Notícias do setor farmacêutico

Em um mês, quase 50 pacientes participam de estudo clínico para tratamento precoce da Covid-19 com vermífugo em Juiz de Fora

109

Em um mês, 48 pacientes com sintomas leves do novo coronavírus aderiram ao estudo clínico do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em Juiz de Fora para verificar os efeitos do vermífugo nitazoxanida no tratamento da doença. O objetivo da iniciativa é conseguir 500 voluntários em todo o país para concluir as pesquisas e verificar se, de fato, o antiparasitário tem efeito comprovado em humanos para reduzir a carga viral do novo coronavírus.

Em balanço parcial divulgado pelo Hospital Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ), que conduz o estudo na cidade, até sexta-feira (31), 215 pessoas foram testadas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Santa Luzia.

Destas, 164 testaram negativo para o novo coronavírus e 51 foram positivas para a doença. Dos casos confirmados da doença, apenas três desistiram de participar do estudo.

Para entender as implicações e avanços que esse teste clínico pode trazer para o combate ao coronavírus, o G1 conversou com o coordenador local, o médico infectologista Marcos Moura. Veja abaixo.

‘A ideia é diminuir a gravidade da doença’

A nitazoxanida é um medicamento amplamente utilizado no país pelos nomes comerciais Azox e Annita e faz parte do grupo dos antiparasitários e vermífugos. Além disso, o medicamento também tem ação antiviral e é receitado em casos de rotavírus.

Para evitar automedicação, a droga passou a ser vendida apenas com prescrição médica em abril deste ano. O medicamento contendo nitazoxanida, disponibilizado comercialmente, não tem a indicação para o coronavírus.

A pesquisa, que passou por duas etapas até chegar na fase dos testes clínicos em humanos, tem o objetivo de verificar se o remédio tem eficácia para reduzir a carga viral do Sars-CoV-2.

Caso seja comprovado, como explica o médico Marcos Moura, não significa que a nitazoxanida será uma cura ou tratamento efetivo para a Covid-19, mas sim um remédio para reduzir os riscos de complicações e quadros graves.

“A nitazoxanida foi eleita como um fármaco para recolocação, porque na fase in vitro teve um efeito de diminuir a carga viral nessa fase inicial, e diminuir os receptores do vírus na célula hospedeira, inclusive nas células pulmonares.O efeito esperado é que que reduzindo essa carga viral, você diminuiria a consequência ou a gravidade da doença. É um recolocamento, não é um medicamento exclusivo para a Covid-19. Ainda não sabemos se o efeito vai ser pleno ou parcial, mas como a nitazoxanida é um medicamento muito utilizado e muito seguro, se incorporarmos um efeito mesmo que parcial, seria um grande benefício. A ideia é diminuir a gravidade da doença”, explicou o infectologista.

“A nitazoxanida foi eleita como um fármaco para recolocação, porque na fase in vitro teve um efeito de diminuir a carga viral nessa fase inicial, e diminuir os receptores do vírus na célula hospedeira, inclusive nas células pulmonares.O efeito esperado é que que reduzindo essa carga viral, você diminuiria a consequência ou a gravidade da doença. É um recolocamento, não é um medicamento exclusivo para a Covid-19. Ainda não sabemos se o efeito vai ser pleno ou parcial, mas como a nitazoxanida é um medicamento muito utilizado e muito seguro, se incorporarmos um efeito mesmo que parcial, seria um grande benefício. A ideia é diminuir a gravidade da doença”, explicou o infectologista.

A utilização da substância nos casos iniciais da Covid-19 também é estudada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e fora do país.

“A nitazoxanida também tem estudos na Europa e nos Estados Unidos. Como é um medicamento que não tem uma patente, os laboratórios farmacêuticos acabam investindo pouco nesses estudos. Hoje em dia, eles focam muito em pesquisas com medicamentos patenteados, que são os antivirais. A recolocação dos medicamentos, que é o que estamos estudando, partem das universidades ou do interesse público, nesse caso foi do Ministério da Saúde também”.

Além de Juiz de Fora, o Ministério da Ciência realiza as pesquisas nas cidades paulistas Bauru, Sorocaba, Barueri, Guarulhos, São Caetano do Sul e Ceilândia, no Distrito Federal. De acordo com Marcos, o objetivo do Governo Federal de chegar a 500 voluntários deverá ser atingido no final de agosto e os primeiros resultados devem ser divulgados em setembro.

