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Real completa 27 anos com inflação em alta

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Criado como parte do Plano Real, que possuía o objetivo de estabilizar a economia brasileira, o Real completa 27 anos nesta quinta-feira. Lançada em 1994, a moeda foi essencial no combate à hiperinflação, que, no acumulado de 12 meses, chegou a atingir o índice de 4.922% em junho de 1994, de acordo com o Banco Central. Desde então, o índice que mede a variação dos preços e o poder de compra dos consumidores no país segue em um patamar consideravelmente mais baixo.

“Era horrível. Os preços eram muito altos e o salário não conseguia acompanhar”. Esta é a
primeira lembrança que o radialista Joaquim da Silva, 60 anos, tem do período anterior
ao lançamento do Real. “Você ia ao supermercado pensando que o produto tinha um preço, mas quando chegava lá era outro. Não tinha como fazer estoque porque não tinha dinheiro para comprar produtos numa quantidade maior, era simplesmente a sobrevivência”, completou.

Antes do Plano Real, o governo brasileiro chegou a implantar vários planos econômicos com o objetivo de frear a alta drástica dos preços. Apesar das tentativas, que envolveram o congelamento de preços, os cortes de zeros e o lançamento de moedas novas, a inflação seguia em patamar extremamente elevado.

Foi durante o governo de Itamar Franco, com o planejamento de Fernando Henrique Cardoso, que o índice voltou a níveis mais estáveis. “FHC montou uma equipe econômica que dividiu o programa em três fases: o ajuste fiscal, com o objetivo de organizar as contas públicas, a criação daUnidade Real de Valor (URV), que tinha a finalidade de criar um padrão e uma consciência coletiva para dar mais credibilidade a moeda que estava se estabelecendo e a criação de regras para a emissão da nova moeda, além do estabelecimento das metas de inflação”, explica o economista e professor do centro universitário UniFBV, Paulo Alencar.

Para o economista, a implantação do Real foi um sucesso, pois “acabou com a incerteza das pessoas para horizontes futuros e também permitiu que empresários realizassem financiamento a longo prazo. O próprio governo também conseguiu equilibrar suas contas públicas”.

Em 1995, primeiro ano em que a nova moeda circulou durante os 12 meses, a inflação do Brasil foi de 22%. Para Joaquim da Silva, a percepção foi de uma transformação na qualidade de vida. “A mudança foi significativa, a inflação baixou e praticamente não existia. O Real segurou os preços e ficou em um patamar que dava para comprar as coisas e planejar gastos futuros, a vida melhorou”, disse.

Inflação volta a assustar brasileiros
Apesar de se manter longe do patamar registrado antes do Plano Real, a inflação voltou a pressionar os brasileiros neste ano. Em maio, segundo balanço do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, ficou em 0,83%, maior resultado para o mês desde 1996. Nos últimos 12 meses, a alta acumulada foi de 8,06%.
Atualmente, a projeção do mercado financeiro é de que a inflação em 2021 seja de 5,97%. O número se distancia da meta estabelecida para o ano pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto, podendo variar entre 2,25% e 5,25%. De acordo com o IBGE, a alta mais recente do IPCA tem relação com o aumento da energia elétrica. Tanto a entrada em vigor da bandeira vermelha quanto a série de reajustes realizadas, em abril, em várias concessionárias de energia elétrica do país.

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/ibovespa-e-poupanca-renderam-menos-do-que-a-inflacao-em-junho/ 

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