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Com dificuldade para pagar taxa de inscrição, médicos cubanos vão tentar fazer o novo exame do Revalida

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A última vez que o médico cubano Armando Madrigal, especialista em atenção primária, atendeu um paciente foi em 2017, na cidade de Presidente Olegário, com cerca de 20 mil habitantes, no Triângulo Mineiro. Com passagens pelo Haiti, Paquistão e Venezuela, ele agora tem a chance de voltar a clinicar após a publicação do edital do Revalida no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (11).

“Mas é muito caro. Só vou conseguir pagar com a ajuda da minha mulher. Cheguei a trabalhar em uma farmácia, mas não deu certo. Tem colega meu que não tem condições de se inscrever”, disse o médico ao falar do valor da inscrição desta primeira etapa, R$ 330.

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“Mas é muito caro. Só vou conseguir pagar com a ajuda da minha mulher. Cheguei a trabalhar em uma farmácia, mas não deu certo. Tem colega meu que não tem condições de se inscrever”, disse o médico ao falar do valor da inscrição desta primeira etapa, R$ 330.

O exame não é feito desde 2017, apesar de a legislação em vigor prever a prova a cada seis meses. Em novembro do ano seguinte, o governo de Cuba decidiu sair do programa social, citando “referências diretas, depreciativas e ameaçadoras” feitas por Jair Bolsonaro sobre a presença dos médicos cubanos no Brasil.

Segundo a Associação Nacional dos Profissionais Médicos Formados em Instituições de Educação Superior Estrangeiras (Aspromed) cerca de 2 mil profissionais continuam no Brasil desde então.

“Eu vou fazer o Revalida, sim. Mas acho que tem muitos obstáculos que nos impede de exercermos a medicina. A própria prova em si é extremamente difícil”, disse Armando.

“Eu vou fazer o Revalida, sim. Mas acho que tem muitos obstáculos que nos impede de exercermos a medicina. A própria prova em si é extremamente difícil”, disse Armando.

A última edição teve 7.380 inscritos, dos quais 393 foram aprovados.

Médicos sobrevivem como garçons

Para viver no Brasil, muitos médicos se tornaram secretários, atendentes e até garçons. Daí a dificuldade, segundo eles, de conseguir recursos para pagar a inscrição. Um deles, que é garçom em um restaurante e não quis se identificar, disse que o valor é alto. Ainda segundo ele, há muitas dificuldades impostas a quem já passou anos no país clinicando e tem qualificações.

Yurisel Brown Ciprian, que atuava no Programa Saúde da Família, em São Gotardo, no Alto Paranaíba, em Minas Gerais, durante o Mais Médicos, passou a sobreviver nos últimos anos trabalhando em uma lanchonete. “Não sei fazer outra coisa que não seja clinicar”, disse ela.

Há poucos dias, a preocupação deu lugar ao alívio. Yurisel conseguiu entrar na terceira chamada do edital do Ministério da Saúde que prevê a contratação temporária de “médicos intercambistas, oriundos da cooperação internacional, para reincorporação ao Projeto Mais Médicos para o Brasil”. A medida foi tomada em março por causa da pandemia do novo coronavírus.

Hoje, Yurisel trabalha em um posto de saúde na cidade de Medeiros, na Região Centro-Oeste de Minas Gerais.

“Eu estou muito realizada, mas vou fazer o Revalida pois o contrato é de dois anos. Bom que o salário agora é mais tranquilo. Mas ainda tenho colegas que estão sobrevivendo como atendentes em restaurantes ”, disse ela.

“Eu estou muito realizada, mas vou fazer o Revalida pois o contrato é de dois anos. Bom que o salário agora é mais tranquilo. Mas ainda tenho colegas que estão sobrevivendo como atendentes em restaurantes ”, disse ela.

‘Pecado capital’

Para Armando, o Revalida é uma barreira e não um caminho para a integração.

“Não estamos pedindo que seja uma prova fácil, mas parece que é um pecado capital ser médico formado no exterior e querer revalidar no Brasil”, disse ele.

“Não estamos pedindo que seja uma prova fácil, mas parece que é um pecado capital ser médico formado no exterior e querer revalidar no Brasil”, disse ele.

O G1 procurou o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo edital do Revalida, e aguarda posicionamento.

O que é o Revalida?

O Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos Expedidos por Instituição de Educação Superior Estrangeira (Revalida) se divide em duas etapas: uma teórica e outra prática.

A prova teórica, por sua vez, é dividida em duas partes aplicadas no mesmo dia. Pela manhã, devem ser resolvidos 100 itens objetivos. Na parte da tarde, os participantes precisam responder 5 questões discursivas.

A segunda parte é uma avaliação prática, baseada em 10 entrevistas (anamneses) para diagnóstico inicial de doenças em atores que se passam por pacientes.

Quem pode fazer o Revalida?

Qualquer brasileiro(a) ou estrangeiro(a) que esteja em situação legal de residência no Brasil poderá fazer a prova. Para se candidatar, é preciso:

Saída de Cuba do Mais Médicos

Em novembro de 2018, o governo de Cuba decidiu sair do programa social Mais Médicos, citando “referências diretas, depreciativas e ameaçadoras” feitas por Jair Bolsonaro sobre a presença dos médicos cubanos no Brasil.

O país caribenho enviava profissionais para atuar no Sistema Único de Saúde desde 2013, quando o governo da ex-presidente Dilma Rousseff criou o programa para atender regiões carentes sem cobertura médica.

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2020/08/24/dengue-df-tem-439-mil-casos-provaveis-e-42-mortes/

Durante a campanha, Bolsonaro declarou que ele “expulsaria” os médicos cubanos do Brasil com base no exame de revalidação de diploma de médicos formados no exterior, o Revalida. A promessa também estava em seu plano de governo.

Sobre a decisão do governo cubano, o presidente se manifestou pelo Twitter dizendo: “Condicionamos a continuidade do programa Mais Médicos a aplicação de teste de capacidade, salário integral aos profissionais cubanos, hoje maior parte destinados à ditadura, e a liberdade para trazerem suas famílias. Infelizmente, Cuba não aceitou.”

Fonte: G1

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