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Coquetel Regen-Cov contra covid-19 é eficaz, diz farmacêutica

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A empresa norte-americana Regeneron Pharmaceuticals divulgou ontem resultados positivos de Fase 3 de um coquetel para reduzir as possibilidade de contrair a covid-19, desenvolvido em parceria com a suíça Roche. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) informou que recebeu no dia 1º o pedido para uso emergencial do coquetel Regen-Cov e dará parecer em até 30 dias. Para fazer a avaliação, utilizará o relatório técnico emitido pela autoridade americana Food and Drug Administration (FDA) além os dados apresentados no processo pela farmacêutica.

O novo estudo utiliza a combinação dos medicamentos (chamados anticorpos monoclonais) casirivimab e imdevimab para evitar casos sintomáticos entre pessoas que moram na mesma residência que os diagnosticados com o coronavírus. Segundo o laboratório, uma dose da combinação (chamada Regen-Cov) administrada por injeção subcutânea pode reduzir em 81% o risco de a pessoa desenvolver um caso sintomático. Os demais participantes do estudo tiveram sintomas leves e com permanência menor, por até cerca de uma semana (ante as cerca de três semanas de sintomas identificadas em quem recebeu o placebo).

“Esses dados sugerem que o Regen-Cov pode complementar estratégias de vacinação, particularmente para aqueles com alto risco de infecção. É importante ressaltar que, até o momento, Regen-Cov demonstrou in vitro reter sua potência contra as variantes emergentes (como as identificadas inicialmente em Manaus e no Reino Unido, por exemplo)”, disse o médico Myron Cohen, que lidera o estudo e é diretor do Instituto de Saúde Global e Doenças Infecciosas da Universidade da Carolina da Norte (EUA).

“Se autorizada, a administração subcutânea conveniente de Regen-Cov pode ajudar a controlar surtos em ambientes de alto risco, nos quais os indivíduos ainda não foram vacinados, incluindo famílias e ambientes de vida em grupo”, completou a farmacêutica, em seu informe. O coquetel está liberado para uso em caráter emergencial nos EUA desde novembro para pacientes com ao menos 12 anos e 40 quilos, tendo sido utilizado no tratamento do ex-presidente Donald Trump. Segundo a fabricante, ensaios clínicos em diferentes ambientes continuarão, incluindo um voltado a pacientes hospitalizados, no Reino Unido.

A farmacêutica bioquímica e pesquisadora da Universidade de São Paulo (USP) Laura de Freitas disse que é necessário aguardar o resultado consolidado do estudo para tirar conclusões. Mas a expectativa dela é de que o medicamento seja inviável financeiramente para controle de uma pandemia. “É um medicamento de anticorpos monoclonais. Ele é feito com o clone de células, sempre em laboratório. Geralmente são medicamentos caros. As informações que encontrei é de que custaria cerca de ? 2 mil (R$ 13,6 mil).”

Na opinião dela, se confirmada a eficácia, poderá ser utilizado em contextos específicos. “Por exemplo, há um caso de uma pessoa contaminada em uma empresa. A empresa tem dinheiro e paga o medicamento para quem está exposto.”

O medicamento também só foi testado no controle pós-contato. “Não dá para afirmar que a pessoa vai tomar e poder sair na rua. Não tem poder de substituir a vacina. Ele é eliminado do corpo, não fica como proteção duradoura. Ele poderá ser usado em alguns contextos.”

Esse não é o único coquetel que está em fase de análise pela Anvisa. A agência analisa desde o dia 30 o pedido de uso emergencial de um medicamento para tratar covid-19 da empresa Eli Lilly do Brasil Ltda. O coquetel tem função semelhante e é uma combinação dos medicamentos biológicos banlanivimabe e etesevimabe.

Fonte: O Liberal

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2021/04/13/farmaceutica-americana-regeneron-anuncia-sucesso-em-teste-de-medicamento-contra-covid/

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