O maior canal de informação do setor

Covid-19: Delta pode ter relação com 30% dos novos casos no DF, diz pesquisador

79

Com o resultado do mais recente sequenciamento genético feito pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF), a capital do país identificou mais 38 casos de infecção pela variante Delta da covid-19. A análise foi feita com 126 amostras. Com a atualização, a capital federal tem 125 casos confirmados da nova cepa. De acordo com especialistas, os dados mostram que a Delta pode ser responsável por cerca de 30% dos novos casos de covid-19 e tem rápido potencial de disseminação.

Enquanto a variante avança, a campanha de vacinação contra a covid-19 é ampliada. Na próxima terça-feira (24/8), começa a imunização de adolescentes de 17 anos sem comorbidades. O DF segue em segundo lugar no ranking nacional de vacinação, considerando a porcentagem de pessoas vacinadas com uma dose – 62,91% da população total, ficando atrás apenas de São Paulo, que tem 69,62% da população vacinada com a D1.

As informações foram divulgadas em coletiva, nessa quinta-feira (19/8), no Palácio do Buriti. ‘Desses 125 casos confirmados para Delta, são 75 mulheres e 50 homens. Nós temos 30 casos com idades de 20 a 29 anos, 26 pacientes com 40 a 49 anos e 26 entre pessoas com 50 a 59 anos, sendo essas as faixas etárias com maiores índices de infecções’, destacou o secretário de Saúde, Osnei Okumoto. Ele detalhou que, do total de casos, 31 pacientes estavam imunizados, 25 tomaram uma dose das vacinas e 59 não iniciaram o ciclo vacinal. Os demais casos estão em investigação ou são de pessoas com idade abaixo da apta para a vacinação. Em relação aos óbitos, quatro pessoas morreram por causa da Delta no DF. Outras quatro que estavam infectadas pela cepa também morreram, porém, a causa foi outras doenças prévias.

Na avaliação de Breno Adaid, pesquisador do Centro Universitário Iesb e doutor em administração e pós-doutor pela Universidade de Brasília (UnB) em ciência do comportamento, as projeções mostram que a Delta pode se tornar dominante em pouco tempo no DF. Caso se considere que o quadro divulgado pelo secretário de Saúde retrate a situação real da pandemia, a Delta seria responsável por cerca de 30% dos novos casos (leia Palavra de especialista). ‘O que se pode observar é uma progressão grande da proporção da variante Delta na população, seguindo o mesmo exemplo de outros países onde ela se tornou prevalente na população, acarretando um aumento agressivo no número de novos casos. Esse cenário tende a ser o mais provável, uma vez que já existe transmissão comunitária e estamos seguindo uma progressão da proporção dos casos semelhantes a esses países’, disse.

Ampliação

Durante a coletiva, o secretário-chefe da Casa Civil, Gustavo Rocha, anunciou que, na próxima terça-feira (24/8), os adolescentes de 17 anos sem comorbidades serão incluídos na campanha de vacinação contra a covid-19. Ele explicou que, devido ao número de doses a ser recebido pelo DF no fim de semana, não será possível ampliar a campanha para os menores de 17 anos. Segundo Rocha, o DF espera receber 46.968 doses destinadas para a primeira aplicação no fim de semana e vai utilizá-las para vacinar esse público – estimado em 48 mil pessoas. Na remessa, também virão 18,9 mil vacinas para a segunda dose.

Além disso, o gestor confirmou que cerca de 6 mil doses, que sobraram do atendimento aos adolescentes de 12 a 17 anos com comorbidades, serão remanejadas para atender o novo público-alvo. ‘Das 15 mil vagas abertas para agendamento dos adolescentes com comorbidades, apenas 9 mil cadastraram e 7 mil agendaram. Vamos redirecionar essas doses para outras faixas etárias’, disse Rocha. Ele lembrou que os menores de 18 anos só podem ser vacinados com a Pfizer/BioNTech, uma vez que o imunizante é o único aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para ser aplicado nesse público.

Enquanto o dia da vacinação não chega, os adolescentes sem comorbidades podem ser contemplados pelas doses remanescentes, conhecidas como ‘xepa’. A ansiedade em se vacinar levou, nessa quinta-feira (19/8), muitos pais e jovens à frente das unidades básicas de saúde (UBSs) em busca das sobras. Na UBS 1 do Cruzeiro, a fila chegou a dar a volta em um prédio ao lado da unidade. Por volta das 17h, as mais de 100 pessoas que aguardavam foram informadas de que só havia quatro doses sobrando. Karem Solino, 17 anos, saiu de Águas Claras com o pai, Cláudio Solino, e foi até o local. Porém, não conseguiu ser vacinada. ‘Vamos continuar tentando a xepa, mesmo com a certeza de que serei contemplada oficialmente na próxima semana’, relatou a estudante.