Pesquisa clínica aumentou testagem na cidade, afirma médico

Um dos benefícios citados por Marcos para a condução dos testes clínicos em Juiz de Fora foi o aumento da realização de exames RT-PCR, considerados padrão de excelência, para a detecção do coronavírus. Desde 23 de junho, foram 251 testes realizados.

Os exames podem ser feitos de forma gratuita na UPA Santa Luzia e o resultado é divulgado em até 48 horas. Após isso, o paciente que testar positivo decide se adere ou não a pesquisa clínica.

“Nos dias de semana, estamos fazendo uma média de 20 testes. Já durante o fim de semana tem uma queda e as pessoas não vão na UPA. A gente está dentro da nossa estimativa e a população, de forma geral, se sente muito acolhida lá. Estamos fazendo um teste gratuito de excelência, com resultado às vezes em menos de 24 horas, coisas que nem laboratórios privados conseguem fazer com tanta agilidade”, pontuou o coordenador.

O médico explicou que, em um primeiro momento, eram só pacientes com casos mais agravados que conseguiam fazer esses testes na unidade. “Agora são pacientes com sintomas leves e conseguimos oferecer para o município uma melhora para entender o enquadramento e o perfil da doença na cidade”.

Como funciona o teste clínico?

Quem desejar participar do ensaio, deve procurar a UPA Santa Luzia, que será direcionado para um espaço de triagem e mais informações sobre o ensaio. Os pacientes devem atender pré-requisitos clínicos e apresentar pelo menos dois dos sintomas mais comuns de Covid-19: a febre, tosse seca e/ou fadiga.

O objetivo final é avaliar a carga viral, os sintomas respiratórios, a taxa de internação hospitalar e os parâmetros inflamatórios num determinado período de tempo, entre o primeiro e o oitavo dia, que abrange a procura inicial e o retorno do paciente com Covid-19, após tratamento com nitazoxanida por cinco dias comparado ao placebo.

Nesta fase, o paciente tem o exame RT-PCR para confirmação da infecção pelo vírus, faz hemograma e, uma vez confirmado positivo para Covid-19, recebe a medicação para início do tratamento até o terceiro dia da primeira avaliação. Ele toma a medicação em casa e retorna no quinto dia de tratamento, quando faz nova bateria de exames.

“Como fazemos um trabalho duplo cego, não sabemos exatamente quem tomou ou não tomou a medicação, tudo isso é randomizado pelo coordenador nacional da pesquisa”, explicou o médico.

O infectologista informou que, apesar de ser muito cedo para fazer uma avaliação do estudo, durante os primeiros 30 dias não houve pacientes desistindo do teste por causa de efeitos adversos da nitazoxanida.

“Os pacientes não retornaram nem para se queixar ou para descontinuar por evento adverso do medicamento. Também não tivemos nenhuma internação desses pacientes durante o mês de estudo”, afirmou Moura.

O profissional de saúde reforçou a importância da participação de Juiz de Fora em estudos multicêntricos da Covid-19.

“Queremos continuar o estudo na cidade, até pela peculiaridade e pelo perfil do município. Temos muitos profissionais de excelência da área. Devíamos entrar no cenário das pesquisas e participar de outros estudos, inclusive temos capacidades de iniciá-los por aqui”, completou.

Fonte: G1

Cadastre-se para receber os conteúdos também no WhatsApp  e no Telegram

Jornalismo de qualidade e independente
Panorama Farmacêutico tem o compromisso de disseminar notícias de relevância e credibilidade. Nossos conteúdos são abertos a todos mediante um cadastro gratuito, porque entendemos que a atualização de conhecimentos é uma necessidade de todos os profissionais ligados ao setor. Praticamos um jornalismo independente e nossas receitas são originárias, única e exclusivamente, do apoio dos anunciantes e parceiros. Obrigado por nos prestigiar!

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2020/05/28/coronavirus-milagre-da-cloroquina-importado-de-madri-e-promovido-por-medica-do-piaui-nao-funciona-nem-na-espanha/

Você pode gostar também

Deixe seu comentário

Seu endereço de email não será publicado.

Esse site utiliza cookies para aprimorar sua experiência de navegação. Mas você pode optar por recusar o acesso. Aceitar Consulte mais informação

Perdeu sua senha? Digite seu nome de usuário ou endereço de email. Você receberá um link para criar uma nova senha por e-mail.