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Em busca de popularização de remédios, 1º centro de estudos em canabidiol do país começa a reunir pesquisadores

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Canabidiol – Maior capacidade para reunir voluntários, melhoria na capacitação de profissionais de saúde e um caminho mais curto entre laboratório e farmácia estão entre os objetivos do primeiro centro de estudos do país dedicado exclusivamente a pesquisar o canabidiol (CBD) no tratamento de doenças.

Anunciado em 2017 e ainda não inaugurado oficialmente, o espaço instalado dentro da USP de Ribeirão Preto (SP) começou em setembro a reunir os primeiros pesquisadores envolvidos em projetos de diferentes áreas, mas com uma meta em comum: popularizar o uso de medicamentos à base de Cannabis sativa no Brasil.

“Nossa função principal é fazer com que esses fármacos que a gente está desenvolvendo cheguem ao Sistema Único de Saúde para que as pessoas consigam ter esse medicamento a um preço acessível, e que a gente produza um medicamento com todo controle de qualidade”, afirma Alline Campos, professora do departamento de farmacologia da Faculdade de Medicina da USP e uma das integrantes do novo instituto.

“Nossa função principal é fazer com que esses fármacos que a gente está desenvolvendo cheguem ao Sistema Único de Saúde para que as pessoas consigam ter esse medicamento a um preço acessível, e que a gente produza um medicamento com todo controle de qualidade”, afirma Alline Campos, professora do departamento de farmacologia da Faculdade de Medicina da USP e uma das integrantes do novo instituto.

A USP de Ribeirão Preto é o centro onde foi desenvolvido, em parceria com a iniciativa privada, o primeiro remédio à base de canabidiol do país, que chegou às farmácias em 2020 após 35 anos de estudos, depois de ter a comercialização liberada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

A medicação hoje é autorizada para uso em quadros graves e resistentes de epilepsia, em que outros métodos não surtiram efeito, além de esclerose múltipla, mas a venda é condicionada à apresentação de uma série de documentos, e sua forma de aplicação ainda desperta muitas perguntas, segundo Alline.

Em fevereiro, o Ministério da Saúde abriu uma consulta pública sobre a inclusão da substância no SUS.

“Muitos estudos ainda são necessários para que a gente saiba por exemplo a dose correta que deve ser utilizada, a frequência. (…) Outra coisa que é muito importante é desenvolver novas formulações farmacêuticas”, afirma a pesquisadora da USP.

Novo centro de estudos

O novo centro de estudos no interior de São Paulo é resultado de uma parceria público-privada com um investimento inicial de R$ 13 milhões, entre recursos para construção do anexo, que fica no hospital da Saúde Mental da USP, equipamentos laboratoriais de alta complexidade e gastos iniciais com folha de pagamento e bolsas de estudo.

“A Faculdade de Medicina é uma protagonista no Brasil em desenvolver cuidados e novos tratamentos para a sociedade, principalmente relacionados ao SUS. Como nosso foco inicial com os canabinoides e com o canabidiol é com transtornos neuro-psiquiátricos, nada mais justo que a gente desenvolver esse projeto perto das pessoas que necessitam”, diz Alline.

Apesar da expectativa inicial de começar a funcionar em 2017, o centro ainda não foi inaugurado oficialmente. A pandemia da Covid-19, prazos postergados em licitações e demora para chegada de equipamentos como freezers para armazenamento de amostras de pacientes e aparelhos para cultura de células, estão entre as questões que inviabilizaram até agora a abertura da unidade, segundo Alline Campos.

Apesar disso, o centro começou há um mês a iniciar suas atividades gradativamente.

“Vai ser inaugurado oficialmente quando a pandemia nos permitir. A gente ainda está recebendo os equipamentos. (…) É burocrático, mas nós estamos começando a iniciar os experimentos.”

“Vai ser inaugurado oficialmente quando a pandemia nos permitir. A gente ainda está recebendo os equipamentos. (…) É burocrático, mas nós estamos começando a iniciar os experimentos.”

Pesquisa e formação

Projetado para ser uma referência no assunto, o centro reunirá inicialmente cerca de 50 pessoas, entre os quais alguns dos principais nomes da pesquisa em torno do canabidiol do país, além de doutores e pós-doutores que se dedicam a aprofundar informações sobre produção sintética, dosagem, efeitos a longo prazo e aplicação contra distúrbios como:

A produção de conhecimento também deve ocorrer em torno de outras substâncias existentes da maconha, sem efeito psicoativo.