A recomendação do GDF, porém, é contrária. ‘O ideal é que as pessoas esperem o momento em que serão oficialmente incluídas na campanha. Não costuma sobrar muita xepa e eles (adolescentes) só foram incluídos agora para que não haja desperdício’, explicou Rocha durante a coletiva. Até o momento, o DF vacinou 1,9 milhão de pessoas com a primeira dose, 671.147 com a segunda e 55.655 com dose única. Na quinta-feira (19/8), foram 19.051 primeiras aplicações, 13,8 mil do reforço e 287 de vacinas de uma dose.

Novos casos

Entre quarta (18/8) e quinta-feira (19/8), a capital federal registrou 503 novos casos e 15 mortes pela covid-19. No total, 461.925 infecções e 9.878 óbitos foram confirmados desde o início da pandemia. A taxa de transmissão do vírus está em 0,96. Com a atualização, a média móvel de casos chegou a 639, valor 1% menor que o registrado há 14 dias. A mediana de mortes está em 13,86, número 7,7% menor quando comparado com o mesmo período. A variação dos índices apresenta estabilidade.

Na quinta-feira (19/8), a taxa de ocupação dos leitos de unidade de terapia intensiva (UTI) da rede pública estava em 65,22%. Dos 197 leitos, 105 estavam com pacientes, 56 vagos e 36 bloqueados. Na rede privada, a ocupação era de 79,44%, sendo que das 233 UTIs, 144 estavam ocupadas e 89 bloqueadas. Na fila de espera por uma UTI havia seis pessoas com suspeita ou confirmação de infecção pela covid-19.

Palavra de especialista Subnotificação da variante

Em relação ao sequenciamento genético da variante Delta, não só o DF como o Brasil inteiro mostra somente a ponta do iceberg. Porque sequenciamos muito pouco. Muito aquém do que seria necessário para a gente saber como está o real cenário da pandemia e a circulação de variantes ou monitorar o surgimento de novas cepas. Certamente temos mais casos da Delta do que o identificado até agora. Os jovens são maioria entre os infectados porque, primeiro, demoramos muito para avançar na vacinação. Então, eles se tornam os pacientes que mais evoluem para casos graves agora. Somando isso às flexibilizações de ambientes maioritariamente frequentados por jovens e ao fato da Delta ter alta transmissibilidade, teremos muitos jovens acometidos pela doença.

Ana Helena Germoglio, infectologista

Ameaça para cardiopatas

Pessoas com doenças cardiovasculares têm mais chances de morrer em decorrência da covid-19, apesar de a doença se caracterizar pela manifestação pulmonar. O alerta é do cardiologista Wladimir de Freitas, que abordou o tema ontem, no programa CB.Saúde – parceria do Correio com a TV Brasília. ‘Dez por cento de todas as mortes ocorreram em pessoas com doenças cardiovasculares prévias, enquanto 6,3% eram pacientes com pneumopatia. A doença do Sars-CoV-2, que é um vírus, entra pelo pulmão, se manifesta pelo pulmão, mas a mortalidade dela se dá mais entre cardiopatas’, destacou o médico, em entrevista à jornalista Sibele Negromonte.

A explicação, segundo o cardiologista, dá-se em três níveis: molecular, clínico e epidemiológico. ‘O vírus entra no organismo pelo pulmão, mas chega às células por meio de uma enzima importante, do ponto de vista cardíaco. E essa molécula está bem distribuída na superfície interna dos vasos. A doença (covid-19) ataca tantos órgãos ao mesmo tempo por causa dessa característica biológica do vírus. Ele se liga a uma molécula com distribuição por todo o organismo’, explicou.

Questionado sobre as dificuldades que a covid-19 pode causar a quem nunca apresentou problemas cardiovasculares, Wladimir afirmou que o nível de complicações é menor, mas o vírus é capaz de ativar mecanismos do sistema imunológico, e isso gera efeitos em outros órgãos. Em relação ao uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra a covid-19, o cardiologista frisou que os estudos indicam aumento dos riscos de problemas cardiovasculares entre quem optou por esses remédios. ‘Principalmente em relação à hidroxicloroquina. Quem usou teve 15% de chance a mais de morte cardíaca do que quem não usou’, destacou o especialista.

Fonte: Correio Braziliense Online

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/pfizer-e-da-astrazeneca-sao-eficazes-contra-delta-mas-protecao-cai-com-o-tempo/

Você pode gostar também

Esse site utiliza cookies para aprimorar sua experiência de navegação. Mas você pode optar por recusar o acesso. Aceitar Consulte mais informação