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Droga injetável é nova esperança contra as crises de enxaqueca

A professora de educação física Mariana Nardelli, 39, chegou a tomar 60 comprimidos de analgésico por mês e já estava acostumada a avisar seus alunos sobre a enxaqueca. “Eles me perguntavam ‘e aí pro, tá com dor de cabeça hoje?’. Desde que comecei o tratamento, em março, não me lembro mais de termos falado nisso”, diz.

 

O tratamento ao qual a professora se refere é uma combinação de aplicações de botox, estímulos elétricos, massagem, acompanhamento alimentar com nutricionista, psicoterapia cognitiva e uso de medicação contínua.

 

A abordagem integrada e individualizada é a saída para tratar dores há anos negligenciadas pelos pacientes.

 

O problema de Mariana foi agravado pelo uso excessivo de analgésicos, acima de dez doses mensais.

O cérebro, acostumado com as substâncias, fica incapaz de cumprir sozinho as suas funções normais. Os analgésicos passam a ser responsáveis pelas dores assim que o efeito do remédio acaba.

 

Na clínica especializada em dor de cabeça que comanda desde 2016 em São Paulo a neurologista Thaís Villa, chefe do setor de cefaleias da Unifesp, reúne uma equipe multidisciplinar que combina diferentes técnicas e profissionais da saúde.

 

Surgidas na última década, as novidades no tratamento para cefaleias e enxaquecas incluem o uso de neuromodulações, estímulos elétricos que agem em nervos localizados na região da cabeça, responsáveis por transmitir ao cérebro a sensação de dor.

 

Aparelhos específicos são utilizados para emitir frequências capazes de melhorar a dor e prevenir novas crises (veja no quadro ao lado).

 

Na estimulação do nervo vago, um aparelho do tamanho de um telefone celular é encostado no pescoço do paciente e produz impulsos elétricos. O dispositivo já é usado no Brasil para tratamento de depressão, e recentemente foi indicado para o tratamento da enxaqueca.

 

Outra adaptação de máquina bastante conhecida pelos pacientes é o implante de marcapasso. O mesmo aparelho utilizado por pacientes cardíacos é implantado sob a pele na nuca ou no pescoço para combater as dores de cabeça, emitindo estímulos elétricos para o nervo occiptal.

 

A grande promessa para o próximo ano é a chegada ao Brasil dos anticorpos monoclonais. A nova classe de medicamentos começou a ser usada em março nos Estados Unidos e faz parte da primeira geração de drogas desenvolvidas especificamente para combater enxaqueca.

 

“São várias moléculas iguais, que nem os soldadinhos brancos do Star Wars”, compara Daniel Ciampi de Andrade, que é neurologista do Núcleo Avançado de Dor e Distúrbios do Movimento do Hospital Sírio-Libanês.

 

Os anticorpos monoclonais se unem às proteínas que fazem parte do processo inflamatório que gera a dor e inibem sua ação. Com injeções mensais que custam por volta de U$ 600 (R$ 2.230), a droga já foi liberada pela FDA (departamento do governo americano que regula remédios e alimentos) e está em análise pela Anvisa. A expectativa dos médicos é de que ela seja liberada no Brasil no primeiro semestre de 2019.

 

Um estudo global publicado em 2016 analisou 195 países durante 25 anos para descobrir quais as doenças que mais causam prejuízos para a humanidade.

 

A conclusão é que a cefaleia tensional (dores que dão a sensação de cabeça pesada, apertada ou pressionada) é a doença sintomática mais popular, e a enxaqueca (dor de cabeça que começa latejante em um dos lados e aumenta aos poucos) é a sétima no mundo mais citada.

 

A estimativa é que 300 milhões de pessoas sofram com enxaqueca no mundo. As crises da doença são classificadas pela Organização Mundial da Saúde como doenças debilitantes tão graves como a psicose e a demência.

 

Para o neurologista do Hospital Sírio-Libanês, o primeiro passo para o tratamento é descobrir se a dor na cabeça é sintoma de algum outro problema, ou o problema em si. Na maioria das vezes, segundo ele, as dores não estão relacionadas a alguma doença, como um tumor no cérebro.

 

Em seguida, o médico identifica o tipo da dor para indicar o tratamento adequado. “Diferenciar enxaqueca e cefaleia tensional não é tão óbvio. O paciente precisa saber é que, se há prejuízo físico, deve procurar tratamento.”

Entre os tratamentos não farmacológicos, técnicas de relaxamento e meditação têm ganhado espaço na literatura científica, segundo Andrade.

Fonte: Folha de S. Paulo

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