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A complexa equação para recuperar a indústria brasileira

O ano de 2018 ainda não chegou ao fim e já é visto pela indústria como perdido. Dados do IBGE referentes a agosto e divulgados em outubro mostram que a produção industrial brasileira está 14,3% mais baixa do que o pico de maio de 2011.

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Mesmo com as incertezas do cenário eleitoral, havia uma expectativa de que 2018 se tornasse um ano positivo. Ainda que os números dos últimos meses indiquem recuperação, especialmente após o baque sentido pela greve dos caminhoneiros, deflagrada em maio deste ano, os resultados ainda estão abaixo do esperado.

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A indústria brasileira precisa de previsibilidade para crescer, com o estado reduzindo custos, incrementando a infraestrutura e aumentando a possibilidade de participações no cenário internacional. Porém, também não é possível apenas terceirizar a responsabilidade ao poder público, visto que a indústria precisa aumentar a sua eficiência interna se quiser ser mais competitiva.

Nesse contexto, os números de participação da indústria no Produto Interno Bruto (PIB) estão cada vez menores – muito próximos aos patamares da década de 1950. Na última década, a participação da indústria no PIB saiu de 23,13% em 2007 para 19,36% em 2017, conforme dados do IBGE. Entre os anos 1990 e 2000, a indústria brasileira teve uma média de crescimento de 1,8%; entre 2000 e 2016, esse índice foi de 0,3%.

O presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, considera que a burocracia, os tributos elevados e a falta de infraestrutura interferem diretamente no rendimento das indústrias. “Algumas burocracias instaladas em segundos ou terceiros escalões do governo acabam criando dificuldades, que interferem diretamente no rendimento”, diz, citando como exemplo a obtenção de licenças ambientais.

Outro ponto é a corrupção. “Em algumas circunstâncias, os agentes políticos e públicos dificultam para terem facilidades. As empresas sérias não se corrompem e acabam esperando um trâmite normal e burocrático”, diz.

Custo Brasil

O chamado Custo Brasil, diferença entre os custos de produção no Brasil e em outros países, é entendido como um entrave para todas as manufaturas. De acordo com o presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, a entidade apresentou uma série de propostas aos candidatos à presidência, visando mais segurança jurídica e a redução de custos, bem como demandas específicas do segmento, como o redesenho da Lei da Informática.

Além das reformas Tributária, Trabalhista e da Previdência Social, há uma demanda pela promoção da manufatura avançada, com o aumento de patentes analisadas, mais crédito para investimentos em pesquisa e mais acordos de cooperação internacional, que fomentem a exportação, especialmente para mercados ainda fechados aos produtos brasileiros – o que facilitaria o aumento da competitividade e da representatividade da indústria brasileira.

Presidente-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos (Sindusfarma), Nelson Mussolini cita outros problemas, como a dificuldade de processamentos em portos e aeroportos, assim como aspectos de segurança, como os roubos de carga.

Representatividade internacional

As dificuldades sentidas refletem na participação do Brasil no mercado internacional. Levantamento da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) aponta que a participação do Brasil nas exportações de manufaturados globais saiu de 0,59% em 2015 para 0,61% em 2017 – mesmo índice de 2016.

Por outro lado, se levarmos em conta o valor adicionado mundial de manufaturados, a representatividade caiu de 2,32% (2015) para 1,98% (2017). Esse descolamento apenas confirma a dificuldade vivida pela indústria nacional na competitividade com outras indústrias mais robustas, como as da Alemanha, Japão, China e Estados Unidos.

Embora ainda seja a 9.ª maior nação em volume industrial, o país está descendo em todos os rankings globais. Outro levantamento da Unido mostra que o Brasil caiu da 31.ª para a 36.ª colocação em termos de importância global. O mau resultado do país acaba puxando para baixo o desempenho de toda a América Latina.

Em termos de competitividade, a situação também é negativa. Entre 2017 e 2018, o país perdeu três colocações em um ranking elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, saindo do 69.ª posição para o 72.º lugar. Mussolini, do Sindusfarma, afirma que a receita para o seu segmento – e para os demais – deve ser o contínuo investimento em inovação e na conquista de novos mercados no Brasil e no exterior.

