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Avanços em vacinas israelense e britânica

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Uma das primeiras instituições mundiais a anunciar o desenvolvimento de uma vacina para covid-19, o Israel Deaconess Medical Center (BIDMC) divulgou, na revista Nature, os resultados dos estudos com primatas não humanos. Segundo os autores, uma única dose da substância aumentou anticorpos neutralizantes e protegeu os macacos rhesus “de forma robusta”. A equipe afirmou que o estudo abriu caminho para etapa dos testes com humanos. Também na Nature, cientistas da Universidade de Oxford divulgaram o artigo que permitiu a realização da fase 3 da pesquisa da vacina, que já está ocorrendo em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Salvador.

No caso do estudo israelense, realizado em parceria com a multinacional Johnson & Johnson, os testes em humanos estão em curso, atualmente apenas em Israel. A vacina usa um vírus do resfriado comum, o adenovírus sorotipo 26 (Ad26), como veículo de transporte da proteína spike, presente na superfície do Sars-CoV-2 e responsável pela entrada do novo coronavírus na célula hospedeira. Em contato com a proteína, o organismo desenvolve respostas imunológicas específicas para lutar contra a covid-19.

Dan Barouch, diretor do Centro de Pesquisa em Virologia e Vacinas do BIDMC, conta que o imunizante está em desenvolvimento desde janeiro, quando pesquisadores chineses revelaram o genoma do Sars-CoV-2. Os cientistas testaram várias vacinas candidatas, todas tendo a proteína spike como alvo. O artigo da Nature descreve o estudo com 32 macacos rhesus que receberam a dose única de uma das sete versões da substância. Outros 20 animais receberam placebo.

De acordo com Barouch, todos os vacinados desenvolveram anticorpos neutralizantes. Seis semanas depois da imunização, tanto os macacos do grupo da substância real quanto do placebo foram expostos ao Sars-CoV-2. Os da falsa vacina foram infectados e apresentaram carga viral alta no pulmão e no nariz. A candidata que se saiu melhor foi a Ad26.CCoV2.S, aplicada em seis animais. Em nenhum deles se detectou o micro-organismo no tecido pulmonar; em um, havia baixo nível do patógeno na secreção nasal.

“Uma imunização de dose única tem vantagens práticas e logísticas em relação a um regime de duplo para um programa global de controle de pandemia”, diz Barouch. “Mas uma vacina de duas doses provavelmente fornecerá uma resposta imune mais forte. Por isso, os dois regimes estão sendo avaliados nos testes com humanos. Estamos ansiosos pelos resultados dos ensaios clínicos que determinarão a segurança e a imunogenicidade e, finalmente, a eficácia da vacina Ad26.CoV.S em humanos.” Se os primeiros dados forem positivos, a expectativa é passar para a fase 3 em setembro, com 3 mil voluntários.

O artigo da Universidade de Oxford publicado na mesma revista revela que também uma dose única da imunização protegeu macacos rhesus do Sars-CoV-2. Nesse estudo, a substância, que já está na fase final de testes em humanos, foi aplicada uma vez em um grupo de animais, e duas vezes em outro. Ambos os regimes resultaram em anticorpos neutralizantes. (PO)

Fonte: Correio Braziliense 

Leia também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2020/06/25/pesquisadores-investigam-quanto-tempo-infectados-pela-covid-19-ficam-imunes/

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