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É preciso se preocupar mais com transmissão pelo ar do que por superfície, diz cientista

O virologista da Universidade Federal de Minas (UFMG) Flávio Guimarães Fonseca tem chamado atenção para os riscos de contágio da covid-19 por meio de partículas suspensas no ar. Para o especialista, não se deve negligenciar a transmissão por contato e que atos como a higienização das mãos é fundamental, mas há meios mais significativos de contágio que devem passar a receber maior atenção para prevenção.

Veja também: Covid-19: O que se pode aprender com a vacinação em Israel

A posição encontra respaldo em comunicado conjunto do órgão americano FDA (Food and Drugs Administration) e da USDA (Departamento de Agricultura do país). Pesquisadores dos Estados Unidos indicaram que a transmissão da doença por meio de alimentos e embalagens, por exemplo, é muito improvavel. A nota se soma a um grupo crescente de dados que vem apontando nessa direção.

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Para Fonseca, não se deve negligenciar totalmente a possibilidade de transmissão por contato, e que é necessário manter esse cuidado, com uso de álcool em gel e higienização das mãos, mas que é importante ter em mente que epidemiologicamente as chances de contágio são muito inferiores frente à possibilidade de transmissão por partículas suspensas no ar.

Flávio explica que os dados mais recentes apontam nessa direção. “Hoje se sabe que o novo coronavírus é um vírus predominantemente respiratório, transmitido através do ar. Então, outras formas de contágio, embora existam, são secundárias e de importância epidemiológica discutível. É isso que se tem visto.”

O virologista cita que um artigo publicado na revista científica The Lancet trata sobre o tema e avalia que esse tipo de informação é importante no uso dos recursos para frear a pandemia. “Precisaríamos gastar mais dinheiro para purificar o ar, porque as partículas em suspensão, os aerossóis, estão presentes no ar, e menos dinheiro em protocolos de limpeza. Seria o mais lógico, porque hoje se gasta muito em protocolos de limpeza e poderia ser alocado para um recurso voltado para a purificação do ar.”

No entanto, analisa positivamente que a nota do FDA não desconsidera a possibilidade de infecção por partículas em superfície, mas minimiza esse meio. “E é exatamente isso, não dá para falar que não existe risco nenhum e contágio por toque em uma superfície contaminada, mas essa possibilidade em termos epidemiológicos está se mostrando cada vez mais reduzida com o grupo de dados que a gente tem hoje”, analisa.

Em nota divulgada, a FDA afirmou: “Os consumidores podem ter a tranquilidade de que continuamos a acreditar, com base em nosso entendimento das informações científicas confiáveis atualmente disponíveis e apoiados em um consenso científico internacional, que os alimentos consumidos e as suas embalagens têm mínima probabilidade de espalhar a SARS-CoV-2 “.

Fonte: MSN

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