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Secretarias de Saúde apuram registros de aplicação de vacina fora da validade

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Secretarias de Saúde informaram na sexta-feira (2) apurar registros de aplicação de vacina da AstraZeneca contra a covid-19 fora da validade. Levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo aponta cerca de 26 mil notificações de aplicações de doses vencidas. O Ministério da Saúde e os Estados afirmam ter distribuído os lotes dentro do prazo. Já as prefeituras negam injeções irregulares de doses, afirmam haver erros de registro e preveem fazer nova checagem dos dados.

Conforme a Folha de S. Paulo, esses imunizantes, de oito lotes importados AstraZeneca/Oxford, foram usados em 1.532 municípios do País. É possível consultar o lote do imunizante no cartão individual de vacinação. Ao Estadão, o ministério afirmou ter distribuído os produtos na data correta. Disse ainda caber ao gestor local o acompanhamento da validade dos frascos e da aplicação das doses.

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Já a data de validade de cada lote é informada pelo próprio Ministério da Saúde em comprovantes de distribuição de vacinas aos Estados. Cruzamento de dados realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo em ferramenta da organização Base dos Dados, que compila informações do governo federal, aponta cerca de 28 mil registros de aplicações cujas datas ultrapassam o prazo de vencimento dos lotes. A assessoria do Ministério da Saúde, porém, afirmou que pode haver inconsistências nos microdados. Gestores também apontam possíveis erros de preenchimento do sistema.

A Secretaria da Saúde paulista disse ter distribuído as doses dentro da validade e informou ter identificado 4.772 possíveis aplicações fora do prazo no sistema. Segundo o Estado, dados da plataforma de monitoramento ‘sugerem’ que imunizantes vencidos foram usados em 315 cidades. A gestão João Doria (PSDB) não descarta a hipótese de parte dos casos, na verdade, se tratar de erro no momento do registro. ‘A pasta está informando as prefeituras, que são as responsáveis pela aplicação das vacinas, para realizar busca ativa desta população’, disse.

Ainda segundo a Folha de S. Paulo, Maringá (PR) lidera o ranking de aplicações vencidas, com 3.536 vacinados nessa condição. Em comunicado, o secretário de Saúde da cidade, Marcelo Puzzi, nega uso de doses vencidas e atribui o problema a erro de sistema de registro. ‘O lançamento no Sistema Conect SUS está diferente do dia da aplicação da dose. Isso porque, no começo da vacinação, a transferência de dados demorava a chegar no Ministério da Saúde, levando até dois meses’, afirma. ‘Portanto, os lotes elencados são do início da vacinação e foram aplicados antes da data do vencimento. Concluindo, não houve vacinação de doses vencidas em Maringá e sim erro no sistema do SUS.’ Já a secretaria estadual do Paraná diz que vai investigar, mas que é ‘preciso ponderação neste momento’.

O governo gaúcho afirmou que vai fazer conferência das notificações e disse ter plano de contingência caso seja confirmada a aplicação indevida. ‘Segundo relatos da Organização Mundial da Saúde, o risco se dá em relação à diminuição do efeito protetor da vacina e não ao risco de evento adverso pelo prazo de validade’, afirmou. Já a capital do Rio informou que também vai fazer o levantamento e, se houver aplicação fora do prazo, haverá revacinação.

Em nota, a Fiocruz informou que os oito lotes não foram produzidos pela instituição brasileira, mas foram fabricadas pelo Instituto Serum, da Índia, ou recebidas via Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). A instituição disse ainda estar apoiando o Programa Nacional de Imunizações (PNI) na busca de informações junto ao fabricante, na Índia, para subsidiar as orientações a serem dadas àqueles que possam ter tomado a vacina vencida.

Já a Anvisa, também em nota, disse ter não ter recebido ‘pedido de análise sobre a ampliação do prazo de validade da vacina da AstraZeneca ou foi consultada sobre a aplicação do produto fora do prazo definido em bula’. Acrescentou ainda que ‘vacinas com prazo de validade expirado não têm garantias de eficácia e segurança’.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) destacaram que não está descartado erro no sistema de registro de dados, mas disseram que todos os casos serão investigados. ‘A ação de Estados e Municípios visa dar rápida resposta à sociedade brasileira. Ressaltamos que todos os profissionais destacados pelos municípios para aplicação das vacinas adotam as boas práticas de vacinação, dentre as quais, a checagem do prazo de validade.’ As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Fonte: O Sul

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