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A boa saúde das farmácias

Redes celebram o bom momento para o setor e investem em pontos físicos, transformação digital e, claro, jornada do consumidor.

 

Por Ana Carolina Nunes

 

Em um intervalo de quatro anos, as farmácias e drogarias abriram mais de 2 mil novas lojas no País, indo na contramão da previsão de que as lojas físicas estariam com os dias contados. No ano passado, as 24 redes vinculadas à Abrafarma (Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias) faturaram R$ 44,41 bilhões, um crescimento de quase 9% em relação a 2016, que, por sua vez, já havia registrado 11% de acréscimo no faturamento. As contratações feitas pelas redes também foram 9,29% maiores. Esses dados refletem 45% do faturamento do setor, que registra mais de 76 mil farmácias no País.

 

Esses números se dissociam do mercado brasileiro em geral, que, nos mesmos quatro últimos anos, vem sofrendo com um PIB que se estica para ultrapassar o 1% em meio à falta de trabalho para quase 13 milhões de pessoas e a instabilidade política.

 

Os primeiros seis meses de 2018 indicam que o setor manterá́ sua trajetória ascendente, tendo registrado aumento de 7,54% em relação ao mesmo período do ano passado, enquanto a média do varejo foi de 3,1%, segundo a Boa Vista SCPC. De acordo com a Abrafarma, os remédios isentos de Prescricao médica – conhecidos pelas siglas MIPs/OTCs – foram os principais responsáveis pelo resultado. Com faturamento superior a R$ 3,5 bilhões, essa categoria teve um avanço de 15,42% e representou 16% das vendas totais.

 

Na avaliação da Abrafarma, o aumento da quantidade de farmácias é reflexo de uma busca crescente dos brasileiros por mais qualidade
de vida e estar bem consigo mesmos. “É uma questão dos tempos modernos. O Brasil está envelhecendo e o sistema de saúde público não consegue absorver tanta demanda em um território imenso”, afirma, em nota, Sergio Mena Barreto, presidente-executivo da associação.

 

Para superar os 10% de crescimento em 2018, a Abrafarma aposta na boa gestão de estoques, para evitar ruptura e capturar vendas a partir do lançamento de produtos inovadores que venham a conquistar os consumidores. Barreto também credita o resultado aos investimentos realizados em inovação.

 

Transformação Digital

Um exemplo de inovação no setor está na recém-reinaugurada flagship da Onofre CVS Pharmacy, na Avenida Paulista, em São Paulo. A loja conta com um robô que automatizou a gestão de armazenamento, distribuição, manipulação e separação de medicamentos. À unidade também foi incorporado o conceito omnichannel. É possível fazer pedidos pelos totens disponíveis na loja ou retirar os feitos pelo site. Todos os atendentes podem finalizar a compra do cliente em qualquer espaço da loja, o que poupa a fila nos caixas, que ainda existem no modelo tradicional, para aqueles que preferem essa opção. Também é possível fazer o fechamento da compra nos totens para self-checkout.

 

“A nossa estratégia é reinventar a farmácia. Esse misto de
formas de pagamento, automático, móvel ou tradicional, já mostrou melhoria no tempo de atendimento de 60%. Esse tempo que a
gente economiza, nós estamos na frente do cliente fazendo o que realmente importa, que é orientar a gestão do tratamento”, explica a CEO da Onofre CVS Elizangela Kioko, que revela, ainda, que os meios digitais já representam mais de 75% dos pagamentos da loja.

 

A omnicanalidade e a transformação digital também fazem parte de outra gigante farmacêutica, o Grupo DPSP – Drogarias Pacheco e Drogaria São Paulo. Além de expandir sua presença física na velocidade de 100 novas lojas este ano, que se somam às 1.300 existentes, o plano estratégico da rede inclui o uso de inteligência artificial para a integração dos diferentes canais – app, lojas físicas, e-commerce e televendas. Outra estratégia foi o investimento em uma marca própria, a Ever Care, que oferece produtos a preços mais atraentes, e a parceria com o portal do Dr. Drauzio Varella para divulgação de informação sobre saúde. “Estamos investindo tanto nas lojas físicas como no e-commerce. Nosso objetivo é trabalhar constantemente para oferecer sempre a melhor experiência de compra aos nossos clientes, em todos os nossos canais. Entendemos que isso se alcança com conveniência, inteligência, personalização e com soluções efetivas para a saúde e o bem- estar das pessoas em tempo integral”, afirma o presidente da rede, Marcelo Doll.