“No caso do ambiente de negócios do mercado farmacêutico, seguimos reivindicando a urgente modernização da regulamentação de preços de medicamentos, pois uma correta regulação é fundamental para criar as condições para que as indústrias instaladas no Brasil invistam mais em inovação radical e incremental, a exemplo do que se dá nos Estados Unidos”, diz.

Reformas e produtividade são os ingredientes básicos para a recuperação da indústria

Para Campagnolo, da Fiep, a realização de reformas pode fazer com que o Brasil se torne mais competitivo. “A reforma trabalhista vai minimizar um pouco esse impacto, assim como a reforma tributária pode trazer um cenário melhor para as empresas nos próximos anos”, diz. Uma pesquisa da Thomson Reuters, por exemplo, aponta que 89% dos empresários brasileiros consideram a gestão de impostos complexa no país, o que demanda mais custos e exige mais tempo para estar em conformidade com a lei.

Outro ponto a ser atacado, neste caso tanto pelo estado quanto pelas indústrias, é a produtividade dos funcionários. Em um ranking elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com 18 países, o Brasil ocupa a penúltima colocação à frente apenas da Argentina. “Em uma comparação entre a produtividade de um funcionário de uma indústria brasileira e de um alemão, coreano ou chinês, é como se saísse da água para o vinho”, analisa Campagnolo.

De acordo com o presidente da Fiep, as indústrias encontram dificuldade para encontrar colaboradores capacitados para lidar com cálculos matemáticos e inglês – já que grande parte dos equipamentos conta com display apenas nesta língua. “A falta de mão de obra qualificada e de uma base qualificada é um entrave muito grave que os próximos precisa ser atacado”, acrescenta.

Campagnolo cita os Institutos Senai de Tecnologia (IST) e de Inovação (ISI) como uma iniciativa do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) que atua em três frentes para que as indústrias façam a sua lição de casa: educação profissional, tecnologia e inovação. Nascidos em 2013, existem 56 ISTs no Brasil – 7 deles no Paraná, assim como 26 ISIs no Brasil – 2 no estado.

Os ISTs visam prestar consultoria às indústrias na disseminação de tecnologias já existentes e em busca da melhora do processo produtivo. Os ISIs, por outro lado, focam em pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias. A melhoria dos processos internos, a redução de custos e a busca por mais eficiência, conforme Campagnolo, foram caminhos buscados pelas fábricas de forma natural desde o início da crise brasileira, em 2014.

Maior intensidade tecnológica

Além de um cenário negativo interno e em escala global, avaliações do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) mostram que a trajetória cadente do país reflete, de forma mais grave, nos setores de maior intensidade tecnológica.

Baseado em dados da Unido, o Iedi constatou que entre 2005 e 2016, a maioria das economias em desenvolvimento viveu um ponto positivo no valor adicionado das indústrias de média e alta intensidade tecnológica. A exceção está justamente no Brasil. Essa relação caiu de mais de 50% em 1995 para cerca de 34% em 2000, mantendo-se praticamente estável desde então.

Mussolini, do Sindusfarma, ressalta que os setores de média e alta intensidade são os mais afetados pelo Custo Brasil devido aos investimentos necessários para sua operação. “Por exemplo, a indústria farmacêutica sofre com a morosidade do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) em conceder registros de patentes, fato que retarda a distribuição de medicamentos inovadores para a população brasileira”, critica.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Humberto Barbato, afirma que a queda de desempenho das fábricas de média e alta intensidade tecnológica se deve à crise da economia brasileira.

“Houve um grande abalo no consumo interno de produtos como celulares e computadores. Na indústria, a diminuição de projetos de automação, por exemplo, foi muito forte. Ao mesmo tempo, esse segmento perdeu espaço no cenário externo em decorrência da forte competição chinesa e pelo real valorizado que persistiu por anos”, analisa Barbato.

Competitividade

Confira os fatores que afetam a competitividade da indústria brasileira:

– Disponibilidade de mão de obra;

– Disponibilidade e custo de capital;

– Infraestrutura e logística;

– Peso dos tributos;

– Ambiente macroeconômico;

– Ambiente microeconômico;

– Nível educacional da população;

– Tecnologia e inovação;

Fonte: Gazeta do Povo

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