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O que aprender com a indústria farmacêutica da Índia?

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A pandemia da Covid-19 escancarou a dependência global da indústria farmacêutica por insumos produzidos em mercados como a Índia, fonte de cerca de 20% dos suprimentos de genéricos do mundo. Frente ao cenário atual, sediar uma produção local desses medicamentos provavelmente será uma missão ainda mais estratégica.

O que laboratórios brasileiros podem aprender com mercados como a Índia
Telma Salles, presidente executiva da PróGenéricos

Para Telma Salles, presidente executiva da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos (PróGenéricos), o Brasil precisa perder a  dependência externa no que diz respeito a insumos essenciais. “Temos que ser minimamente capazes de ter uma produção instalada para suprir nosso mercado, senão em tudo, mas naquilo que é essencial”, afirma.

O que laboratórios brasileiros podem aprender com mercados como a Índia
Reginaldo Arcuri, presidente-executivo do Grupo FarmaBrasil (GFB)

O Brasil é capaz de produzir uma quantidade significativa de remédios no território nacional, pois cerca de 75% da demanda é suprida pela indústria farmacêutica instalada localmente. “No entanto, para a produção desses medicamentos, somos 76,4% dependentes de importações de IFAs”, explica Reginaldo Arcuri, presidente executivo do Grupo FarmaBrasil (GFB), entidade que reúne 12 empresas de capital nacional: AchéBiolabBiommBionovisBlanverCristáliaEMSEurofarmaHebronLibbsOrygen e Recepta.

O que laboratórios brasileiros podem aprender com mercados como a Índia
Sylvia Hacker, head de novos negócios da Sauad Farmacêutica

De acordo com Sylvia Hacker, head de novos negócios da Sauad Farmacêutica, pertencente ao grupo Neopharma, falta uma política urgente de ações integradas, voltadas para uma autonomia mínima para a fabricação de insumos, com menos burocracias. “Não dá para depender 90% de importação. O ideal seria meio a meio, lembrando que a importação também é uma forma de obter competitividade e implementar inovações tecnológicas”, afirma.

Na década de 1980, o Brasil tomou decisão de que não iria investir em IFA. Desde então, são raras as indústrias locais especializadas em insumos. Para Telma, não é possível uma fábrica de IFA somente para produção nacional. “Os custos de matéria-prima envolvem valores vultosos e uma produção dedicada. Precisamos ter uma indústria de insumos vigorosa, com capacidade para concorrer com a Índia. Mas para isso é preciso de volume para ter preços mais competitivos. A produção de insumos no Brasil acaba ficando cara, pois o custo é alto, nossa mão de obra é mais elevada e temos muitos impostos”, lamenta.

Indústria de defesa

Para Arcuri, a indústria farmacêutica de capital nacional é capaz de responder aos desafios de produzir mais com qualidade, com inovação e reduzir a dependência externa do país. “Um dos aspectos que consideramos principais é o enquadramento da indústria farmoquímica e farmacêutica como produto estratégico de defesa (PED) e empresa estratégica de defesa (EED), definidos pela Lei 12.598/2012”, ressalta.

“Os governos de diversos países estão acelerando seus investimentos em produtos farmacêuticos porque suas estratégias de segurança agora aspiram não somente o desenvolvimento nacional como também defender populações contra ameaças baseadas na saúde, como bioterrorismo e pandemias”, explica.

Principais barreiras na indústria farmoquímica

Estima-se que 70% dos cerca de 2,3 mil produtores de IFAs registrados no mundo estão localizados na China e na Índia, países muito competitivos em custo. Outra parte da explicação para as menores margens obtidas pela indústria farmoquímica é o seu alto grau de fragmentação, que contribui para a acirrada rivalidade entre os concorrentes.

A história recente da indústria farmoquímica internacional está permeada por um movimento mais amplo de internacionalização da atividade produtiva. “Em busca de menores custos, as empresas líderes de diversos setores industriais oriundas dos Estados Unidos e da Europa deslocaram-se para outros países. Por meio de diversas políticas públicas, países como a Índia conseguiram fortalecer suas empresas nacionais e adquiriram competências tecnológicas e de produção.

Indústria nacional competitiva

O Brasil continua a importar, de forma crescente, medicamentos de todos os tipos, principalmente aqueles de maior valor agregado, contribuindo para os elevados déficits em balança comercial do conjunto das indústrias relacionadas à saúde. As importações de medicamentos alcançaram US$ 7 bilhões em 2019, sendo US$ 2 bilhões (30%) apenas de medicamentos biotecnológicos.

O país importou um montante expressivo de produtos de elevado valor agregado como os medicamentos biológicos. Durante o ano de 2019, a categoria de medicamentos imunoterápicos acabados (em doses ou prontos para venda a retalho) liderou as importações, atingindo US$ 1 bilhão.

Nesse aspecto, é oportuno destacar a relevância de fabricar os produtos biológicos localmente. “As empresas associadas ao Grupo FarmaBrasil têm esse compromisso, por meio das Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDPs), sobretudo para a produção de infliximabe, betainterferona 1A, etanercepte, golimumabe, certolizumabe pegol, rituximabe, trastuzumabe, bevacizumabe, palivizumabe, insulinas, tocilizumabe, adalimumabe, dentre outros”, finaliza Arcuri.

Fonte: Redação Panorama Farmacêutico

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