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Delegado e profissional de saúde discutem sobre ‘xepa’ da vacina contra Covid-19 no DF

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Um vídeo gravado durante o fim do expediente da vacinação contra a Covid-19 (assista acima), na Unidade Básica de Saúde do Lago Sul 01, no Distrito Federal, mostra uma discussão entre um delegado da Polícia Civil e um profissional de saúde sobre a aplicação da “xepa” da vacina – doses remanescentes.

Uma circular da Secretaria de Saúde orienta que os imunizantes que sobrarem após a abertura podem ser aplicados em profissionais da segurança pública que atuam na linha de frente no combate ao novo coronavírus, como policiais militares que escoltam vacinas ou aqueles que fiscalizam aglomerações (veja detalhes abaixo). A imunização desses servidores começa nesta segunda-feira (5).

 

Na gravação, no entanto, feita por volta das 17h do último dia 31 de março, o delegado – que não teve a identidade divulgada – alegava prioridade no recebimento da dose, entretanto, o servidor afirmou que as doses que sobraram deveriam ser dadas aos PMs.

  • Delegado: “Isso aí é uma interpretação do senhor”.
  • Servidor: “Esse pessoal tem prioridade de ser vacinado…”.
  • Delegado: “A gente está junto com a PM todo dia no toque de recolher, inclusive eu estou também”.
  • Servidor: “Quem está aqui com a gente todos dias, escoltando as vacinas, trazendo, levando, é a Polícia Militar do Distrito Federal. Quem está fazendo a segurança nossa aqui todos os dias é a PM”.
  • Delegado: “Vou perguntar aqui aos colegas policiais militares: a Polícia Civil está ou não está no toque de recolher todos os dias? Todo mundo está no toque de recolher. Eu abordei 40 pessoas, cara, na quinta-feira. Tá doido?”

G1 entrou em contato com a pasta de Saúde e aguardava um posicionamento até a publicação dessa reportagem. Já a Polícia Civil informou que “não vai se manifestar a respeito do ocorrido”.

Em nota, o Sindicato dos Delegados de Polícia do DF manifestou indignação pelo tratamento dado ao colega e disse que a atitude do enfermeiro estava “em desacordo com o plano divulgado pela Secretaria de Saúde”.

“É lamentável ver profissionais da Segurança Pública lutando pelas sobras de vacinas diárias, vulgarmente chamadas ‘xepas’, enquanto profissionais de outras áreas, também incluídos no plano de vacinação, apenas precisam comprovar a condição por meio de seus registros nos respectivos conselhos profissionais, sem a necessidade de comprovarem que estão na linha de frente do combate ao Covid-19 ou exercendo a profissão”, diz trecho do comunicado.

Outro caso

Na última quinta-feira (1º), uma outra confusão envolvendo a “xepa” da vacina foi registrada no DF, dessa vez no posto de vacinação do Jardim Mangueiral, em São Sebastião.

Segundo relato da equipe de vacinação, um outro delegado da Polícia Civil, de 40 anos, fez ameaças para ser vacinado.

A enfermeira registrou um boletim de ocorrência na delegacia. A profissional contou que o delegado “criou tumulto no fim do expediente, afirmando, equivocadamente, que a Secretaria de Saúde liberava doses remanescentes para todos os profissionais de Segurança Pública, como se não existisse preferência”.

Segundo o relato, o policial estava “muito nervoso, gesticulava, falava alto, e ela se sentiu intimidada, acuada”. Ele, de acordo com a servidora, pediu o nome completo e a matrícula e disse que abriria uma “ouvidoria contra ela, pois estava escolhendo quem queria vacinar”. O G1 não conseguiu contato com o delegado.

“A sensação era de coação: ‘ou me vacina, ou abro procedimento contra você‘. A pressão do delegado foi tão grande que os outros nove policiais fizeram um ”paredão’ para observar incrédulos a situação, mas não falaram nada”.

A servidora contou ainda que se sentiu “tão assediada e intimidada” que pediu a ele que desse a voz de prisão. Ele, no entanto, teria dito que não tinha motivo para prendê-la, mas que iria abrir o processo na Ouvidoria.

“Qual o sentido de ameaçar com abertura de queixa em ouvidoria, intimidar uma mulher no exercício da profissão e função?”, questionou a profissional de saúde.

O que diz a Secretaria de Saúde

Uma circular da pasta, que começou a valer no dia 29 de março, determina que as doses remanescentes de vacina contra Covid-19 sejam usadas nos profissionais das forças de Segurança Pública do Distrito Federal que atendem os seguintes critérios:

  • Aqueles que exercem atividades de rua e prestam serviços essenciais, como apoio nas fiscalizações no combate a aglomerações, nas distribuições e escoltas das vacinas;
  • Que atuam na segurança e manutenção da ordem nos postos de vacinas, na organização dos pontos de drive-thru e nos atendimentos pré-hospitalares;
  • Que estejam em serviço, prestando apoio na segurança local nos minutos finais que antecedam o término das atividades de todos os postos de vacinas contra Covid-19, seguindo sempre a ordem de prioridade por idade desses profissionais.

A funcionária contou que foi intimidada por quatro policiais federais, que queriam ser vacinados com doses que sobraram. “Eles foram bem incisivos, disseram que não iam sair da fila“, disse.

“Um policial militar da ronda, muito prontamente, acho que depois de muito conversar, convenceu-os a irem embora. Mas foi uma situação bem constrangedora e de desrespeito com a população e com os grupos prioritários que estavam na fila.”

Fonte: G1

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