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Insegurança domina investidor

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Em uma semana de turbulências e de preocupações com a crise política e a deterioração das contas públicas, os mercados no Brasil operaram refletindo as incertezas dos investidores. Na sexta-feira, o Ibovespa, índice que mede o desempenho das principais ações da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), encerrou o pregão em alta de 0,76%, aos 118,053 pontos, em uma pequena reação que não foi suficiente para apagar a queda de 2,59%, registrada na semana. Enquanto isso, o dólar comercial teve queda de 0,7%, cotado a R$ 5,384 na compra e a R$ 5,385 na venda, embora ainda se mantenha em valorização acumulada de 2,67%, desde segunda-feira, ante o real.

Até o último minuto do pregão da B3, os analistas também atribuíam as instabilidades ao avanço da variante Delta do novo coronavírus, à possibilidade de o Federal Reserve (Fed, Banco Central americano) aumentar juros e aos dados pouco animadores da China, que derrubaram o preço das commodities. No entanto, no encerramento da sessão, com a decisão do presidente Jair Bolsonaro, de entregar ao Senado pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), as expectativas pioraram, e o futuro dos mercados pode ser de mais deterioração.

“O impeachment era uma coisa falada, mas não concretizada. O mercado entendia que não ia acontecer. Como o fato consumado, as perspectivas, agora, são de aumento do risco, valorização do dólar e mais queda das ações na bolsa”, afirmou o economista Cesar Bergo, sócio investidor da Corretora OpenInvest. Ele não descarta piora nos índices de inflação, de desemprego e alta mais forte dos juros, aliados às questões internas também preocupantes, como a alta dos preços de combustíveis e a crise energética, que continuam sem solução. “Na bolsa, de certa forma, o mercado já tinha precificado as altas e baixas, só que, com a enxurrada de provocações entre os Poderes, a recuperação fica mais distante”, afirmou Bergo.

Cesar Bergo também lembrou que o mercado ainda está assustado com “o calote nos precatórios” para bancar o Auxílio Brasil, que vai substituir o Bolsa Família e o aparente abandono da reforma tributária e do Imposto de Renda pelo governo e pelo Congresso. “Uma inversão de valores”, lamentou Bergo.

Marcos Ross Fernandes, economista chefe do Haitong Investimentos, destacou que “a proposta de emenda constitucional do pagamento do precatório é a que mais preocupa o mercado”. O projeto preliminar continua sugerindo a criação de um fundo, no qual as receitas das privatizações e as receitas futuras do pré-sal seriam revertidas para pagamentos precatórios.

“A principal questão é que este Fundo não estará sujeito às regras fiscais em vigor (limite de gastos). Este último elemento, aparentemente, está fora da proposta original, mas será assumido pelo Congresso. O primeiro risco da criação desse fundo é o de ter um orçamento paralelo. Neste caso, os agentes econômicos têm menos visibilidade da condução da política fiscal, perdendo assim a capacidade de formar expectativas quanto à trajetória da atividade econômica e aos preços relativos”, destaca Marcos Ross.

Flávio Serrano, economista-chefe da Geenbay Investimentos, a novidade do dia (o impeachment do ministro) jogou por terra até as expectativas do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Na quinta-feira, Campos Neto disse que “ruídos envolvendo questões domésticas” afetaram as projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto de 2022, e jogaram as expectativas para baixo, mas que, tão logo fosse revelada a origem dos recurso do Renda Brasil, os ruídos diminuiriam.

Nas previsões de Flávio Serrano, o ápice da inflação em 12 meses será em agosto, quando o IPCA deverá bater os 9,5%. “De fato, a gente tem muita incerteza e piora na percepção global. A origem dos recursos do Renda Brasil, quando confirmada, pode diminuir um pouco a pressão, mas não cobre o risco da expectativa de expansão de gastos do Executivo e dos parlamentares, em ano eleitoral”, afirmou Serrano.

Fonte: Correio Braziliense

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