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Estudo relaciona ervas medicinais com câncer de fígado na Ásia

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Estudo relaciona ervas medicinais com câncer de fígado na Ásia

Um grupo de pesquisadores descobriu uma relação entre o uso de remédios tradicionais a base de ervas chineses e a ocorrência de câncer de fígado na Ásia, segundo estudo publicado nesta quarta-feira (18).

Os resultados sugerem que são necessárias duras medidas para prevenir o consumo de químicos conhecidos como ácidos aristolóquicos (AA), derivados de uma cepa lenhosa da família da planta Aristolochia, indica o informe publicado na revista Science Translational Medicine.

Os ácidos podem estar em alguns medicamentos tradicionais chineses, que são administrados durante o parto para prevenir parasitas e agilizar a recuperação.

Os pesquisadores fizeram testes em 98 tumores de fígado armazenados em hospitais em Taiwan e descobriram que 78% deles tinham padrões de mutação que indicavam que os cânceres “provavelmente se deviam ao contato com elementos químicos”, segundo o estudo.

Como esses ácidos causam “uma mutação bem definida”, os pesquisadores examinaram também 89 mostras de câncer de fígado na China e descobriram que 47% estavam relacionados com esse componente da medicina tradicional.

No Vietnã, cinco dos 26 tumores analisados tinham a mesma evidência (19%), bem como cinco de nove casos em outros países do sudeste asiático (56%).

O vínculo com a medicina tradicional chinesa foi muito menos comum na América do Norte (5% de 209 casos de câncer de fígado estudados) e Europa (1,7% de 230 mostras).

Taiwan proibiu, em 2003, algumas misturas à base de ervas, após ser descoberto que o AA pode causar insuficiência renal e câncer do trato urinário.

Contudo, não há uma proibição total na China, ou em Taiwan, e “só se regulamentam plantas específicas, em vez de qualquer planta e produto que contenha AA”, o que torna mais difícil para os consumidores evitarem, destaca o estudo.

Os pesquisadores também notaram que o predomínio de mutações associadas aos AA de câncer de fígado em Taiwan não diminuiu após a proibição de alguns componentes.

Os cientistas sugerem que isso pode se dever à possibilidade de ser preciso mais tempo para detectar uma queda do número de tumores, bem como aconteceu com cânceres relacionados ao tabaco, depois que se descobriu que fumar provoca câncer de pulmão.

Outra explicação seria que as pessoas continuam expostas a esses ácidos através de outros produtos e misturas de ervas.

Fonte: IstoÉ

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