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Progresso está lento para alcançar metas de HIV até 2020

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Um novo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) emite um alerta duro aos países. No documento lançado hoje, em Paris, durante um evento coorganizado pela Coalition PLUS, o organismo aponta que a resposta global ao HIV está em um ponto delicado.

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“Regiões inteiras estão ficando para trás, os enormes avanços que alcançamos para as crianças não estão sendo mantidos, as mulheres ainda são as mais afetadas, os recursos ainda não correspondem aos compromissos políticos e as populações-chave continuam sendo ignoradas”, afirmou o chefe do UNAIDS, Michel Sidibé.

Progresso está lento para alcançar metas de HIV até 2020

Diretor-executivo do UNAIDS, Michel Sidibé, em Paris durante o lançamento do novo relatório global do programa da ONU. Foto: UNAIDS

Um novo relatório do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) emite um alerta duro aos países. No documento lançado hoje, em Paris, durante um evento coorganizado pela Coalition PLUS, o organismo aponta que a resposta global ao HIV está em um ponto delicado. Na metade do caminho para as metas de 2020, a publicação Um longo caminho a percorrer — fechando lacunas, quebrando barreiras, corrigindo injustiças adverte que o ritmo do progresso não está em linha com a ambição global. O relatório exige ações imediatas que coloquem o mundo no caminho certo para atingir os objetivos cruciais de 2020.

“Estamos acionando o alarme”, disse Michel Sidibé, diretor-executivo do UNAIDS. “Regiões inteiras estão ficando para trás, os enormes avanços que alcançamos para as crianças não estão sendo mantidos, as mulheres ainda são as mais afetadas, os recursos ainda não correspondem aos compromissos políticos e as populações-chave continuam sendo ignoradas. Todos esses elementos estão impedindo o progresso e precisam ser encarados de frente urgentemente.”

Crise na prevenção ao HIV

O número de novas infecções por HIV está aumentando em cerca de 50 países e as novas infecções globais por HIV caíram apenas 18% nos últimos sete anos, de 2,2 milhões em 2010 para 1,8 milhão em 2017. Embora seja quase metade do número de novas infecções em comparação com o pico registrado em 1996 (3,4 milhões), o declínio não é rápido o suficiente para alcançar a meta de menos de 500 mil pessoas até 2020.

A redução de novas infecções por HIV tem sido mais acentuada na região mais afetada pela epidemia, o Leste e o Sul da África, onde o número de novas infecções por HIV caiu 30% desde 2010. No entanto, no Leste europeu e na Ásia Central, o número anual de novas infecções por HIV dobrou e as novas infecções por HIV aumentaram em mais de 25% no Oriente Médio e no Norte da África nos últimos 20 anos.

A ampliação do tratamento em grande escala não deve ser dada como certa

Devido ao impacto da implantação da terapia antirretroviral, o número de mortes relacionadas à AIDS é o menor deste século (940 mil), tendo caído para menos de 1 milhão pela primeira vez em 2016. No entanto, o ritmo atual de declínio não é rápido suficiente para alcançar a meta para 2020 de menos de 500 mil mortes relacionadas à AIDS.

Em apenas um ano, mais 2,3 milhões de pessoas iniciaram o tratamento antirretroviral. Este é o maior aumento anual na história, elevando o número total de pessoas em tratamento para 21,7 milhões. Quase 60% dos 36,9 milhões de pessoas que vivem com HIV estavam em tratamento em 2017, o que representa uma conquista importante. Mas, para alcançar a meta de 30 milhões, é necessário um aumento anual de 2,8 milhões de pessoas, e há indícios de que essa taxa de ampliação está se desacelerando.

Regiões oeste e central da África estão ficando para trás

Apenas 26% das crianças e 41% dos adultos que vivem com HIV tiveram acesso ao tratamento nas regiões oeste e central da África em 2017, em comparação com 59% das crianças e 66% dos adultos no Leste e Sul do continente. Desde 2010, as mortes relacionadas à AIDS diminuíram 24% nas regiões oeste e central da África, em comparação com um declínio de 42% no Leste e Sul do continente.

