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Brasil já comprou 160 milhões de vacinas

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Os profissionais da saúde e as pessoas que fazem parte do grupo de risco no combate à Covid-19 devem ser os primeiros a receberem a vacina contra o coronavírus (Sars-CoV-2) no Brasil, de acordo com Cristiana Toscano, pesquisadora da Universidade Federal de Goiás (UFG), membro do Grupo Consultivo de Especialistas em Imunização da Organização Mundial da Saúde (OMS) e representante da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm) em Goiás. “O perfil das pessoas que vão receber a vacina depende da estratégia adotada e do intuito da vacina. No caso da Covid-19, estamos trabalhando primeiro com a proteção das pessoas que lidam diretamente com o vírus e depois com a tentativa de tentar diminuir as mortes causadas pela doença”, esclarece Cristiana.

A pesquisadora afirma que, apesar de ainda não ser possível apontar com precisão uma data de quando a vacina começará a ser aplicada na população, se todos os testes experimentais com as vacinas que estão na Fase 3 dos testes clínicos (veja quadro ao lado) forem aprovados pela OMS em dezembro deste ano, em março de 2021 a população brasileira já começará a ser imunizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “É possível que depois do período crítico ter sido superado, a iniciativa particular comece a oferecer a vacina. Porém, em um primeiro momento, será apenas pelo SUS”, destaca Cristiana. A especialista esclarece ainda que a vacina não se estenderá a toda a população. “Nenhuma vacina é dada para a população inteira. É preciso entender que a vacinação faz parte de uma estratégia multimodal de combate ao vírus. Ainda vamos precisar tomar cuidado com a higienização e praticar, pelo menos por um tempo, o distanciamento social”, esclarece.

Doses

Atualmente, o Brasil já conta com uma boa quantidade de doses de vacinas compradas. Através do trabalho desenvolvido pela Universidade Federal de São Paulo com a Universidade de Oxford e a farmacêutica AstraZeneca, são 100 milhões de doses já adquiridas. Pelo trabalho desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica Sinovac, são 60 milhões de doses compradas pelo Estado de São Paulo. Além disso, o país faz parte da aliança Covax Facility, iniciativa liderada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para impulsionar o desenvolvimento e garantir a compra de vacinas contra a Covid-19. Pela aliança, o país terá direito a 40 milhões de doses.

Entretanto, Cristiana afirma que essas doses não serão dadas todas de uma vez. “Temos a previsão de receber apenas 30 milhões de doses de Oxford/AstraZeneca e 46 milhões doses da Sinovac ainda neste ano. Por isso, ter uma estratégia de vacinação é importante, pois receberemos esse material em etapas”, esclarece. Além disso, Cristiana aponta que os estudos já mostraram que são necessárias duas doses da vacina para cada pessoa. “Ou seja, o número total de doses que temos terá que ser dividido por dois para sabermos quantos brasileiros iremos conseguir imunizar”, aponta. No Brasil, a vacinação fica a cargo do Programa Nacional de Imunização (PNI) do SUS, do governo federal, que repassa a quantidade de doses necessárias para os estados com base na proporção de pessoas dos grupos prioritários presentes em cada um.

Preparação

A especialista diz ainda que, apesar de o PNI ter uma boa estrutura e contar com mais de 35 mil salas de vacinação espalhadas pelo país, a logística da distribuição das vacinas será um desafio. “Mesmo sem termos uma data 100% certa de quando a vacina deve começar, precisamos nos preparar”, afirma. De acordo com ela, a compra e estoque de seringas, luvas e outros utensílios usados para a vacinação já deve começar a ser pensada pela federação e também pelos estados e municípios. “Estamos falando de milhões de doses e consequentemente de milhões de materiais que vão precisar ser comprados e também descartados posteriormente. Além disso, é preciso pensar em toda a logística de refrigeração e transporte dessas doses desde j, esclarece.

Cristiana aponta ainda que um outro trabalho que deve ser feito com empenho é o da comunicação com a população. “Esse período de pandemia foi muito complexo de várias maneiras e trouxe muita insegurança para a população por conta da grande quantidade de notícias falsas disseminadas”, aponta. De acordo com ela, é preciso que todas as informações relativa a vacinação contra a Covid-19 fiquem claras para a população antes mesmo dela começar. “Precisamos que todos entendam com clareza quem será vacinado primeiro e o porquê disso, por exemplo. Todas as etapas precisam ser explicadas com muita transparência”, diz.

Fonte: O Popular

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