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Mudar meta de inflação traz perda de credibilidade, diz Campo Neto

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O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, disse nesta 2ª feira (4.out.2021) que o BC não deverá mudar a meta de inflação para 2021, diante da alta de preços no país. Estimativa do mercado financeiro para o ano aponta que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) no ano deve ficar em 8,51%. Projeções indicam alta há 26 semanas.

O percentual da inflação que o BC deve perseguir foi fixado em 3,75% pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), com tolerância de 1,5 ponto percentual, para mais e para menos.

Segundo Campos Neto, mudar a meta e inflação produz perda de credibilidade para o governo. ‘Entendemos que é importante debelar esse processo de desancoragem [da meta] e de disseminação da inflação, porque é um mal muito grande para nosso povo, desorganiza nossa cadeia produtiva. A gente já vive essa vida no passado, e acho que não foi produtiva’, disse.

Ele também sinalizou que a Selic, a taxa básica de juros, pode continuar subindo para controlar a inflação. ‘A Selic vai ter que atingir um nível que seja necessário para ancorar a expectativa. A gente quer entregar a inflação na meta’, declarou. A expectativa do BC, segundo Campos Neto, é de que a inflação tenha atingido um pico de alta em setembro, e depois volte a se acomodar.

‘Depende de vários fatores, como a melhora na parte hídrica. A gente vê na ponta uma desaceleração, primeiro na Ásia sem a China, depois na China. Em alguns outros países a gente vê que tem uma aceleração no preço da energia. Tem vários fatores para observar’.

O presidente do BC participou de live do jornal Valor Econômico sobre o tema: ‘O desafio de trazer a inflação para a meta’. Ao final da entrevista de 1h12min, comentou sobre as offshores que tem em paraísos fiscais, conforme mostrou o Poder360 no domingo (3.out). Campos Neto disse que todos os seus investimentos no exterior estão declarados, ‘inclusive com acesso público pelo site do Senado’.

‘Não fiz nenhuma remessa para empresas em nenhum momento. Não fiz nenhum investimento financeiro em nenhum empresa. É importante explicar e esclarecer, e seguir a diante com nossa agenda’, afirmou.

Campos Neto disse que há uma percepção de ‘melhora razoável’ no nível de endividamento do país. Segundo dados de agosto do BC, a dívida bruta do Brasil registrou 82,7% do PIB (Produto Interno Bruto) em agosto. A queda foi de 0,4 ponto percentual e levou o estoque para a menor proporção desde maio de 2020. De acordo com o presidente da instituição financeira, a proporção deverá chegar a 81% do PIB até o final do ano.

‘O BC não faz política fiscal, mas é muito importante que a gente tem esses 4 fatores: Bolsa Família, possível extensão do auxílio emergencial, precatórios e reforma do IR (Imposto de Renda) que acabaram se coincidindo, porque um viabiliza o outro, de certa forma’.

Para Campos Neto, é preciso atentar para a reação do mercado, no caso de uma possível quebra do teto de gastos para viabilizar os benefícios sociais e o pagamento dos precatórios.

‘Eu enfatizaria que a gente está num ponto de convergência e inflexão, onde não necessariamente jogar muito mais dinheiro vai fazer com que a economia cresça muito mais. Porque se jogar dinheiro, numa perspectiva de destruição do arcabouço fiscal, o efeito será mais forte do que o do novo dinheiro em circulação’.

Sobre o PIX, sistema de pagamentos instantâneos, Campos Netos declarou que o BC busca reduzir o espaço para fraudes e golpes. Segundo o presidente, um dos caminhos passa pela personalização do serviço ao usuário, com restrições para transferências a determinadas contas ou em horários específicos.

Outra medida em estudo é a que ataca a criação de ‘contas laranjas’, usadas por criminosos para receber dinheiro transferidos das vítimas.

Fonte: Poder 360

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/mercado-aumenta-estimativa-da-inflacao-para-851-em-2021/

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