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Entenda como crise entre Rússia e Ucrânia pode afetar até a inflação no Brasil

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Nesta segunda-feira (21), o presidente russo, Vladimir Putinreconheceu a independência de duas áreas separatistas da Ucrânia, a República Popular de Donetsk e a República Popular de Luhansk.

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O movimento aumenta ainda mais as tensões entre o Kremlin e os países ocidentais, que ameaçam a Rússia com fortes sanções no campo econômico.

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Especialistas ouvidos pelo CNN Brasil Business dizem que o novo tom adotado por Putin pode provocar reação nos mercados internacionais e, caso ocorram sanções, pode prolongar o encarecimento do preço de commodities.

Para Welber Barral, estrategista de comércio exterior do Banco Ourinvest e ex- secretário de Comércio Exterior, a ação de Putin pode ter uma primeira resposta por parte dos Estados Unidos e União Europeia por meio de sanções.

“As medidas afetam, principalmente, o sistema financeiro russo. Existe a ameaça de suspender a Rússia do Swift (sistema que permite a troca de informações bancárias entre instituições) e aplicar bloqueios aos bancos russos”, afirmou. Barral entende que essas medidas prejudicariam demasiadamente os financiamentos e pagamentos naquela região.

Neste contexto, os mercados já se preparam para um período mais complicado. O CEO da BGC Liquidez, Erminio Lucci, avalia que “com o passar do tempo e o esgotamento das vias diplomáticas, temos uma incerteza geopolítica global no mercado externo, já que nós sabemos como uma guerra começa, mas não sabemos como ela acaba. O ocidente está empenhado em utilizar a arma do conflito comercial como resposta”, afirmou.

Felipe Sichel, estrategista-chefe do banco Modal, menciona que o “conflito é um choque adicional de oferta no mundo e deve impactar a inflação. O mercado já vem precificando o cenário que vemos atualmente”.

O índice pan-europeu STOXX 600, já demonstrou os primeiros impactos por conta do movimento de Putin. Nesta segunda (21), o índice fechou em queda de 1,30%, a 454,81 pontos, seu nível mais baixo desde outubro.

Erminio, da BGC, menciona que as ações vistas hoje podem gerar um aumento na volatilidade dos ativos e “um círculo vicioso de inflação, dado que os preços do petróleo podem subir ainda mais se o ocidente bloquear exportações dos combustíveis vindos da Rússia”.

Os alimentos também não devem ficar de fora desse pacote inflacionário. Barral diz que “tanto a Rússia quanto a Ucrânia exportam muitos alimentos, principalmente, trigo. O produto tem vários destino como a própria Europa, o Oriente Médio e a África. Dessa maneira, temos mais um elemento de inflação no mundo”.

No caso do Brasil, Barral explica que o “país exporta carnes para aquela região e importa muitos fertilizantes. Logo, o Ministério da agricultura deve ficar alerta, caso dificuldades com a importação desses insumos apareçam, afetando a produção brasileira de grãos”.

Para ambos os especialistas, a Rússia agora deve tentar reforçar suas relações com a China. Para Lucci, caso os russos fiquem fora do Swift, Putin pode utilizar ferramentas para amenizar os impactos na economia. “Uma delas é a adoção de criptomoedas para realizar pagamentos. Outra, é uma maior aproximação da China para que as transações possam ser realizadas com o uso de moedas locais”.

Barral, na mesma linha, menciona que a “alternativa é trabalhar com os países que não obedecem as sanções dos Estados Unidos, como é o caso da própria China que já tenta deixar o dólar de lado em transações bilaterais”, disse.

Em resposta, o presidente norte-americano, Joe Biden, assinou ainda nesta segunda-feira (21), uma ordem executiva que impõe sanções financeiras regiões separatistas da Ucrânia.

Sichel conclui dizendo que o Putin “sabe dos riscos e entende que consegue superá-los, ainda que com custos econômicos, ele tem percepção disso. Em discursos recentes, o comentário dele é que o ocidente colocaria sanções independentemente da situação, isso sugere que ele está muito ciente do que fez”.

Fonte: CNN Brasil

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