.

De acordo com artigo publicado nesta semana na revista Science, pelo menos 16 mil pacientes nos EUA receberam tratamento com base na técnica, mas ainda não há evidências sobre a efetividade do tratamento, já que todos os estudos divulgados até aqui são considerados pontuais.

Gripe espanhola

Ainda são aguardados os resultados de estudos clínicos randomizados — aqueles que em que pacientes são escolhidos aleatoriamente e parte deles recebe a droga que se quer testar, enquanto outra parte recebe um placebo. Essa é considerada a maneira mais confiável de confirmar se a técnica é eficaz. Estão em curso em países como Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido.

O uso do sangue de pacientes recuperados de doenças vem sendo usado como terapia desde o início do século passado, durante a gripe espanhola — relatórios da época sugerem que a técnica ajudou. Pesquisas apontam o sucesso do procedimento no tratamento de doenças como sarampo e febre hemorrágica, mas insucesso para doenças como o ebola. Há preocupação também em relação ao risco de transmissão de outros patógenos pelo sangue.

Fonte: O Globo

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2020/06/15/polydrogas-quer-parceria-com-farmacias-independentes-e-associativistas/

Você pode gostar também

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza cookies para aprimorar sua experiência de navegação. Mas você pode optar por recusar o acesso. Aceitar Consulte mais informação

Perdeu sua senha? Digite seu nome de usuário ou endereço de email. Você receberá um link para criar uma nova senha por e-mail.
document.querySelectorAll('.youtube a').forEach(e=>{e.href = "https://youtube.com/user/partnersupport" })