A Nigéria responde por mais da metade (51%) da epidemia de HIV na região e obteve pouco progresso na redução de novas infecções por HIV nos últimos anos. As novas infecções por HIV caíram apenas 5% (9 mil) em sete anos (de 179 mil para 170 mil), e apenas uma em cada três pessoas vivendo com HIV está em tratamento (33%), embora a cobertura para tratamento tenha crescido na comparação com os 24% de dois anos atrás.

Progresso para as crianças diminuiu

O relatório mostra que os ganhos alcançados para as crianças não estão sendo mantidos. Novas infecções por HIV entre crianças diminuíram apenas 8% nos últimos dois anos. Só metade (52%) de todas as crianças que vivem com HIV estão recebendo tratamento; 110 mil crianças morreram por doenças relacionadas à AIDS em 2017. Embora, em 2017, 80% das mulheres grávidas vivendo com HIV tenham conseguido acesso a medicamentos antirretrovirais para prevenir a transmissão do HIV para seus bebês, um número inaceitável de 180 mil crianças foram infectadas pelo vírus durante o parto ou amamentação — longe da meta de menos de 40 mil até o final de 2018.

“Uma criança infectada com HIV ou uma criança morrendo por causas relacionadas à AIDS é inaceitável”, disse Sidibé. “Acabar com a epidemia de AIDS não é uma certeza e o mundo precisa responder a esse alerta e dar o pontapé inicial para um plano de aceleração para alcançar as metas.”

Populações-chave representam quase metade de todas as novas infecções por HIV em todo o mundo

O relatório também mostra que populações-chave não estão sendo suficientemente levadas em consideração pelos programas de HIV. Populações-chave e seus parceiros sexuais respondem por 47% das novas infecções por HIV no mundo e por 97% das novas infecções pelo HIV no Leste europeu e Ásia Central, onde um terço das novas infecções por HIV se concentra entre as pessoas que usam drogas injetáveis.

Metade de todas as profissionais do sexo em Suazilândia, Lesoto, Malauí, África do Sul e Zimbábue vivem com HIV. O risco de contrair HIV é 13 vezes maior entre as mulheres trabalhadoras do sexo, 27 vezes maior entre os homens que fazem sexo com homens, 23 vezes maior entre as pessoas que usam drogas injetáveis e 12 vezes maior entre mulheres transexuais.

“O direito à saúde para todos é inegociável”, disse Sidibé. “Profissionais do sexo, homens gays e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas privadas de liberdade, migrantes, refugiados e pessoas trans são os mais afetados pelo HIV, mas ainda estão sendo deixados de fora nos programas de HIV. Mais investimentos são necessários para alcançar essas populações-chave.”

O estigma e a discriminação persistem

Discriminação por profissionais de saúde, policiais, professores, empregadores, pais, líderes religiosos e membros da comunidade está impedindo que jovens, pessoas que vivem com HIV e populações-chave tenham acesso à prevenção, ao tratamento e a outros serviços de saúde sexual e reprodutiva.

Em 19 países, entre pessoas vivendo com HIV que responderam a pesquisas, uma em cada cinco relatou que teve assistência médica negada e uma em cada cinco evitou buscar um serviço de saúde por medo de estigma ou discriminação relacionados ao seu estado sorológico positivo para HIV. Em cinco dos 13 países com dados disponíveis, mais de 40% das pessoas disseram achar que as crianças que vivem com HIV não devem frequentar a escola com crianças que são HIV-negativas.

“As comunidades estão ecoando o apelo do UNAIDS”, disse Vincent Pelletier, diretor-executivo da Coalition PLUS. “Precisamos de acesso universal a serviços de prevenção adaptados e proteção contra a discriminação. Apelamos aos líderes mundiais para que combinem compromissos com financiamento, tanto nos países doadores como nos países implementadores.”

Nova agenda necessária para acabar com a violência contra as mulheres

Em 2017, cerca de 58% de todas as novas infecções pelo HIV entre adultos com mais de 15 anos de idade ocorreram entre mulheres. A cada semana, 6,6 mil mulheres jovens — de 15 a 24 anos — contraíram HIV no ano passado. O aumento da vulnerabilidade ao HIV tem sido associado à violência. Mais de uma em cada três mulheres em todo o mundo sofreram violência física ou sexual, muitas vezes nas mãos de seus parceiros íntimos.

