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O efeito político do coronavírus

Coronavírus – É um truísmo, mas vale repetir: problemas na economia não fazem bem para quem está no poder. A responsabilidade nem sempre cabe aos governantes, mas eles costumam pagar um preço alto quando os mercados saem do controle. É o primeiro fator a levar em conta para avaliar o impacto político da crise financeira que fez derreter os mercados globais ao longo o dia de ontem, o pior desde a crise financeira de 2008.

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É até natural que haja uma certa calma depois do pânico, mas a esta altura o estrago está feito. O “efeito coronavírus” será sentido nas economias de todo o planeta. Não é coincidência que o pânico tenha começado no setor mais relevante para o crescimento, o de energia. A queda brusca no preço do petróleo, resultado do conflito entre Arábia Saudita e Rússia sobre llimites à produção, foi apenas o estopim para um movimento há muito anunciado – e há muito temido.

Num sinal da inversão de valores que tomou conta das finanças globais, a crise foi provocada não pela alta no preço do petróleo, mas pela queda. Nos anos 1970, o preço mais alto drenava recurso dos investidores e era um sinal de recessão. Hoje, países como Estados Unidos ou Brasil já não dependem de petróleo importado. O preço baixo é reflexo da demanda menor e traduz a perspectiva reduzida de crescimento econômico, trazida pelo pânico em torno do impacto do novo coronavírus.

Tal impacto se estende por diversos setores. Dos mais óbvios, como o turismo, à indústria, afetada pela paralisia nas cadeias de produção vinculadas à China. Empresas cujo negócio depende de empréstimos serão as mais afetadas com o encarecimento do crédito, à medida que o capital foge para ativos mais seguros, como papeis do Tesouro americano, ouro e até o iene.

Os bancos centrais dos países ricos têm poucas armas à disposição. O americano Fed fez um corte preventivo de juros há uma semana, mas já está próximo do limite zero na capacidade de redução. A Casa Branca faz pressão para que o Fed repita seu papel na crise financeira e garanta liquidez aos mercados. Os limites à ação do Fed ficaram claros ontem quando o próprio Trump afirmou que falaria com o Congresso sobre cortes de impostos e um novo programa de estímulo econômico.

A dificuldade será muito maior do que em 2008, quando Barack Obama e George W.Bush deixaram de lado a rivalidade eleitoral e acertaram o primeiro pacote de estímulos, logo depois da quebra do banco Lehman Brothers em setembro. Num país polarizado, com o presidente mais impopular de sua história, é pouco verossímil que os democratas se animem a apoiar qualquer tentativa de Trump para salvar sua política econômica em meio aos escombros da crise financeira.

A reeleição de Trump passará a depender de como ele lidará com a crise do coronovírus. Os primeiros sinais, em que desdenhou os riscos apontados pelos epidemiologistas, não foram nada tranquilizadores. O desmantelamento dos programas de combate a pandemias nos últimos anos será explorado na campanha democrata. Será inevitável também comparar a desorientação dos Estados Unidos à reação chinesa que, embora de início vacilante, se revelou eficaz para conter o vírus.

Apesar dela, a China ainda levará tempo para se reerguer. Antes da crise, a guerra comercial promovida por Trump já esbarrava na dependência mútua das duas economias. Agora, a paralisia provocada pela Covid-19 na produção industrial mostra aos americanos (e a Trump) quão difícil, para não dizer inviável, seria o desacoplamento preconizado pelos assessores econômicos da Casa Branca.

O desprezo de Trump pela ciência – tanto médica quanto econômica –, pela academia e pelos “especialistas” que nem sempre lhe trazem boas notícias cobrará agora seu preço. A verdade, tão desprezada pelos novos populistas, é insidiosa, jamais desaparece. Tem o defeito singelo de se manifestar nas horas menos convenientes, como o ano eleitoral. Seria bom se o presidente Jair Bolsonaro, que já tratou de desprezar o novo coronavírus em declarações nos Estados Unidos, prestasse muita atenção ao que acontecerá neste ano a seu confrade Trump nas urnas.

