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Brasil celebra vacinação, mas vive risco de falta de insumos por negacionismo do Ministério da Saúde

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O dia 17 de janeiro de 2021 ficará marcado na história do Brasil. O primeiro passo para efetivamente vencer a pandemia de coronavírus com uma vacina segura e eficaz foi dado; profissionais de saúde, indígenas e quilombolas começaram a ser imunizados no Hospital das Clínicas, em São Paulo. Tanto a Coronavac quanto a Astrazeneca foram aprovadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, finalmente, a imunização do povo brasileiro começou.

Veja também: Falta de matéria-prima para Coronavac e vacina de Oxford ameaça atrasar imunização no Brasil

– Mônica, 1ª vacinada do país, é voluntária contra covid-19 mesmo sendo do grupo de risco: ‘Não tenham medo’

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Ministro Pazuello fez coletiva junto a governadores para anunciar medidas de distribuição da vacina que Governo Federal havia desprezado

Problemas estratégicos para entrega das doses

No entanto, as inabilidades diplomáticas, logísticas e administrativas de um Governo Federal fomentado pelo negacionismo aparecem agora. Desabastecimento de seringas, espalhamento de ideias sobre a farsa dos inexistentes tratamentos precoces e a falha na compra das vacinas Astrazeneca da Índia são apenas algumas dos tropicões do Ministério da Saúde na imunização brasileira.

A decadência das relações internacionais brasileiras e a desvalorização do Itamaraty frente ao mundo nos últimos anos certamente influenciou a demora na obtenção das 2 milhões de doses da vacina de Oxford que seriam enviadas da Índia para o Brasil. Agora, nosso país aguarda na fila para conseguir o imunizante. O governo federal recusou milhões de doses do imunizante da Pfizer.

Uma solução para o problema seria a produção da vacina de Oxford na própria Fiocruz. Entretanto, problemas logísticos fizeram com que o IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo), insumo essencial para a produção da Coronavac e da Astrazeneca, não fosse entregue a tempo para o Brasil. Ou seja; além da falta de doses importadas, enfrentamos também a falta de insumos para produção nacional do imunizante.

“Quando estava na Anvisa (2013-2016), previ que isso poderia acontecer, por uma guerra, uma crise diplomática. Veio a pandemia e a questão se impôs. Temos um problema estrutural, porque produzimos muito pouco dos insumos que a indústria farmacêutica usa no Brasil”, afirmo o ex-diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) Ivo Bucaresky.

O Ministério da Saúde espalha desinformação

O Ministro da Saúde Eduardo Pazuello mentiu em entrevista no último domingo (17) ao dizer que o Ministério da Saúde já está com vacina em mãos. Atualmente, o Governo Federal só conta com as 6 milhões de doses da CoronaVac. O chefe da pasta ainda criticou o governador do estado de São Paulo, João Dória, por ter ‘politizado‘ a questão da vacina.

Pazuello criticou Dória por uso político de vacina; todas as doses disponíveis para imunizar população brasileira vieram do Instituto Butantã

“O Ministério da Saúde tem em mãos, neste instante, as vacinas, tanto do Butantan quanto da AstraZeneca [em parceria com a Fiocruz]. E nós poderíamos, num ato simbólico, ou numa jogada de marketing, iniciar a primeira dose em uma pessoa. Mas em respeito a todos os governadores, prefeitos e todos os brasileiros, o Ministério da Saúde não fará isso”, disse Pazuello em entrevista no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia, no Rio de Janeiro.

A mentira tem se tornado modus operandi do Ministério da Saúde. A pasta agiu como se não soubesse da crise de oxigênio em Manaus; o próprio governo federal desmentiu ao STF a narrativa de que a tragédia humanitária na capital do Amazonas era inevitável.

No sábado, o Twitter Brasil teve de colocar um aviso informando que o órgão mentiu em uma postagem do Ministério da Saúde sobre os tratamentos ineficazes contra covid-19.

Com problemas para conseguir seringas, insumos para vacina, doses já compradas e dizer a verdade, o Brasil se mostra no caminho certo para o colapso da saúde. Se a vacina demonstra esperança, a gestão de sua entrega parece um percurso tortuoso e cheio de erros propositais, causados pela negação da ciência e pela disseminação de informações falsas.

Fonte: Press From

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