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‘Pazuello acaba pagando por decisões que não são dele’, diz presidente da FNP

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FNP 

O presidente da FNP (Frente Nacional de Prefeitos) e ex-prefeito de Campinas, Jonas Donizette (PSB), disse que ficou alegre com o anúncio do governo federal de comprar vacinas da Pfizer, da Johnson&Johnson e outras. Para ele, é uma mudança de posição importante. ‘Isso mostra que o governo está seguindo um caminho que recomendamos um tempo atrás’, afirmou.

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Em entrevista ao Poder360, Donizette disse não tem ‘dúvidas’ que a ação do governo acontece em contrapartida à recentes ‘pressões’ para compra de mais imunizantes, como o anúncio do consórcio da FNP e a aprovação no Congresso do projeto de lei que autoriza Estados e municípios a comprarem vacinas.

Assista abaixo (26min39seg):

Em 23 de fevereiro, a FNP anunciou que formaria um consórcio público para compra de vacinas pelos municípios. Em 24 de fevereiro, o Senado aprovou o PL com a autorização para Estados e municípios. Na 3ª, o texto foi aprovado Câmara e seguiu para sanção presidencial. No dia seguinte, 4ª feira (3.mar), o Ministério da Saúde confirmou a compra de vacinas da Pfizer e da Johnson e Johnson.

O início do consórcio se deu na 2ª feira (01.mar) em uma reunião com prefeitos, onde foi anunciado que qualquer município poderia participar. O prazo para os prefeitos aderirem ao consórcio encerrou na 6ª feira (05.mar). Ao todo, 1.703 cidades manifestaram interesse em aderir ao consórcio. Juntos, abrangem mais de 125 milhões de brasileiros. A expectativa da FNP é que ainda em março haja contratos firmados. Eis a lista completa dos municípios que aderiram ao consórcio.

O presidente da FNP reforçou que tem um bom diálogo com o Pazuello e que o ministro da Saúde acaba pagando por escolhas que não são dele. ‘Muitas vezes ele fala algo e é desautorizado pelo presidente. Isso é muito ruim’, disse. Donizette citou como exemplo o episódio em que o ministro da Saúde assinou o termo de intenção de compra da CoronaVac em 20 outubro de 2020 e Bolsonaro vetou a compra no dia seguinte.

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De acordo com Donizette, quando surgiu o debate sobre seringas e agulhas para a vacinação em janeiro, ele procurou o ministro Pazuello e disse que os prefeitos cuidariam disso. Pediu ao ministro que conseguissem as vacinas, que os prefeitos vacinariam. ‘Não teve notícia de uma cidade que deixou de vacinar por causa de seringas ou por falta de agulhas. Então é importante registrar que os prefeitos estão fazendo sua lição de casa’, afirmou.

Além de esclarecer os próximos passos do consórcio público dos municípios para a compra de vacinas, o presidente da FNP comentou durante a entrevista sobre a diplomacia brasileira, a atuação do ministério da Saúde no pior momento da pandemia, as expectativas sobre a adesão dos prefeitos ao consórcio, o apoio à Anvisa e a negociação de vacinas.

Leia abaixo os principais pontos abordados na entrevista:

O senhor acha que uma troca de comando no Itamaraty teria feito com que o governo tivesse conseguido negociar antes com as farmacêuticas?

Gabriel, eu administrei por 8 anos [a cidade de Campinas]. Eu ficava muito contrariado quando alguém queria escalar meu time de auxiliares. Eu acho que a pessoa que ganha esse direito nas urnas ela tem todo esse direito.

Então eu não vou falar sobre troca. Eu vou emitir minha opinião sobre nosso chanceler. Eu acredito que ele [Ernesto Araújo] é uma pessoa que no próprio Itamaraty gera um desconforto. Nós sempre tivemos chanceleres com personalidades bastante aglutinadoras, pessoas que sabiam se relacionar.

