fbpx
O maior canal de informação do setor

Pacientes acusam falta de remédio de R$ 6 mil em farmácia de alto custo no interior de SP

261

Desde dezembro de 2021, o desenvolvedor de sistemas Igor Henrique Guimarães encara a fila da farmácia de alto custo em Ribeirão Preto (SP) e recebe a mesma resposta: que o remédio para o tratamento dele contra doença de Crohn está em falta.

“A gente nunca tem a informação do que está acontecendo realmente. A gente vem aqui e sempre está em falta. Algumas pessoas, às vezes, até conseguem pegar, mas parece que a quantidade abastecida não é a necessária para todo mundo.”

A doença de Crohn é um processo inflamatório e crônico que afeta o revestimento da parede do trato digestivo. Não há cura, mas existe um medicamento de controle chamado infliximabe. A aplicação precisa ser feita a cada oito semanas e em doses diferentes conforme a necessidade do paciente.

Cada ampola custa R$ 6 mil. Sem ter como pagar, Igor recorre à farmácia de alto custo. Mas, nos últimos meses, tem voltado para casa sem os frascos com os ativos capazes de controlar as dores e o mal estar causados pela doença.

“[A falta de medicação] pode causar danos ao nosso intestino, a todo nosso sistema digestivo, então isso acaba impactando na nossa vida. Tem pessoas que precisam fazer cirurgia para tentar ter uma qualidade de vida melhor por conta da doença”, afirma Igor.

Preço inacessível

A farmácia de alto custo fornece à população remédios que se tornam inacessíveis aos pacientes por causa do preço elevado. Muitos são para tratamentos de doenças crônicas e de uso contínuo, e a interrupção pode significar retrocesso no tratamento, perda de qualidade de vida e até risco de morte.

De acordo com o advogado Robson Firmino, a Constituição Federal afirma que o acesso à saúde é um direito do cidadão e é um dever do estado.

“Se o Estado não está dando esse direito, ele está falhando com o cidadão. A pessoa pode se privar também de ir ao trabalho, de ir à escola, de ter uma vida social. Então impacta em todos os seus direitos, constitucionalmente garantidos.”

Drama

Desde setembro sem o remédio, a biomédica Gisele Bulhões só conseguiu a medicação em fevereiro. Ela convive com a doença há 12 anos, mas teme retrocessos na saúde por causa da falta de acesso às ampolas.

“Eu posso ter todos os sintomas novamente por conta do período não ser feito da maneira correta, o tempo da infusão, que é de oito em oito semanas. Fica uma angústia até mesmo com as pessoas próximas que também têm Crohn. Tem pessoas que precisam de mais ampolas, maior quantidade de composto”, afirma.

Mãe de um adolescente de 15 anos diagnosticado com a doença, a dona de casa Agnes Marli Gomes afirma que o filho já começa a apresentar problemas na rotina, como ir à escola, por causa das dores pelo corpo.

“[Meu coração] fica desesperado, porque é uma criança de 15 anos, reclamando de dor direto, e não comendo, não fazendo o que ele gostaria de fazer, nem na escola ele está conseguindo ir por causa da dor. Ele gosta de assistir uma televisão, de jogar, ele não está conseguindo, fica o dia inteiro na cama [inaudível] para a dor parar.”

População prejudicada

O advogado Robson Firmino explica que o cidadão que se sentir prejudicado pode acionar o estado na Justiça.

“Na falta de medicamento no SUS, o cidadão pode pegar toda a documentação necessária, receita do medicamento, negativa do SUS e ajuizar uma ação perante o poder público, contra o Estado, requerendo o fornecimento imediato deste medicamento.”

A professora Daniela Rodrigues vive o drama com o filho Pietro, de 18 anos. Segundo ela, o jovem dá sinais de piora por causa das interrupções.

“Com a falta da medicação, as crises aumentam, então a gente acaba tendo um gasto maior, porque são vômitos, diarreias, dores. A gente acaba tendo que arcar com outras medicações para essas dores serem amenizadas.”

Daniela faz um apelo para que a farmácia seja abastecida e para que os pacientes possam ser atendidos.

“Meu pedido é que a Secretaria Municipal de Saúde olhe para a gente, busque uma ajuda para a gente, porque o remédio vem do governo federal, mas quando a gente adoece a gente procura o município, a gente procura o que está mais perto da gente para conseguir manter essa qualidade de vida.”

O que dizem as autoridades

Procurada, a Prefeitura de Ribeirão Preto disse que a farmácia de medicamentos de alto custo é responsabilidade do estado, mas que tem cobrado da Secretaria Estadual da Saúde e do Ministério da Saúde uma solução para o problema.

A Coordenadoria de Assistência Farmacêutica do estado afirmou que a compra e a distribuição dos medicamentos são de responsabilidade do Ministério da Saúde. Ainda de acordo com a Coordenadoria, a farmácia em Ribeirão Preto recebeu infliximabe esta semana.

Fonte: G1

Cadastre-se para receber os conteúdos também no WhatsApp  e no Telegram

Jornalismo de qualidade e independente O Panorama Farmacêutico tem o compromisso de disseminar notícias de relevância e credibilidade. Nossos conteúdos são abertos a todos mediante um cadastro gratuito, porque entendemos que a atualização de conhecimentos é uma necessidade de todos os profissionais ligados ao setor. Praticamos um jornalismo independente e nossas receitas são originárias, única e exclusivamente, do apoio dos anunciantes e parceiros. Obrigado por nos prestigiar!
Você pode gostar também

Esse site utiliza cookies para aprimorar sua experiência de navegação. Mas você pode optar por recusar o acesso. Aceitar Consulte mais informação