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Estresse: um potencial vilão para as doenças de pele

Agravada por isolamento social, tensão emocional pode provocar danos severos ao corpo. Saiba como controlar e prevenir problema

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O estresse é capaz de causar vários danos ao nosso corpo. E a pele, o maior órgão, não passa batido desses efeitos negativos. Durante a pandemia, o isolamento social fez o nível de estresse de algumas pessoas subir tanto a ponto de deixar marcas aparentes pelo corpo.

De acordo com a dermatologista Raquel Beltrão, do Hospital Jayme da Fonte, a pele realiza a função de barreira entre os meios externo e interno e, por conta disso, recebe a interferência de neurotransmissores, hormônios e substâncias imunológicas que agem no desenvolvimento de algumas doenças dermatológicas.

Acne, psoríase, dermatite seborreica (caspa), dermatite atópica (dermatite alérgica), eflúvio telógeno agudo (queda de cabelo intensa recente) e urticária (reação alérgica) são apenas algumas das doenças cutâneas que podem ser causadas ou agravadas por conta da tensão emocional. Para Raquel, é importante procurar um dermatologista assim que notar algo estranho, mas ressalta que nem sempre o problema é superficial. “É preciso entender qual a patologia, quais as características de evolução e compreender suas fases de agudização para, então, decidir quais medidas devem ser tomadas”, explica.

Camila Tenório, 23, é empresária e convive há mais de dez anos com a psoríase. Ao longo desse tempo, ela aprendeu a lidar com o problema e a tomar os cuidados para prevenir. Mesmo sendo uma doença com traços genéticos, Camila já percebeu que as crises atacam principalmente quando ela está sob pressão, nervosa, ansiosa ou triste. “Quando tenho alteração de humor, meu corpo logo começa a mostrar os sinais na pele. No começo da pandemia, quando não podia sair para lugar nenhum, a crise veio muito forte e deixou lesões em várias partes do corpo”, relembra Camila. “Eu preciso muito de sol, o saudável, logo no início da manhã, e de academia, tanto para controlar o peso quanto para aliviar o estresse. Sem nada disso, eu surtei e foi um cenário propício para que a psoríase atacasse”, emendou.

Pele e mente andam interligados, conforme explicou a dermatologista Cláudia Magalhães (CRM 11.769 RQE 1951) “Sempre digo aos meus pacientes: ‘mente sã, corpo são’”, destaca Cláudia. Para ela, o estresse mexe na pele, que mexe com a autoestima, que reflete mais uma vez na pele, tornando-se um ciclo sem fim. “Muitos pacientes chegam tristes por conta da autoestima. Muitas dessas doenças não são contagiosas, mas isso não impede os olhares constrangedores dos outros. É preciso entender que doenças como a psoríase, por exemplo, não tem cura, mas tem tratamento, e é possível conviver”, pontuou Cláudia.

Antes mesmo da pandemia, Camila sofreu muito com a doença. “Os remédios já deixaram marcas horríveis, mas hoje prefiro não me esconder mais. Descobri que isso faz parte de mim e aprendi a conviver com as marcas. Não foi fácil, até desenvolvi ansiedade, mas hoje sei que o problema não está em mim, mas sim em quem olha de forma maldosa. Com acompanhamento psicológico, consegui superar e mudar a forma de me enxergar”, disse Camila.

Hoje, sabendo como controlar e prevenir a doença, Camila conta que as crises estão bem menos severas. “A dica que dou é você conhecer o seu corpo e, claro, ter acompanhamento médico. Tanto de um dermatologista, quanto de um psicólogo”, complementou. Concordando com Camila, a dermatologista Raquel Beltrão indica que é preciso compreender, junto ao médico, o curso natural da doença. “Dessa forma, a pessoa pode entender o uso das medicações, o seu comportamento diante de uma evolução de piora. Buscar sempre a compreensão do seu corpo e de sua mente”, esclareceu. Além disso, Raquel menciona que é preciso ter um equilíbrio geral para obter uma qualidade de vida. “Nosso corpo funciona interligado. Uma rotina com alimentação balanceada, atividade física e controle emocional é fundamental para tudo”, concluiu Raquel.

Doenças de pele x estresse: uma relação perigosa

Fonte: Folha Pernambuco

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