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Pandemia agrava casos de hipocondria

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A pandemia do novo coronavírus impactou a humanidade. Porém, o problema é ainda mais grave para pessoas que sofrem de hipocondria, que é o quadro em que se tem um medo excessivo e não realista de ter algum sintoma ou condição de saúde que pode ameaçar sua vida e ainda não foi diagnosticado.

Nesses quadros, o hipocondríaco tende a ficar ansioso com a doença, mesmo se nenhuma evidência médica justifique a preocupação ou acreditar que qualquer sintoma simples pode evidenciar um problema terrível.

Não se sabe ao certo porque algumas pessoas desenvolvem a hipocondria e essa preocupação excessiva com sua saúde e o risco de estar com alguma doença muito grave. No entanto, de acordo com a psicóloga Milena Oliveira, acredita-se que o tipo de personalidade, a experiência de vida e questões hereditárias estejam envolvidas no distúrbio.

– A hipocondria atinge igualmente homens e mulheres e normalmente aparece no início da vida adulta, apesar de poder se desenvolver em qualquer idade. Algumas situações podem aumentar a chance de uma pessoa desenvolver hipocondria como o histórico de uma doença séria na infância, ter convivido com familiares ou conhecidos portadores de uma doença grave, a morte de um ente querido, entre outros traumas envolvendo a saúde – explica a psicóloga.

Uma pessoa com hipocondria costuma apresentar comportamentos como ter um medo intenso ou ansiedade prolongados de ter uma doença grave, procurar médicos repetidamente ou fazer exames complexos com frequência, como ressonâncias magnéticas e ecocardiogramas sem necessidade, entre outros. Esse é o caso da dona de casa Marina Silva. Em função da sua preocupação constante com a saúde, ela montou uma mini farmácia em casa.

– Eu somatizo tudo. Basta alguém falar que está sentindo alguma coisa que eu começo a sentir também. Na minha cabeça eu já tive covid-19 umas cinco vezes, mesmo tendo feito vários testes e todos eles darem negativo. Sei que é errado, mas eu me automedico, tenho uma mini farmácia em casa – contou.

A psicóloga alerta para o risco de não buscar tratamento médico.

– Ter preocupação com a própria saúde é normal e importante para evitar futuras doenças. É normal também ficar ansioso quando se tem algum sintoma cuja causa o médico não consegue identificar claramente.

Essa preocupação só se torna um problema quando a ideia de estar com uma doença séria consome você, mesmo que você já tenha feito exames apropriados e seu médico tenha assegurado que o problema é simples ou mesmo inexistente. Nesses casos, considere buscar ajuda de um psiquiatra ou psicólogo. É comum que alguém de sua família ou mesmo um profissional de saúde que o atenda dê esse conselho, caso perceba que sua preocupação com a saúde é desproporcionalmente alta – orienta Milena.

O diagnóstico da hipocondria, em geral, envolve primeiramente um exame físico, em que o médico irá verificar se o paciente realmente tem alguma anomalia. Além disso, o médico fará uma avaliação psicológica, conversando sobre os sentimentos e comportamentos do paciente. Testes de laboratórios podem ser feitos, para verificar a função da tireoide e também se há uso abusivo de álcool e drogas.

Os critérios de diagnóstico da hipocondria, de acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V), são:

Preocupação por cerca de seis meses ou mais em ter uma doença série, baseada em sintomas corporais

Ansiedadec om essa preocupação

Dificuldades na vida social, trabalho e na rotina diária, por conta dessa preocupação ou sintomas.

 Tratamento de Hipocondria

O tratamento para hipocondria tem diversas abordagens. A primeira é a psicoterapia, e a metodologia mais usada é a psicologia cognitiva-comportamental. Essa abordagem permite ao paciente reconhecer as causas de seu comportamento ansioso e ensina formas de parar com ele. Além disso, é importante que o paciente aprenda mais sobre a hipocondria, até para saber melhor como lidar. Essa educação sobre o quadro também é importante para a família do paciente, indica a psicóloga.

– Em alguns casos, medicamentos também podem ajudar. Principalmente os antidepressivos da classe dos inibidores seletivos de recaptação de serotonina ou antidepressivos tricíclicos. Muitas vezes, tratar comorbidades, como ansiedade e depressão, também ajudam no quadro.

Não há formas conhecidas de se prevenir a hipocondria. Mas tratar o problema desde cedo faz com que a recuperação seja melhor e os impactos na vida cotidiana sejam menores – conclui.

Fonte: Jornal Diário de Petrópolis

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