É até natural que haja uma certa calma depois do pânico, mas a esta altura o estrago está feito. O “efeito coronavírus” será sentido nas economias de todo o planeta. Não é coincidência que o pânico tenha começado no setor mais relevante para o crescimento, o de energia. A queda brusca no preço do petróleo, resultado do conflito entre Arábia Saudita e Rússia sobre llimites à produção, foi apenas o estopim para um movimento há muito anunciado – e há muito temido.

Num sinal da inversão de valores que tomou conta das finanças globais, a crise foi provocada não pela alta no preço do petróleo, mas pela queda. Nos anos 1970, o preço mais alto drenava recurso dos investidores e era um sinal de recessão. Hoje, países como Estados Unidos ou Brasil já não dependem de petróleo importado. O preço baixo é reflexo da demanda menor e traduz a perspectiva reduzida de crescimento econômico, trazida pelo pânico em torno do impacto do novo coronavírus.

Tal impacto se estende por diversos setores. Dos mais óbvios, como o turismo, à indústria, afetada pela paralisia nas cadeias de produção vinculadas à China. Empresas cujo negócio depende de empréstimos serão as mais afetadas com o encarecimento do crédito, à medida que o capital foge para ativos mais seguros, como papeis do Tesouro americano, ouro e até o iene.

Os bancos centrais dos países ricos têm poucas armas à disposição. O americano Fed fez um corte preventivo de juros há uma semana, mas já está próximo do limite zero na capacidade de redução. A Casa Branca faz pressão para que o Fed repita seu papel na crise financeira e garanta liquidez aos mercados. Os limites à ação do Fed ficaram claros ontem quando o próprio Trump afirmou que falaria com o Congresso sobre cortes de impostos e um novo programa de estímulo econômico.

A dificuldade será muito maior do que em 2008, quando Barack Obama e George W.Bush deixaram de lado a rivalidade eleitoral e acertaram o primeiro pacote de estímulos, logo depois da quebra do banco Lehman Brothers em setembro. Num país polarizado, com o presidente mais impopular de sua história, é pouco verossímil que os democratas se animem a apoiar qualquer tentativa de Trump para salvar sua política econômica em meio aos escombros da crise financeira.

A reeleição de Trump passará a depender de como ele lidará com a crise do coronovírus. Os primeiros sinais, em que desdenhou os riscos apontados pelos epidemiologistas, não foram nada tranquilizadores. O desmantelamento dos programas de combate a pandemias nos últimos anos será explorado na campanha democrata. Será inevitável também comparar a desorientação dos Estados Unidos à reação chinesa que, embora de início vacilante, se revelou eficaz para conter o vírus.

Apesar dela, a China ainda levará tempo para se reerguer. Antes da crise, a guerra comercial promovida por Trump já esbarrava na dependência mútua das duas economias. Agora, a paralisia provocada pela Covid-19 na produção industrial mostra aos americanos (e a Trump) quão difícil, para não dizer inviável, seria o desacoplamento preconizado pelos assessores econômicos da Casa Branca.

O desprezo de Trump pela ciência – tanto médica quanto econômica –, pela academia e pelos “especialistas” que nem sempre lhe trazem boas notícias cobrará agora seu preço. A verdade, tão desprezada pelos novos populistas, é insidiosa, jamais desaparece. Tem o defeito singelo de se manifestar nas horas menos convenientes, como o ano eleitoral. Seria bom se o presidente Jair Bolsonaro, que já tratou de desprezar o novo coronavírus em declarações nos Estados Unidos, prestasse muita atenção ao que acontecerá neste ano a seu confrade Trump nas urnas.

Fonte: G1

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2020/02/27/empresa-dos-eua-anuncia-primeira-vacina-experimental-contra-o-coronavirus/

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