 

Cuidados

Assim como a digitalização, outra inciativa significativa da Onofre CVS é a Onofre Clinic, espaço para serviços básicos como acompanhamento à gestante, aplicação de vacinas, aferição de pressão, teste de glicemia, entre outros. Segundo a Abrafarma, este tipo de serviço é uma forte tendência e um dos pilares que sustentam a expansão dos pontos físicos farmacêuticos.

 

Um levantamento da Associação apontou que o número de estabelecimentos com salas de serviços farmacêuticos – ou care centers – quase triplicou nos últimos 12 meses, de 605 para 1.670, ou 176% de crescimento. Até o fim de 2018, a projeção da entidade é chegar a 2.100 espaços
desse tipo.

 

“As grandes redesde farmácia têm olhado para o futuro, profissionalizando cada vez mais sua gestão, unindo esforços e conhecimentos”, avalia Mena Barreto.

 

Histórico de crescimento do número de lojas

2017  – 7.240

2016  – 6.763

2015  – 5.964

2014  – 5.570

2013  – 5.085

Fonte: Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias – Abrafarma

 

A Drogarias Pacheco São Paulo se mantém há sete anos em segundo lugar em faturamento. É seguida pela Farmácias Pague Menos, que ocupa a terceira colocação há seis anos.

 

Número de farmácias é o foco no trabalho de gestão, diz a Abrafarma, procurando diversificar o mix de produtos e garantir a oferta de produtos e uma experiência melhor de compra para um cliente cada vez mais exigente.

 

Variedade e ofertas

Mix de produtos e ofertas é uma das estratégias da Raia Drogasil, maior varejista farmacêutico do Brasil e da América Latina, com mais de 1.700 lojas. “Oferecemos um estoque completo em medicamentos e uma variedade de produtos para saúde, beleza e bem-estar do mercado com mais de 14 mil itens”, afirma Marcílio Pousada, presidente da rede que, visivelmente, pelo menos na cidade de São Paulo, vem expandindo sua presença física. “Vamos abrir 240 unidades até o fim deste ano, com a previsão de mais 240 lojas em 2019. Mas, além das filiais, que nos dão a maior capilaridade do varejo no País, estamos apostando em um modelo de varejo que integre as lojas físicas e os canais digitais.

 

Valorizamos muito as lojas físicas, mas sabemos que, cada vez mais, é o cliente quem vai escolher como será sua jornada de compra: na loja, no site, pelo celular via aplicativos ou pelo Compre e Retire”. Ainda de acordo com a rede, na opção pelo Compre e Retire, disponível em todas as unidades, o cliente pode buscar os produtos na loja escolhida até uma hora depois da compra, sem pagar frete. “É a maior operação logística deste tipo no Brasil”, orgulha-se Marcílio.

 

Distribuição

Logística, aliás, é um dos pontos sensíveis do varejo farmacêutico. Por este motivo, esclarece a Abrafarma, muitas redes acabam investindo fortemente em sistemas e centros de distribuição próprios para evitar rupturas. “Existem operações especiais, como o caso dos termolábeis, produtos que precisam sair dos CDs e chegar nas lojas a uma temperatura que varia entre +2° e +8°. Sabendo da dificuldade das rodovias, esses pontos se tornam ainda mais críticos e tornam a logística da companhia um grande diferencial”, relata Felipe Augusto Costa Borges, coordenador logístico da Pague Menos.

 

A rede, com 55% de suas unidades na Região Nordeste do País, encerrou o primeiro semestre de 2018 com 74 novas unidades, totalizando 1.141 lojas, um crescimento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado. Além das novas lojas, a Pague Menos também está investindo na modernização das unidades veteranas,  56 ao todo. São Paulo foi o Estado que mais recebeu novos pontos. “Estamos priorizando pontos comerciais com mais visibilidade e

acessibilidade, como esquinas e locais com maior número de vagas
de estacionamento, que proporcionem amplo espaço para a área de vendas e exposição de produtos”, diz o diretor de expansão, Gean Mark.

 

Marcando território

São Paulo também testemunha a chegada de outro player, desta vez, vindo do extremo oposto do território. A Panvel, do Grupo Dimed, já bem consolidada na Região Sul do País, inaugurou cinco unidades em pontos nobres da capital paulista entre 2017 e 2018. O plano de expansão da marca contempla 40 novas farmácias em diferentes cidades até o fim deste ano, totalizando 439.

 

A Panvel chega aos novos pontos com a fama de ter sido a primeira varejista farmacêutica a oferecer a possibilidade de compra por meio do bate-papo do messenger no Facebook, sendo a rede hoje a principal forma de contato dos clientes com a marca.

