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‘Caminho do Congresso pode ser nefasto para a economia’, diz Frederico Trajano

O empresário Frederico Trajano, presidente do Magazine Luiza, uma das maiores varejistas do país, está “moderadamente otimista” com os rumos do país e da economia. Otimista em razão do avanço da vacinação -que tardou, mas enfim está chegando a todo o Brasil.

Mas o “moderado” é pelo incômodo com a maneira que as reformas vêm sendo conduzidas, especialmente o que ele chama de “minirreforma política”. Nesta semana, a Câmara rejeitou o distritão -modelo que enfraquece os partidos e dá destaque a candidaturas personalistas-, mas aprovou a volta das coligações partidárias (que permite a união de partidos em um único bloco para a disputa das eleições e favorece os “partidos de aluguel”, sem ideologia).

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“Se aprovado, será um retrocesso eleitoral muito grande”, afirma Trajano, em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo.

“Tem várias outras questões que precisam ser mais bem discutidas com a sociedade, como o teto dos gastos. Se o caminho tomado pelo Congresso for ruim, isso pode ter um efeito nefasto para a economia. Podemos perder uma bela oportunidade de termos uma recuperação muito sólida, que o Brasil tem todas as condições de ter.”

Trajano foi um dos signatários de um manifesto contra as investidas autoritárias do presidente Jair Bolsonaro, assinado por empresários, intelectuais e representantes da sociedade civil na semana passada.

Pergunta – Em março, o sr. disse que não havia boas perspectivas para os próximos meses na economia e na política no Brasil. A sua opinião continua a mesma?

Frederico Trajano – Naquele momento, estava me referindo principalmente à vacinação. A gente estava com uma indefinição em relação ao programa de vacinação e com a possibilidade de haver novos lockdowns, o que aconteceu de fato. A minha previsão se materializou.

A gente já tinha fechado lojas em fevereiro e março, depois de uma segunda onda [de Covid-19] muito forte. Mas o quando o Brasil está para cair, chegar ao fundo do poço, consegue sair. Até com a ajuda da iniciativa privada, como o Unidos Pela Vacina, com a mobilização de algumas autoridades políticas, a gente conseguiu acelerar o cronograma de vacinação e estamos em uma situação muito mais confortável. São mais de 100 milhões com a primeira dose, mais de 20% com a imunização completa. Conseguimos sair daquela situação desesperadora, mas a situação atual ainda exige cuidados.

P. – Por quê?

FT – Tem a variante delta, e ela está atingindo países em que mais de 50% da população está com a segunda dose da vacina, onde a transmissão apresenta alta significativa. Temos que acelerar ainda mais a vacinação e cobrar das autoridades que isso aconteça rápido -não só a primeira como a segunda dose.

Foi gasto muito tempo com questões eleitorais. Mas tem outras questões muito importantes em curso: reforma tributária, uma minirreforma política, o distritão e a volta das coligações partidárias. Eu continuo achando que o momento exige cuidado, atenção e, muito mais do que isso, proatividade, não só dos empresários mas de todos os cidadãos, em relação a exigir das autoridades decisões acertadas, que façam a gente se recuperar deste momento de pandemia o mais rápido possível.

P. – O sr. está otimista ou cauteloso?

FT – Estou moderadamente otimista. O meu otimismo advém da aceleração da vacinação. E o moderado porque tem coisas importantes sendo discutidas, que precisam de uma atuação mais forte da sociedade civil, para que o caminho dessas mudanças regulatórias seja positivo.

P. – O sr. se refere principalmente à reforma tributária?

FT – Não só. Tem a discussão sobre o distritão e a volta das coligações. É quase uma minirreforma política que está sendo passada, com pouca atenção da grande mídia, dos empresários. Dependendo do que passar, será um retrocesso eleitoral muito grande.

Tem várias outras questões que precisam ser mais bem discutidas com a sociedade, como a do teto dos gastos. São vários assuntos importantes e pertinentes. Se o caminho do Congresso for ruim, isso pode ter um efeito nefasto para a economia. Podemos perder uma bela oportunidade de termos uma recuperação muito sólida, que o Brasil tem todas as condições de ter.

P. – O Magazine Luiza registrou no segundo trimestre um lucro líquido de R$ 95,5 milhões, revertendo o prejuízo do mesmo período do ano passado, a fase mais aguda da pandemia para o comércio. Mas a fatia do comércio eletrônico no faturamento caiu de 78,5% para 71,6%. O ecommerce está desacelerando?

FT – A maneira mais certa de comparar os dados de 2021 é com o segundo trimestre de 2019. Em 2020, havia dois terços do varejo físico fechado. Todo o mundo que tinha que comprar alguma coisa comprava no ecommerce. A curto prazo, vamos ter uma desaceleração se comparado a 2020. Mas, a longo prazo, você tem uma oportunidade gigantesca, porque só um décimo do varejo é online hoje. Você tem um mercado varejista de R$ 1,2 trilhão, em que só 10% é online.

Tem algumas categorias, como supermercado, em que só 1% está online. Quando se comparam as taxas de penetração do ecommerce do Brasil com países mais desenvolvidos, com mais maturidade digital, a gente ainda está com um terço ou um quarto da participação deles.

Grande parte do crescimento das empresas de varejo brasileiras vai continuar vindo do ecommerce. Do ponto de vista de lojas físicas, dos mais de 7,2 milhões de varejistas, só 100 mil vendem online. Temos uma oportunidade enorme de ajudar essas empresas a se digitalizar.

P. – Na quarta-feira (11), as Americanas anunciaram a compra da varejista de alimentos Natural da Terra, depois de terem sondado a varejista de moda Marisa. São segmentos em que o Magalu elegeu como prioridades para aquisição, ao lado de cosméticos e delivery de comida, certo?

FT – São esses e esportes. Nós temos a missão de digitalizar o varejo brasileiro, ser o seu sistema operacional. Um ecossistema digital completo e multicanal. Temos ambições de crescer em todas as categorias que têm baixa penetração online no Brasil.

Fizemos movimentos como a compra da KaBum!, que está no nicho de games, compramos lá atrás a Nesthoes, de esporte e moda, Época Cosméticos, que hoje é líder em comércio eletrônico de beleza. Temos trabalhado em todas as categorias, inclusive a de mercado [varejo alimentar].

P. – A aquisição do KaBum!, em julho, foi a maior da história do Magalu, R$ 1 bilhão. Agora, com os R$ 10 bilhões em caixa após o “follow-on” [oferta subsequente de ações] no mês passado, tem mais compras no radar?

FT – A gente está entrando em praticamente todos os segmentos do varejo brasileiro. Compramos várias empresas para complementar o nosso portfólio de produtos: várias de tecnologia pura, que ajudam em busca e recomendação, algoritmos, empresas de sistemas, outras que fazem logística, pagamentos, full delivery… temos vários segmentos.

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/canal-farma-ensaia-retomada-dos-eventos-presenciais/ 

Queremos ser um ecossistema digital completo e multicanal. Essa é a nossa estratégia. Queremos ajudar a digitalizar o varejo brasileiro. Temos uma ambição grande, para ajudar a aumentar a taxa de penetração no Brasil. Queremos ser um dos protagonistas desse processo.

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