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Médicos divergem sobre o relaxamento da quarentena durante a pandemia

Médicos divergem sobre o relaxamento da quarentena durante a ...

Quarentena  – SYLVIO PROVENZANO, 63 anos, fluminense

O que faz e o que fez: chefe do Serviço de Clínica Médica do Hospital Federal dos Servidores do Estado do Rio, integra os comitês científicos da prefeitura e do governo estadual. Formado pela UFRJ, é especialista em clínica médica e endocrinologia. Deixou a presidência do Conselho Regional de Medicina do Rio no último dia 31

EDIMILSON MIGOWSKI, 60 anos, fluminense

O que faz e o que fez: professor da UFRJ, integra os comitês científicos da prefeitura e do governo estadual do Rio. Pediatra e infectologista, é membro titular da Academia de Medicina do Estado do Rio desde 2009. Coordenou a pós-graduação em infectologia pediátrica da UFRJ e foi presidente do Instituto Vital Brazil

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É o momento de começar a reabertura das cidades?

SYLVIO PROVENZANO Acho complicado. Ainda existem problemas a serem resolvidos. Se for liberar, é preciso saber quais atividades seriam contempladas. É importante que o Estado tenha participação na tarefa de conscientizar a população. Pertencentes a grupos de risco, por exemplo, não devem sair de casa. Os transportes públicos devem ser evitados em momentos de pico. Por isso, deve haver um escalonamento dos horários das atividades liberadas. Sem isso, é inviável. Não se pode permitir que o funcionário de uma atividade comece no mesmo momento que outros. Trens, BRTs e metrôs podem ser onde o vírus vai se propagar. E aí se dará um passo para a frente e terão de ser dados 20 passos para trás.

EDIMILSON MIGOWSKI Esse passo está sendo dado de uma forma gradativa. As pessoas que ficaram em casa, na retomada, têm agora um mínimo de consciência. Uma coisa era lá atrás e outra é agora. Muitos médicos já têm experiência de tratar, muitos já adoeceram e voltaram ao trabalho, os leitos estão sendo disponibilizados. Então já há um conjunto de trabalhos que permite uma reabertura. E os decisores podem voltar atrás se o número voltar a crescer. A quarentena reduz a incidência de doenças infecto-contagiosas, porém aumenta o número de pessoas com doenças psiquiátricas e posterga o diagnóstico e tratamento de várias outras doenças. Como estará a cobertura vacinal, que prejuízos teremos na prevenção e detecção precoce de várias outras doenças? O tratamento proposto para qualquer doença não pode causar mais prejuízo do que benefício.

A OMS listou seis critérios para suspender a quarentena. O Brasil cumpre todos eles?

SP Não. Mas o que estamos vendo são planos escalonados para sair da quarentena. Não é “acabou a quarentena”. Ainda vai levar, no mínimo, dois meses, dois meses e meio. Isso se os números sorrirem. Se continuarem como estão, vai ser mais difícil. Por isso, neste momento, acho temerária a abertura. Temos um percentual grande de leitos ocupados e de novos casos surgindo. Testamos muito mais gente, é verdade, mas estamos apenas combatendo uma subnotificação que existia. A transmissão, eu não diria que está descontrolada, mas está presente. Quando as pessoas deixarem suas casas, haverá um risco maior de transmissão. E temos de lembrar que para muitas pessoas a doença é assintomática. Por isso tudo, qualquer liberação deve ser feita com muita cautela.

EM Acho que o Brasil cumpre bem em alguns locais. O maior problema ainda é o transporte. A população que não aprendeu como se prevenir em três meses não vai aprender mais. Três meses é o tempo para criar novos hábitos. Estamos por esse tempo convivendo com a doença. Quem aprendeu, ótimo. Acho que as pessoas se arriscaram demais. E as empresas estão preocupadas, deixando as pessoas de risco em casa. Inclusive com possibilidade de dias alternados para parte da empresa trabalhar à distância e outra presencialmente. Mas não é o Brasil como um todo. Cada região tem de tomar sua posição com bases técnicas.

O que sabemos sobre tratamento já é suficiente para a abertura de algumas atividades?

SP O tratamento ainda é um assunto polêmico. Ele não está estabelecido. Há quem defenda a hidroxicloroquina e outro coquetel. Estamos em um caminho em que as perguntas encontram-se em maior número do que as respostas. Essa é uma doença que surgiu no último dia do ano passado. Se malária tem 4 mil anos e ainda morre gente, imagina pela doença da qual ainda estamos conhecendo o ciclo biológico. Ela sofre muitas mutações? Será que teremos vacina? Qual opção melhor de tratamento? Ainda precisamos de mais estudos para essas respostas.

EM Uso precocemente nitazoxanida em mais de 250 pacientes e não tive nenhum óbito. Só três internações. A OMS indica que o paciente só vá para o hospital quando tiver sintomas respiratórios. Não pode ser assim. Tem de tratar antes. Há pessoas que acham que a redução das internações está acontecendo, em parte, porque as pessoas têm feito tratamento precocemente. Essa droga é minha aposta, minha convicção. Meus pacientes estão em casa, não estão internados.

A retomada dos restaurantes está atrelada à existência de uma vacina?

SP Quando tivermos um tratamento definitivamente comprovado ou a doença estiver praticamente zerada. Para as pessoas no grupo de risco, ir a restaurante só no ano que vem. Por enquanto, só delivery.

EM Pode voltar de acordo com cada restaurante. Tem de estabelecer distância entre as mesas, álcool 70%, garçom treinado para desinfetar o cardápio a cada cliente… Existem medidas para a retomada.

Qual seria o sinal de alerta para o retorno da quarentena?

SP Um aumento de casos e de ocupação de leitos de UTI. Aí tem de retroceder. Na Croácia, o futebol voltou, mas um clube surgiu com 26 infectados. Acabou o campeonato. É por isso que eu digo que a abertura tem de ser feita com muito critério. Com atividades com o risco mínimo e as pessoas muito bem orientadas sobre como se comportar. Se após 15 dias os números mostrarem que não houve esse aumento, pode dar mais um passinho. Tem de ser gradativo.

EM Aumento da fila de leitos e o colapso ou a redução das vagas de UTI. Isso é fácil de monitorar. Veja: Itatiaia, no sul do estado do Rio, vai retomar, mas antes capacitará equipe de saúde para tratamento precoce, informará a população para fazer contato com a saúde pública e monitorará a doença na casa das pessoas. Ou seja, vai ter um profissional para identificar se a doença se agravou. Não é a própria pessoa que faz isso. É a gente que tem de fazer isso, essa reabertura, com normas, orientações e monitoramento. Se não der certo, volta atrás. As pessoas têm de ser cúmplices da retomada, mantendo o distanciamento e tomando todos os cuidados.

Fonte: Época Online

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2020/06/05/receita-liquida-do-ache-chega-a-r-34-bi-e-cresce-53-com-35-lancamentos/

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