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Países ricos já reservaram 51% das doses de vacinas da Covid

Reino Unido, Estados Unidos e Canadá são países que já começaram a imunizar suas populações contra a Covid-19, utilizando a vacina produzida pela Pfizer/BioNTech. A farmacêutica foi a primeira a divulgar resultados de eficácia e a obter um registro de uma agência regulatória seguindo os protocolos usuais.

As informações são do jornal Folha de S.Paulo. Segundo a reportagem, outros países, como a Rússia e a China, já começaram a vacinação de uso emergencial de parte de suas populações, com imunizantes ainda em estudo. Países que fecharam acordos com as principais farmacêuticas aguardam agora a conclusão dos ensaios de fase 3 e registro das vacinas em suas agências regulatórias.

No entanto, segundo um artigo publicado nesta terça-feira (15) na revista científica BMJ, pelo menos um quarto da população mundial, ou 2 bilhões de pessoas, não deve receber a vacina antes de 2022. O estudo, feito por pesquisadores da Universidade Johns Hopkins (EUA), avaliou as compras de doses de 13 das principais produtoras de vacinas acordadas até o dia 15 de novembro. De acordo com os resultados, já foram feitas compras equivalentes a 7,48 bilhões de doses, suficientes para imunizar cerca de 3,8 bilhões de pessoas –considerando que as principais vacinas utilizam esquema de duas doses para imunização total.

Desse total, cerca de 51% foi reservado por países ricos, incluindo os EUA e toda a União Europeia, que representam menos de 14% da população mundial. O restante deve ser distribuído a países de renda média e baixa, que representam 85% da população mundial. Os EUA fizeram a compra de 800 milhões de doses, o equivalente a 2,5 doses por pessoa, e é o país com o maior número de casos no mundo –um quinto do total de casos global. Por outro lado, Japão, Austrália e Canadá reservaram, juntos, 1,03 bilhão de doses, embora os três países somados representem menos de 1% do total de casos de Covid-19 no mundo.

Os países de renda média e baixa são os que possuem a menor quantidade de doses reservadas per capita e devem ficar atrás na fila por uma vacina, dizem os pesquisadores. “Mesmo a OMS não conseguiu ainda juntar os U$ 5 bilhões (cerca de R$ 50 bilhões) necessários para garantir doses suficientes aos países assinantes do Covax”, afirma Anthony So, autor principal do estudo e pesquisador do Instituto de Saúde Internacional da Universidade Johns Hopkins.

Dos 189 países do consócio, 97 entraram com recursos para apoiar o consórcio, como foi o caso do Brasil. “O problema, no entanto, são os 92 países de renda média e baixa que estão contando com o dinheiro arrecadado pela OMS para ter acesso às vacinas. O objetivo da Covax de disponibilizar pelo menos 2 bilhões de doses até o final de 2021 pode estar comprometido se não conseguir arrecadar mais fundos”, diz.

Há, no entanto, pelo menos seis companhias que fecharam acordos com países de baixa renda. Entre esses acordos, a AstraZeneca/Oxford lidera na venda para países de média e baixa renda, com mais de 2 bilhões de doses já reservadas para essas populações. A farmacêutica fechou parcerias em países como Índia e Rússia para disponibilizar doses que serão então distribuídas para outros países que não puderam celebrar acordos individuais.

O Instituto Gamaleya desenvolve sua vacina Sputnik V em parceria com o Fundo Russo de Investimento Direto (RDIF, na sigla em inglês), e já fechou acordos para a distribuição de 349 milhões de doses fora da Rússia. Um desses países é o Brasil, mas os acordos, feitos com os governadores dos estados da Bahia e do Paraná, estão parados. A China é a terceira nação a contribuir com as doses aos países de baixa renda. Cerca de 135 milhões de doses das fabricantes CanSino e Sinovac serão distribuídas a países como Brasil, México, Indonésia e Chile.

Fonte: Redação Panorama Farmacêutico


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