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No Brasil, logística é o grande desafio para Plano Nacional de Vacinação

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De acordo com o Ministério da Saúde, em pronunciamento realizado na última terça-feira (01), o plano nacional de vacinação contra a Covid-19 terá, a princípio, quatro fases e deverá atender milhões de pessoas, espalhadas por todo o país, em cada uma delas. O plano traz agora, além da expectativa pela aprovação de alguma das vacinas, um questionamento importante: como será a logística para atender uma demanda tão grande? Com as doses precisando estar em temperaturas que variam, em média, entre 2 e 8ºC (algumas -70º), é preciso pensar em uma logística de cadeia fria que atenda desde as áreas metropolitanas até as mais remotas de um país com dimensões continentais.

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“Um medicamento ou vacina deste porte tem uma série de pesquisas envolvidas, muitas vezes alinhadas com o estudo de estabilidade do produto, que demonstram quanto tempo ele pode ficar em certa condição de temperatura e umidade sem ter qualquer prejuízo em sua eficácia. Então, as cadeias de suprimento nesse processo são vitais, tendo a mesma importância da indústria. Se os elos da cadeia não atuarem de acordo com todas as regras e exigências das fábricas, há o risco de o produto não ter o efeito desejado no paciente”, alerta Ricardo Agostinho Canteras, especialista em logística de cadeia fria.

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Para o executivo, o principal fator de dificuldade será o volume. As vacinas normalmente são aplicadas de acordo com um calendário anual, de forma sazonal. Já na situação que vivemos atualmente, em que a população precisará ser imunizada em massa, em um curto espaço de tempo, a logística de distribuição será diretamente afetada. A maior probabilidade é que empresas que já atuam nesse segmento sejam as escolhidas, afinal, não será uma adaptação simples de infraestrutura. Serão companhias com certificação da ANVISA para armazenamento, fracionamento e transporte desse tipo de produto, além de uma série de adequações que envolvem câmaras frias, freezers, geradores e equipamentos de fracionamento que também preservam a temperatura.

“No transporte, existem duas maneiras de controlar o ambiente: ativamente e passivamente. O controle ativo é aquele em que o veículo tem um equipamento que faz a refrigeração automática. Já o controle passivo envolve embalagens formadas por elementos que bloqueiam a troca térmica e outros refrigerantes, como bolsas de gel. Normalmente para entregas maiores (para hospitais, por exemplo) se usa o controle ativo, e no transporte para regiões mais remotas, se usa o passivo. Acredito que, com esse volume grande de vacinas para distribuir, as transportadoras vão trabalhar cada uma com a sua expertise e que as duas formas de controle serão utilizadas”, explica Canteras, que também é diretor Comercial da Temp Log – operadora com quase 30 anos de experiência em logística para cargas frias, em especial, no atendimento da indústria farmacêutica.

A distribuição de suprimentos pode ser também uma etapa complexa, tendo em vista a grande quantidade de luvas, seringas, ampolas, entre outros, que serão necessários em todo o país. Porém, nesse caso, o executivo explica que por se enquadrarem como “correlatos”, esses produtos têm uma pulverização muito mais simples, mesmo com a grande demanda. Além disso, a legislação diminui o grau de ações necessárias para controle de qualidade deles, o que faz com que as adaptações das operadoras sejam muito menores.

“Os riscos envolvem a falta desses insumos no momento. A vacina requer ampolas, rótulos, caixas. Tirando os desafios de temperatura, o maior problema seria a falta destes itens. Já temos visto clientes com dificuldades, fábricas mundiais estão com um volume de consumo muito elevado, principalmente de papelão. Quando você tem uma demanda muito grande, outros componentes acabam influenciando até mais do que o próprio medicamento ou vacina”, finaliza.

Fonte: Saúde Business

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