“A desigualdade, a falta de empoderamento e a violência contra as mulheres são violações dos direitos humanos e continuam agravando o risco de novas infecções pelo HIV”, disse Sidibé. “Não devemos desistir de nossos esforços para enfrentar e erradicar o assédio, abuso e violência, seja em casa, na comunidade ou no local de trabalho.”

As metas 90–90–90 podem e devem ser alcançadas

Houve progresso rumo às metas 90-90-90. Três quartos (75%) de todas as pessoas que vivem com HIV foram testadas e agora conhecem seu estado sorológico positivo para o vírus; das pessoas que foram testadas, 79% tinham acesso ao tratamento em 2017; e das pessoas com acesso ao tratamento, 81% tinham carga viral suprimida. Os compromissos do UNAIDS preveem que os três índices cheguem a 90% até 2020.

Seis países — Botsuana, Camboja, Dinamarca, Suazilândia, Namíbia e Holanda — já alcançaram as metas 90–90–90 e outros sete estão prestes a alcançá-las. A maior lacuna está nos primeiros 90: nas regiões oeste e central da África, por exemplo, apenas 48% das pessoas que vivem com o HIV foram diagnosticadas.

Um grande ano para a resposta à tuberculose

Houve avanços no tratamento e diagnóstico do HIV entre pessoas com tuberculose (TB) — cerca de nove em cada dez pessoas com TB e que foram diagnosticadas com HIV estão em tratamento. No entanto, a tuberculose ainda é a maior causa de mortes de pessoas que vivem com o HIV. Três em cada cinco pessoas que iniciam o tratamento do HIV não são examinadas, testadas ou tratadas para tuberculose. A Reunião de Alto Nível das Nações Unidas sobre Tuberculose, em setembro de 2018, é uma oportunidade para impulsionar os esforços em prol das metas de TB relacionadas ao HIV.

O custo da inação

Cerca de 20,6 bilhões de dólares estavam disponíveis para a resposta à AIDS em 2017 — um aumento de 8% desde 2016 e o equivalente a 80% da meta de 2020 estabelecida pela Assembléia Geral das Nações Unidas. No entanto, não houve novos compromissos significativos e, como resultado, é improvável que esse aumento anual de recursos se sustente. Só será possível alcançar as metas de 2020 se os financiamentos de doadores e de fontes domésticas aumentarem.

Caminhos à frente

De vilarejos no Sul da África a aldeias remotas na Amazônia e megacidades na Ásia, as dezenas de inovações contidas nas páginas do relatório mostram que a colaboração entre sistemas de saúde e comunidades individuais pode reduzir de forma bem-sucedida o estigma e a discriminação, além de prestar serviços à grande maioria das pessoas que mais precisam deles.

Essas abordagens inovadoras continuam a impulsionar soluções necessárias para atingir as metas de 2020. Quando a prevenção combinada do HIV — incluindo preservativos e circuncisão masculina médica voluntária — for adotada em grande escala, o declínio de novas infecções em nível populacional será alcançado. A profilaxia pré-exposição (PrEP) já tem demonstrado impacto, particularmente entre populações-chave. Oferecer testagem e aconselhamento a membros da família e parceiros sexuais de pessoas diagnosticadas com HIV melhorou significativamente o acesso aos testes.

O Leste e o Sul da África têm visto significativos investimentos nacionais e internacionais, junto com um forte compromisso político e envolvimento da comunidade, e estão mostrando um progresso significativo no cumprimento das metas de 2020.

“Para cada desafio, há uma solução”, disse Sidibé. “É responsabilidade dos líderes políticos, dos governos nacionais e da comunidade internacional fazer investimentos financeiros suficientes e estabelecer os ambientes jurídicos e políticos necessários para levar o trabalho de quem está inovando nesta área para uma escala global. Se fizermos isso, criaremos o impulso necessário para alcançar as metas até 2020.”

Fonte: ONU

Veja também: https://panoramafarmaceutico.com.br/2021/02/18/basf-cria-plataforma-para-pequenas-farmaceuticas/

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