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Gigantes da saúde abrem capital e reforçam caixa com ações na B3

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A abertura de capital da Rede D’Or São Luiz, maior rede privada de hospitais do país, em dezembro de 2020, ajudou a pavimentar ainda mais o caminho do setor de saúde em busca de maior representatividade na bolsa brasileira. Mesmo em um cenário de incertezas por conta da pandemia, o segundo maior IPO (oferta pública inicial de ações, na sigla em inglês) da história de uma empresa na B3, que levantou R$ 11,39 bilhões, foi a cereja do bolo em um ano marcado por anúncios de fusões e aquisições de vulto de companhias listadas e follow-ons (ofertas subsequentes de ações) que reforçaram o caixa de grupos de ramos distintos, como operadoras de planos e saúde e varejistas farmacêuticas.

Hoje, das 20 maiores empresas em valor de mercado na bolsa, duas são do setor de saúde: Rede D’Or e Hapvida. Na carteira teórica que compõe o Ibovespa, já são sete empresas do ramo. As perspectivas futuras são otimistas. ‘O setor tem fundamentos bons e perspectiva de crescimento para os próximos anos’, diz Rodrigo Wainberg, analista de investimentos da Suno Research. ‘Em 20 anos, a população com mais de 65 anos passará de 28 milhões para 49 milhões de pessoas, o que aumentará a demanda por serviços de saúde e medicamentos. A oferta de leitos hospitalares é baixa no Brasil, apenas 24% da população tem plano de saúde e há muito espaço para consolidação em diversos segmentos’, completa.

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Com um cenário de juros baixos, a bolsa é uma forma atrativa para captar recursos para expansão – e consolidação setorial – e as grandes empresas do setor estão aproveitando essa janela, acrescenta André Querne, sócio da Rio Gestão de Recursos. ‘Empresas como Rede D’Or, Hapvida e RaiaDrogasil já são líderes em seus mercados de atuação, reforçam o caixa e aproveitam o ‘timing’ para aquisições de concorrentes com descontos. Há uma perspectiva favorável por crescimento orgânico e inorgânico e as valorizações em alguns papéis na bolsa antecipam essa expectativa de crescimento para os próximos dois, três ou cinco anos’, diz.

O comportamento das ações das empresas de saúde listadas foi heterogêneo durante os 15 meses da pandemia. Em maior ou menor grau, as cotações foram impactadas sobretudo no segundo trimestre do ano passado, com as medidas de isolamento social afetando os resultados de nichos como drogarias e laboratórios. Um balanço do Valor Data com papéis de 13 empresas do setor mostra que seis tiveram valorização nas cotações do fim de fevereiro de 2020 ao fim de maio de 2021, enquanto sete se desvalorizaram – ainda que a tendência seja de recuperação das perdas.

Os destaques positivos ficaram com os líderes dos segmentos. Do IPO em dezembro até o fim de maio, as ações ordinárias da Rede D’Or se valorizaram 22,91%. No fim de maio, a empresa fez uma oferta subsequente de ações e engordou o caixa em cerca de R$ 1,8 bilhão. Com um portfólio de 51 hospitais próprios e mais de 8,8 mil leitos, a estratégia de crescimento da Rede D’Or envolve a construção de novos equipamentos e um apetite renovado por aquisições. Apenas neste ano a empresa anunciou a aquisição – ou a conclusão de aquisições – de sete hospitais.

‘A Rede D’Or fez o IPO no olho do furacão e mesmo assim foi um dos maiores da história. É uma empresa que tem caixa para crescimento estratégico, em um movimento de comprar hospitais pequenos e relevantes em regiões urbanas para aumentar a rede credenciada. A empresa vem em ritmo de crescimento acelerado e é líder do setor, um papel interessante e com espaço para crescer em um setor bastante pulverizado’, diz Mariana Ferraz, analista da Eleven Financial Research.

As maiores valorizações do setor na bolsa nos 15 meses de pandemia ficaram com duas empresas do ramo de planos de saúde: Hapvida (45%) e NotreDame Intermédica (39,71%). As duas gigantes de planos de saúde confirmaram a fusão dos negócios em fevereiro de 2021, formando um conglomerado com mais de 13,6 milhões de beneficiários e receita combinada de R$ 18,2 bilhões.

Em movimento semelhante ao adotado pela Rede D’Or, as operadoras, que atuam no modelo verticalizado (com rede própria de hospitais, clínicas e laboratórios), também apostam no crescimento inorgânico com a compra de hospitais de menor porte para reforçar suas redes credenciadas. Juntas, administram hoje mais de 80 hospitais e 280 clínicas. Para ajudar na estratégia, a Hapvida movimentou R$ 2,7 bilhões em um follow-on em abril de 2021. ‘Hapvida e Intermédica têm foco em ganho de eficiência, sinergia de custos e controle de despesas dos procedimentos. Há ganho de escala com a fusão’, diz Wainberg, da Suno Research.

No varejo farmacêutico, a maior valorização na bolsa nos meses de pandemia foi da RaiaDrogasil, com alta de 14,66% entre 28 de fevereiro de 2020 e 28 de maio de 2021. As medidas de isolamento social impactaram as receitas da companhia no segundo trimestre do ano passado, mas desde então a trajetória é de recuperação. No primeiro trimestre de 2021, a empresa registrou lucro líquido de R$ 176,2 milhões (alta de 42% em relação ao mesmo período de 2020), a receita líquida somou R$ 5,62 bilhões (alta de 13,5%) e o Ebitda atingiu R$ 432,3 milhões (avanço de 20,4%).

A aceleração na digitalização é um dos legados da pandemia. A penetração dos canais digitais da marca chegou a 7,7% no trimestre, em patamar semelhante ao do segundo trimestre do ano passado, no pico de isolamento social. ‘Para as redes de farmácias de maneira geral o digital foi importante para a manutenção das receitas. Em todas elas vemos maior foco no digital, em produtos de marca própria, com margens mais rentáveis, estratégias importantes para o crescimento nos próximos meses’, diz Mariana Ferraz, da Eleven Research.

Desde a abertura de capital da Rede D’Or, outros IPOs do setor ocorreram, a exemplo da rede mineira de hospitais Mater Dei (que levantou R$ 1,4 bilhão em abril, com preço 20% abaixo do piso da faixa) e o ‘re-IPO’ da Dasa, que movimentou R$ 3,3 bilhões. Algumas ofertas já protocoladas na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), entretanto, foram interrompidas, casos da Athena Saúde, Hospital Care Caledonia, Kora Saúde e Viveo (distribuidora de produtos hospitalares). ‘A entrada da Rede D’Or trouxe apetite para outras companhias. Muitas postergaram a abertura por questões políticas, fiscais e macroeconômicas que impactaram a bolsa. As empresas não queriam dar desconto nos papéis e o IPO foi adiado’, completa Mariana.

Fonte: Fusões & Aquisições

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