 

A varejista também prevê ampliar para todas as unidades o sistema de clique e retire dos lockers inteligentes, já oferecido nas unidades no Rio Grande do Sul. Além da omnicanalidade, a Panvel ainda se destaca ao oferecer uma variedade de opções de pagamento: seja por aproximação do cartão de crédito, seja por gadgets como braceletes, smartwatch, adesivo ou app. “O fortalecimento da cultura digital permeia toda essa estratégia em que o consumidor está no centro. São as suas necessidades, bem como o seu comportamento, que ditam os nossos passos”, afirma o presidente do Grupo Dimed, Julio Mottin Neto.

 

Mais que remédios

Dados da Abrafarma mostraram que a venda dos não medicamentos, como itens de higiene, cosméticos, perfumaria e conveniência, respondeu por R$ 7,13 bilhões do faturamento total das redes, ou 6,37%. Walter Cardozo, CEO da Netfarma, segue o que apontam esses números sobre o setor. “A primeira coisa que enxergamos é que o crescimento em volume do mercado de saúde e beleza tem sido muito mais amplo”.

 

O mesmo movimento se deu na Drogaria Iguatemi (DI). “Vendemos 30% de medicamento e 70% de perfumaria. O nosso modelo de loja foi todo baseado na Story, em Nova York. Temos uma mesa de beauty com uma ampla gama de equipamentos e produtos de beleza, como secadores, escovas e limpadores faciais. Temos produtos exclusivos que as outras não têm”, explica Karina Diniz Jorge, sócia-diretora do Grupo DI. Karina não abre os números exatos, mas diz que o crescimento do Grupo foi de dois dígitos em 2017 com projeção de ser ultrapassado este ano.

 

O Grupo DI e a Netfarma também compartilham outra estratégia. Ambas não terão esforços na expansão física. “Pensamos mais em expandir o e-commerce e mostrar para o consumidor o potencial que ele tem. O canal que mais cresce é o e-commerce. Então vemos uma superoportunidade aí. Não vou dizer que não acredito na expansão da loja física, mas não para o meu tipo de negócio”, diz Karina. “Vamos manter o foco exclusivamente no e-commerce. Não pretendemos ter loja física, mas queremos omnicanalidade. Até o início de 2019, vamos nos lançar como um marketplace de saúde e beleza. Vai ser o primeiro marketplace relevante desse segmento no Brasil”, revela Walter, que conta estar investindo R$ 20 milhões no projeto. Além disso, a Netfarma está alinhando parcerias com varejo físico, como academias e cafeterias, para serem pontos de retirada das compras pelo site, serviço que deve estar em operação já em outubro em cerca de 2 mil locais no Sul e Sudeste do País.

 

As Independentes

Entre as redes menores, representadas pela Febrafar (Federação Brasileira das Redes Associativistas e Independentes de Farmácias), o cenário também é de otimismo. O faturamento no primeiro semestre de 2018 das 55 redes representadas pela federação, que somam 9.800 lojas, aumentou 19% em relação ao mesmo período de 2017. Em números absolutos, o crescimento passou de R$ 5,36 bilhões para R$ 6,38 bilhões.

 

Genéricos

O comércio geral de medicamentos totalizou R$ 15,64 bilhões, um aumento de 8,08% em relação aos seis primeiros meses do ano passado. No primeiro semestre, o segmento de genéricos movimentou R$ 2,63 bilhões, um crescimento de 4,67% sobre o primeiro semestre de 2017. Ao todo, foram vendidas mais de 169 milhões de unidades.

 

Histórico Faturamento

2017 R$ 44,41 bilhões – crescimento de 8,96% 2015 R$ 35,94 bilhões – crescimento de 11,99% 2013 R$ 28,70 bilhões – crescimento de 13,84%

2016 R$ 39,46 bilhões – crescimento de 11,03%

 

2014 R$ 32,38 bilhões – crescimento de 12,81%

 

2012 R$ 25,06 bilhões – crescimento de 16,01%

 

Quando o estudo da Abrafarma analisa o faturamento por lojas, nenhuma das maiores redes lidera o ranking. A primeira colocação fica com a Drogaria Venancio (RJ), seguida da Drogaria Araujo (MG) e A Nossa Drogaria (RJ) – cujas posições permanecem inalteradas desde 2015. O levantamento também destaca o crescimento em faturamento da rede Extrafarma, que subiu da sétima para a sexta colocação. A Panvel permanece como a quinta rede em número de lojas, mas saltou do oitavo para o sexto lugar em número de atendimentos.

Fonte: NovoVarejo

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