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SUS pode passar a oferecer implante contraceptivo

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A oferta de métodos contraceptivos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) poderá ser ampliada. A Secretaria de Assistência à Saúde do Ministério da Saúde aguarda avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC)2 sobre pedido de incorporação do implante subcutâneo contraceptivo. A recomendação deverá ser divulgada no início de fevereiro e seguirá para consulta pública para participação da sociedade no processo de tomada de decisão.

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A taxa de gestação não planejada no Brasil é alta, 55,4% de todos os partos não são planejados, o que representa 1,8 milhão de gestações não planejadas anualmente3. O país gasta R$ 4,1 bilhões por ano com gestações não planejadas, sendo que 70% são custos com complicações do bebê e, desse valor, 52% são gastos com readmissão hospitalar no primeiro ano4.

A solicitação de inclusão de contraceptivos reversíveis de longa ação – implante e dispositivo intrauterino hormonal – no mercado público foi avaliada (e recusada) pela CONITEC em 2016. “Lamentamos o parecer negativo na ocasião, mas estamos confiantes de que essa nova avaliação trará maior entendimento sobre os benefícios do método para a população”, avalia Marta Finotti, ginecologista e obstetra que esteve à frente do pedido de inclusão realizado pela Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO).

Diante do impacto socioeconômico de gestações não planejadas, sobretudo em mulheres mais vulneráveis, como usuárias de drogas, moradoras de rua e jovens, os métodos contraceptivos de longa ação representam um dos investimentos mais custo-efetivos que um país pode realizar para o bem das próximas gerações, completa Rogério Bonassi Machado, ginecologista e atual presidente da Comissão Nacional Especializada em Anticoncepção da FEBRASGO. “Os métodos reversíveis de longa ação, que não dependem da lembrança e do uso correto pela usuária para fazer efeito, são os mais indicados para a prevenção da gravidez não planejada, além de reduzir o risco de mortalidade e de complicação gestacional e neonatal e reduzir custos com saúde pública”, complementa.

Eficácia real dos métodos contraceptivos

Quando analisada a eficácia dos métodos contraceptivos no uso na vida real, o implante atinge as melhores taxas, por isso é considerado o mais efetivo por instituições de saúde como a Organização Mundial de Saúde e Centro de Controle de Doenças dos EUA:

EFICÁCIA DOS MÉTODOS CONTRACEPTIVOS
Periodicidade Método Risco de gestação por ano (uso perfeito) Risco de gestação por ano (uso típico) Oferecido pelo SUS?
– Nenhuma forma de prevenção 85 em 100 mulheres 85 em 100 mulheres
Métodos de uso contínuo ou de curta ação Preservativo 200 a 500 em 10.000 mulheres 1.800 a 2.100 em 10.000 mulheres Sim
Pílula, anel vaginal, adesivo semanal 30 em 10.000 mulheres 900 em 10.000 mulheres Sim
Injetável trimestral 20 em 10.000 mulheres 600 em 10.000 mulheres Sim
Métodos reversíveis de longa ação DIU de cobre 60 em 10.000 mulheres 80 em 10.000 mulheres Sim
DIU de levonogestrel 20 em 10.000 mulheres 20 em 10.000 mulheres Não
Implante de etonogestrel 5 em 10.000 mulheres 5 em 10.000 mulheres Não
Métodos irreversíveis Laqueadura 50 em 10.000 mulheres 50 em 10.000 mulheres Sim
Vasectomia 10 em 10.000 mulheres 15 em 10.000 mulheres Sim

Adaptado de Trussell J. Contraceptive failure in the United States. Contraception. 2011;83(5):397-404.

O que é o Implante subdérmico?

O implante é um bastonete flexível de 4 cm de comprimento que contém apenas etonogestrel em sua composição (um tipo de progestagênio), que é liberado gradualmente, durante 3 anos, impedindo a ovulação. Ele deve ser inserido debaixo da pele, na região do braço (procedimento realizado por profissional médico), com anestesia local.

Eficácia: 99,95% de eficácia contra gravidez, ou seja, estimativa de 5 gestações a cada 10 mil mulheres, por ano.

Vantagens:
• O implante é o método mais eficaz disponível atualmente segundo a Organização Mundial de Saúde
• Não apresenta os efeitos colaterais do estrogênio, inclusive pode ser usado na amamentação e fora dela;
• Doses hormonais baixas e constantes
• Menor probabilidade de esquecimento, por se tratar de uma troca de 3 em 3 anos

Desvantagens:
• Tendência a alterações do ciclo menstrual.

Fonte: Rede Press

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