“Nosso intuito agora é ampliar isso para também aumentar nossa inserção junto à sociedade. Então, não trabalhar somente com indústrias farmacêuticas, mas formar um centro de referência para pesquisa, para formação de profissionais que possam trabalhar futuramente na indústria farmacêutica e também auxiliar médicos e profissionais na prescrição e uso correto desses fármacos, não só que tenham o canabidiol, mas que possam ter outros canabinoides”, diz a pesquisadora.

Entre consultórios e laboratórios setorizados, o espaço de 1,5 mil metros quadrados não só vai concentrar as diferentes pesquisas realizadas em torno da substância na universidade, como também terá condições de ampliar o número de voluntários hoje acompanhados nos projetos, segundo Alline.

“Tudo isso depende de um fluxo científico, mas se antes publicávamos trabalhos com 20 voluntários hoje com certeza a gente tem capacidade de triplicar esse número”, diz.

Além de experimentos iniciais em voluntários e da possibilidade de testes mais avançados sobre os efeitos do canabidiol em amostras mais amplas, o centro será dedicado a ensaios pré-clínicos, análises de sangue e busca de biomarcadores associados a transtornos psiquiátricos e doenças degenerativas, segundo Alline.

“Vamos ainda buscar alguns fatores no sangue que possam se correlacionar com a função cerebral desses pacientes para entender como o canabidiol estaria agindo no organismo e também quais são as diferenças entre o efeito do canabidiol e dos fármacos já utilizados para transtornos de ansiedade, de depressão, esquizofrenia, doença de Alzheimer, doença de Parkinson”, exemplifica.

“Vamos ainda buscar alguns fatores no sangue que possam se correlacionar com a função cerebral desses pacientes para entender como o canabidiol estaria agindo no organismo e também quais são as diferenças entre o efeito do canabidiol e dos fármacos já utilizados para transtornos de ansiedade, de depressão, esquizofrenia, doença de Alzheimer, doença de Parkinson”, exemplifica.

Em outro espaço de 320 metros quadrados, que deve ser finalizado até o fim do ano, serão simuladas situações comportamentais ligadas a transtornos neuro-psiquiátricos em modelos pré-clínicos.

Com mais profissionais envolvidos e mais estrutura, o centro também terá o potencial de melhorar o controle de qualidade e o produto final, bem como otimizar a produção por meio de parcerias não só com indústrias mais com associações filantróicas. Hoje, a única existente é com a empresa Prati Donaduzzi, do Paraná.

“O canabidiol em óleo tem uma absorção muito pequena e um gosto muito desagradável, então é necessário que a gente invista na melhoria dessa formulação farmacêutica para aumentar a absorção e a eficácia desse fármaco, além disso, melhorar o que é mais importante no tratamento farmacológico, que é a aderência do paciente”, exemplifica.

“O canabidiol em óleo tem uma absorção muito pequena e um gosto muito desagradável, então é necessário que a gente invista na melhoria dessa formulação farmacêutica para aumentar a absorção e a eficácia desse fármaco, além disso, melhorar o que é mais importante no tratamento farmacológico, que é a aderência do paciente”, exemplifica.

Para cumprir esses objetivos e garantir a continuidade ao longo dos próximos anos, no entanto, Alline cita que a manutenção dos investimentos, além dos bloqueios culturais ainda existentes em torno da substância, são desafios a serem superados, a começar pelos cortes de verbas federais destinadas à pesquisa.

Segundo ela, isso prejudicou a manutenção de profissionais pós-doutores nas atividades ligadas aos estudos com canabidiol.

“Tirou por exemplo a possibilidade que a gente tinha que eram bolsas de pós-doutorado dadas a grupos e programas que tinham nota máxima na Capes. E isso impacta diretamente, porque a gente não tem como contratar novos pós-doutores. (…) Então há um impacto direto, mesmo com todo esse investimento, a gente perde na produção científica de qualidade.”

Fonte: G1.Globo

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/unifarma-chega-a-1-mil-pdvs-licenciados-no-nordeste/

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