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Drogas existentes podem evitar “sequestro” de células por novo coronavírus

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sequestro de células/covid-19

Uma equipe internacional de cientistas liderados pelo Laboratório de Biologia Molecular do Instituto de Bioinformática Europeu conseguiu explicar como ocorre o sequestro de células saudáveis pelo Sars-CoV-2 e ainda apontou sete medicamentos já existentes que podem evitar o mecanismo. O estudo foi publicado no último dia 23 de junho na revista Cell.

“Nossa abordagem orientada a dados para a descoberta de medicamentos identificou um novo conjunto de drogas com grande potencial para combater a Covid-19, isoladamente ou em combinação com outros remédios, e estamos animados em ver se eles ajudarão a acabar com essa pandemia”, afirma o coautor do estudo Nevan Krogan, biólogo molecular da Universidade da Califórnia em São Francisco, nos Estados Unidos, em comunicado.

Segundo os cientistas, uma enzima chamada quinase deve ser o principal alvo de drogas que visem interromper a atividade do vírus e tratar a Covid-19. Por isso, eles analisaram dezenas de medicamentos que lidam com essa enzima e são aprovados pela Food and Drug Administration (FDA), agência regulamentadora dos Estados Unidos, ou estão sendo usados em testes. Entre as drogas, eles encontraram sete que apresentaram atividade antiviral potente em experimentos em laboratório. Os medicamentos estão ligados principalmente a compostos contra doenças inflamatórias e câncer.

Sequestro de células

Apesar de serem muito poderosos, os vírus são incapazes de se replicar ou se disseminar sozinhos: eles precisam de um hospedeiro para se reproduzir. Uma vez que entram no nosso corpo, esses microrganismos tentam a todo custo tomar controle do maquinário das nossas células, aproveitando-se delas para conseguir produzir novas partículas virais. Durante esse sequestro de células, o vírus pode, inclusive, modificar a ativididade de enzimas e proteínas do hospedeiro.

A fosforilação, adição de um grupo fosfato à ezima quinase, é um exemplo de processo que pode ser alterado em benefício do vírus. Isso porque esse mecanismo está associdado a muitos processos de regulação celular, como a comunicação entre as células, o crescimento delas e até sua morte. Ao alterar o padrão da fosforilação, o vírus pode conseguir se replicar para outras células e até para outros hospedeiros.

Com isso em mente, os cientistas usaram uma ferramenta chamada espectrometria de massa para avaliar como a fosforilação de proteínas virais e de hospdeiros foi modificada após a infecção pelo Sars-CoV-2.

Eles descobriram que 12% das proteínas hospedeiras que interagiram com o vírus sofreram alterações e ainda conseguiram identifcar as quinases que possuem mais chance de regular essas mudanças.

Além disso, os pesquisadores concluíram que o novo coronavírus não afeta apenas a divisão celular, mas também o formato da célula. Uma das principais revelações do estudo é que as células infectadas apresentam longas e ramificadas extensões, semelhantes a braços ou a filópodes. Essas estruturas podem ajudar o vírus a se espalhar para outras células e promover a infecção, mas estudos adicionais são necessários para confirmar essa hipótese, de acordo com os especialistas.

“A visualização distinta da extensa ramificação mais uma vez elucida como entender a biologia da interação vírus-hospedeiro pode iluminar possíveis pontos de intervenção na doença”, afirma Krogan.

Fonte: Revista Galileu

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