Nós vivemos em um mundo que existe muitos conflitos locais. Se por um lado nós não temos guerras mundiais como nós tivemos em outras épocas, nós temos conflitos ideológicos, étnicos, religiosos, comerciais, que sempre existiram e será irão existir. Então eu não reconheço no chanceler Ernesto uma pessoa que está executando seu trabalho com maestria, digamos assim.

Agora trocar ou não trocar, aí cabe ao presidente Bolsonaro.

Qual a sua visão sobre o Ministério da Saúde nesse momento em que o país vive o pior momento da pandemia?

Veja só, a gente tem que falar o que é real. Não podemos pintar de cor de rosa as coisas. Está sendo muito difícil para o Brasil. Por exemplo, nós estamos em um momento que o presidente da República adiou por duas ou três vezes o pronunciamento em rede nacional.

Nós tivemos nos últimos dois dias recordes de mortes, né? E muitas vezes, as atitudes do presidente não correspondem ao que todo mundo está pedindo. Tem horas que eu tenho a sensação que ele, assim, joga mesmo para uma torcida organizada. E isso é muito ruim, muito ruim.

Então falta uma campanha nacional, falta uma fala unificada. Porque se eu falo uma coisa, vem um governador e fala outra e o presidente vem e fala outra, o povo fala: em quem eu vou acreditar? Ou então uma parcela da população acredita em um e desacredita do outro. É esse o momento que infelizmente a gente está vivendo no Brasil.

Então eu acho que a parte organizacional, de centralização das decisões, ela está muito deficitária. Muito ruim. Por isso, por exemplo, que nós tomamos a iniciativa que tomamos.

É o que eu falei para você durante nossa conversa. Cabe ao prefeito, chegou a vacina, então eu vou aplicar, vai ser em tal posto de saúde, vai ser em tal ginásio. Esse é o papel do prefeito.

Agora a gente vai ficar de braços cruzados, vendo que a população está sem vacina? Não. A gente vai tomar atitude. E ao tomar esse atitude, eu acho que tem duas coisas: primeiro, é o resultado que a gente objetiva ter. Segundo, você acaba fazendo com que os outros se mexam para poder cumprir as suas obrigações.

Então falta sim uma coordenação nacional. Vou usar uma expressão bem militar para casar com esse momento que a gente está vivendo: uma ordem unida. Acho que falta isso no combate a pandemia.

Se o Ministério da Saúde concretizar as compras das vacinas da Pfizer, da Janssen, da Sputinik, o consócio de municípios também serve para outras áreas, como insumos, equipamentos, medicamente, certo?

Eu acabei de ter uma reunião de manhã e tomei uma decisão sobre isso. Serve sim, serve para outras áreas. Mas eu não quero ficar com essa coisa aberta indefinidamente. Então como eu assumi compromisso que amanhã a minuta do projeto de lei estará pronta para as prefeituras. Nós vamos cumprir esse compromisso.

E aí eu peço aos vereadores que estejam acompanhando, que nos ajudem. Para ter um tempo rápido na aprovação. Eu fui prefeito, eu sei que pode se chamar, por exemplo, duas sessões extraordinárias e resolver as vezes em um dia, né?

Eu falo que o Poder Legislativo quando quer trabalhar, ele faz as coisas. Você veja agora. Eu quero cumprimentar o Senado e a Câmara. Essa semana eles votaram, tiveram votações importantes aí. O projeto de lei da questão das vacinas, agora o Senado já aprovou o auxílio emergencial. Está para a Câmara agora fazer essa votação.

Nós não podemos viver num mundo de ‘Alice no mundo da fantasia’. O assunto agora é vacina. Eu lembro quando o presidente baixou aquele decreto de armas, muita gente me falou para falar sobre e eu falei: eu não vou falar de armas. Não vou falar de armas, eu vou falar de vacinas.

Agora é para falar de vacinas. Como nós vamos vacinar, quando vai vacinar, quantas vacinas tem. Esse é o assunto que a gente tem que estar gastando a energia nesse momento que nós estamos vivendo porque dele depende todos os outros.

Fonte: Poder 360

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2021/02/18/basf-cria-plataforma-para-pequenas-farmaceuticas/

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