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Com falta de seringa, diabéticos estão sendo orientados a ‘reutilizar’ material

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Ministério da Saúde prevê possibilidade de reutilização em documento, mas usuários relatam nunca terem recebido essa orientação antes 

Há dez anos, a aposentada Adeilda Barbosa utiliza duas seringas por dia para tratar a diabetes com insulina. Nesse mês, no entanto, recebeu apenas 30. “Pensei que teve algum erro”, conta. Mas, ao contrário do que pensou Adeilda, não houve engano algum. Quando voltou ao serviço de saúde na semana seguinte, ela foi orientada a reutilizar o material. “Voltei lá e falaram assim: ‘então, vou te dar mais 10 [seringas], mas agora a senhora tem que usar uma por dia”, relata. A filha de Adeilda, Fernanda Barbosa, ficou surpresa: “Eu nunca tinha ouvido falar uma coisa dessa. Nunca aconteceu esse tipo de problema.”

O caso de Adeilda não é isolado. Também a doméstica Maria das Graças Conceição está recebendo menos material. Ao invés das 60 seringas usuais, na última vez que usou o serviço de saúde, recebeu apenas 20. “Eu tenho que utilizar, guardar, e utilizar de novo”, diz. “Eu acho um absurdo porque nunca aconteceu isso”, conta. Essa também é provavelmente a realidade de outros usuários. Em junho, a prefeitura de São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, entregou menos seringas e orientou os pacientes diabéticos a reutilizarem os produtos, o que contraria o que está escrito na embalagem do produto.

Ministério da Saúde prevê reutilização  Segundo caderno de educação básica do Ministério da Saúde, apesar dos fabricantes das seringas não recomendarem a reutilização, a bibliografia internacional considera seguro o reúso limitado do conjunto seringa-agulha. Com base nisso, o Ministério considera adequada até oito aplicações de uma mesma seringa pela mesma pessoa. Já uma resolução da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), inclui agulhas com componentes plásticos não desmontáveis na lista de produtos médicos que não podem ser reutilizados.

Não é a primeira vez que essa discussão vem à tona. Em 2013, o Ministério Público do Pará já tinha entrado nessa história e uma decisão da Justiça Federal determinou a suspensão parcial de um trecho do caderno de atenção básica do Ministério da Saúde, retirando a orientação para reutilização de seringas descartáveis por diabéticos. A união recorreu da sentença e ainda não há uma decisão final sobre o assunto.

Para especialistas, reutilização traz riscos Segundo Júlia Kenj, consultora da Sociedade Brasileira de Diabetes, o risco do paciente ter um processo infeccioso ou inflamatório com a reutilização existe. “O fabricante diz que é uso único e ele não te dá a garantia que, ao reutilizar, não há risco”. Fadlo Fraige Filho, presidente da Associação Nacional de Atenção ao Diabetes, e médico endocrinologista diz que a orientação sem dúvida alguma é descartar a seringa. “Primeiro, há risco de infecção do local da aplicação, que fica vermelho e infectado”, diz. “Segundo, pode ocorrer a contaminação do frasco quando se vai retirar a insulina”, detalha.

Fonte: Logística Hospitalar e Saúde

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