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‘Não tive medo da Sputnik e não senti nada’, diz baiana que tomou vacina russa

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A médica baiana Suzan Borges, 29 anos, mora há nove anos na Argentina. Desde o ano passado, já atuou em diferentes posições da linha de frente do combate à pandemia do coronavírus ao lado do marido, também médico.

Em março deste ano, ela se tornou uma das quase oito milhões de pessoas vacinadas contra a covid-19 no país. Como metade dessa população. Suzan recebeu a vacina russa Sputnik V, que está sendo usada na Argentina desde dezembro do ano passado. A Sputnik V foi a primeira vacina aprovada no país, que hoje conta também com os imunizantes de Oxford/AstraZeneca, da Pfizer e da Sinopharm.

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‘Eu não senti medo de vacinar com a Sputnik V. No início, bem no início, os médicos não estavam aprovando muito tomar, mas a gente sempre recebeu vacina e nunca perguntou de onde vinha’, diz a médica.

Leia a matéria principal: Afinal, vai ter ou não vai ter Sputnik V? Entenda a situação da vacina russa no Brasil

Leia mais: Da Rússia à análise da Anvisa: entenda a cronologia da vacina Sputnik V até aqui

Suzan trabalha hoje diretamente em um centro de vacinação. Diariamente, acompanha pacientes que têm ido receber os imunizantes. E, nos últimos meses, uma coisa se destaca no comportamento deles: é comum que prefiram a Sputnik V, ainda que não possam escolher.

Em meio a todas as incertezas sobre a aprovação da Sputnik V no Brasil, ela conversou com o CORREIO sobre o assunto e contou um pouco mais da própria experiência.

Confira os principais trechos do relato dela

‘Fiquei um tempão na linha de frente da covid-19. Saí no fim do ano e agora estou de novo. É muito bom porque você aprende muito a lidar com os pacientes, com as doenças, é muito interessante. Eu estava trabalhando num hospital que a demanda era gigantesca e tive que voltar porque o Ministério da Saúde vai chamando os médicos de novo.

Agora, trabalho em um centro de vacinação. Os enfermeiros vacinam, mas os médicos estão lá para uma possível reação alérgica. Mas graças a Deus nunca teve nada.

Fui vacinada com a Sputnik em março. Meu marido trabalha no Samu daqui. Ele também é médico e os médicos do Samu estavam recebendo primeiro que todo mundo. Ele conseguiu no hospital de base que ele trabalha e eu consegui entrar pelo pronto-socorro. Tomei e não tive nada, de verdade.

Eu e meu marido não tivemos nada. A única coisa que ele teve foi sono e eu nem isso tive. Tive uma dor no local, como qualquer vacina na aplicação, mas só.

Aqui ainda tem apreensão. Mas eu não senti medo de vacinar com ela (a Sputnik V). No início, bem no início, os médicos não estavam aprovando muito tomar ela, mas a gente sempre recebeu vacina e nunca perguntou de onde vinha. E tem vários estudos afirmando que era uma boa vacina. Depois desses estudos, todo mundo foi vacinar. Eu só não tomei antes do porque não tinha disponibilidade.

Aqui eu vejo que principalmente os pacientes mais idosos querem porque querem a Sputnik. As outras, a gente vê muito efeito adverso. A AstraZeneca a gente viu muito efeito adverso. Todo mundo fala a mesma coisa, os pacientes falam que passaram muito mal. E não foi só um ou dois.

No centro de saúde, todo dia é um tipo de vacina e a gente vê a diferença. Com a Sputnik, ninguém tem nada. Nunca recebi alguém que tomou a Sputnik e reclamou de muita gripe. A AstraZeneca deixa muita dor no corpo, febre, dor de cabeça.

Nunca tive covid-19. Nem antes, nem depois da vacina. Também não conheço nenhum caso de pessoas que tomaram a vacina e pegaram depois. Tenho muitos colegas médicos que formaram comigo ou alguns anos antes e não tiveram nada, nada.

De verdade, no meu ponto de vista, as pessoas aqui abraçaram a vacinação. Aqui tem muita gente anciã, tem muito velho. E eles super abraçam, aceitam. Mas como trabalho com isso, vejo a preferência por uma e não por outra. As propagandas aqui trazem muita informação, de que uma tem risco de trombose, outra não. Por isso, eles querem mais uma do que a outra. Mas a gente tem que informar e dizer que não é bem assim. No fim, eles tomam e voltam para a segunda dose.

Para mim, era bom que as pessoas não tivessem essa questão de uma ou de outra. A vacina é a chance de a gente ficar livre de uma vez por todas dessa peste. Eu não queria ter a escolha de uma ou de outra, sabendo que todas vão trazer o resultado da prevenção. É como a da tuberculose que a gente toma criancinha: a vacina BCG não vai livrar da tuberculose, mas das formas graves, da mesma forma que a vacina da gripe.

Não é para as pessoas esperarem mais de uma do que da outra, achar que uma é melhor do que a outra. Todo mundo devia abraçar a que tiver e tomar. O quanto antes a gente tiver uma imunização em massa melhor para tentar voltar ao normal”.

Fonte: Correio 24 Horas Online

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