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Queda de confiança tem impacto ainda limitado

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Queda de confiança tem impacto ainda limitado. Líderes de 24 categorias premiados ontem em São Paulo pelo “Executivo de Valor”: planos de expansão alinhados a uma visão de longo prazo para o país

Os índices de confiança da indústria, do comércio, da construção civil, do consumidor e dos empresários estão em queda. Mas, para parte dos líderes premiados ontem como “Executivo de Valor”, a lentidão no andamento das reformas e os atritos entre Executivo, Legislativo e Judiciário, que reduzem o otimismo, não chegam a prejudicar as atividades.

“Todos os empresários com quem eu converso, que dependem de um cenário macroeconômico equilibrado, me dão uma percepção otimista em relação aos passos que estão sendo dados em direção a um Estado menor, mais racional”, disse o presidente da MRV, Eduardo Fischer, vencedor na categoria indústria da construção.

Apesar da dificuldade de o governo aprovar uma reforma previdenciária, Luiz Pretti, presidente da Cargill no Brasil, premiado em agronegócio, não vê queda de confiança entre empresários do setor. “A Cargill continua investindo no país e seguiremos nosso cronograma para esse ano fiscal que se inicia em junho. Sabemos que teremos um ano com desafios pela frente e estamos prontos para enfrentá-los”, afirmou.

“A dificuldade de aprovação da reforma da Previdência já impactou a confiança. O que acontece é que as notícias mais recentes voltam a dar esperanças. Nunca se teve manifestação da população apoiando a Previdência como agora”, disse Júlio Fontana Neto, presidente da Rumo Logística, do setor de infraestrutura, durante o evento de premiação.

Tito Martins, da Nexa, premiado na categoria mineração e metalurgia

“Ainda que o cenário da economia brasileira seja de instabilidade, temos que ser otimistas e acreditar num cenário positivo a médio e longo prazos a partir do avanço das reformas necessárias”, disse Denise Santos, CEO da BP – Beneficência Portuguesa de São Paulo, premiada no setor de saúde. Ela prevê crescimento de 7% em 2019. “Temos planos concretos de expansão para este ano”, afirmou.

Para Manfredo Rübens, presidente da Basf para a América Latina, apesar de os índices de confiança estarem em queda, há otimismo. “[No Brasil] investimos com visão de longo prazo há mais de cem anos”, afirmou.

O presidente da Accenture, Leonardo Framil, disse que apesar de obviamente ainda existir um nível de incerteza importante, a empresa trabalha com cenário positivo e espera que as reformas sejam aprovadas ainda neste ano. “Vamos ultrapassar as diferenças que estamos tendo no curto prazo. Vamos conseguir unir os interesses pelo interesse maior, que é ver o país crescer.”

Premiado em logística e transportes, John Rodgerson, presidente da Azul, contou que este é o terceiro ano em que a empresa cresce mais de 10%. “Só este ano vamos investir mais de R$ 3 bilhões. Apesar da incerteza no cenário macroeconômico, a demanda continua saudável e o potencial de crescimento do transporte aéreo no Brasil continua altíssimo.”

Tito Martins, da Nexa Resources, avaliou que o grau de confiança dos empresários, atualmente, está diretamente vinculado às perspectivas de crescimento da economia. “À medida que a reforma da Previdência seja realizada, acredito que a confiança apresente crescimento no setor empresarial como um todo”, afirmou o executivo premiado em mineração e metalurgia.

“Começamos o ano com a atividade econômica se recuperando e notamos um arrefecimento a partir de abril. Acho que há mais incerteza do que queda na confiança. Precisamos aprovar o mais rápido possível a reforma da Previdência e a tributária. Com isso, o ânimo voltará”, disse Harry Schmelzer Jr., presidente da WEG. (Colaboraram Camila Maia, Ivo Ribeiro, Kauanna Navarro, Leila Souza Lima e Marli Olmos)

Fonte: Valor Online

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