DaColônia fatura R$ 418 milhões por ano investindo em inovação
Expansão do portfólio, aposta em produtos funcionais e avanço no canal de farmácias impulsionam o crescimento da empresa gaúcha e consolidam sua liderança no segmento de amendoim
por Ana Claudia Nagao em
Na beira da estrada entre Porto Alegre e o litoral norte do Rio Grande do Sul, uma fábrica onde saem mais de 2 milhões de paçocas por dia simboliza o crescimento meteórico da DaColônia. O negócio familiar fechou 2024 com aproximadamente R$ 418 milhões em faturamento, impulsionado por tradição, inovação e expansão pelo Brasil. As informações são da Exame.
A empresa, que começou com doces artesanais feitos no quintal da casa, hoje é uma referência no setor de alimentos à base de amendoim e projeta quase meio bilhão de faturamento para 2025.
História da DaColônia mudou com uso de amendoim
A história da DaColônia remonta a 1962, quando o fundador Israel Gomes de Freitas fabricava rapaduras de melado para vender a ambulantes em Santo Antônio da Patrulha (RS). O negócio familiar ganhou outra dimensão com a entrada do amendoim na produção, que acabou dando origem a ícones da marca como paçoca e pé de moleque, hoje responsáveis por grande parte das vendas.
Com um portfólio que ultrapassa 250 itens, dos quais cerca de 70% são à base de amendoim, a DaColônia vem ampliando sua atuação ao lançar produtos alinhados às tendências atuais de consumo. Entre as apostas estão barrinhas de proteína veganas, snacks sem açúcar e pastas de amendoim, que têm conquistado nichos específicos, como o público fitness e o canal de farmácias.
Farmácia é canal estratégico
Um dos principais exemplos dessa estratégia é a marca AmendoPower, lançada em 2015. Hoje, ela responde por 13% da receita da empresa e ajudou a companhia a alcançar a liderança nacional na categoria, com 33,6% de participação em volume, segundo dados da Scanntech.
Atualmente, os produtos estão presentes em 2.600 farmácias em todo o Brasil, incluindo redes como São João, Panvel, Drogaria Araújo e Preço Popular. A meta é chegar a 4 mil pontos de venda nesse canal.
Nesse ambiente, os itens mais procurados são as barrinhas de proteína veganas, as pastas de castanha-de-caju e os doces sem açúcar, impulsionados pelo maior interesse dos consumidores por produtos naturais e funcionais.
“A farmácia virou um ponto de venda estratégico. O consumidor ali já está pensando em bem-estar. Se ele encontra uma paçoca sem açúcar ou uma barrinha proteica gostosa, leva junto”, afirma Willian Freitas, neto do fundador e diretor da empresa.
Embora o interior gaúcho ainda responda por uma parcela importante das vendas, hoje 65% do faturamento vem de fora da região Sul, com distribuição em mais de 30 mil pontos de venda pelo país, evidência da expansão nacional planejada pela família.
Parte dessa estratégia inclui a discussão sobre abrir uma nova unidade produtiva em São Paulo para reduzir custos logísticos, já que a matéria-prima vem de longe e precisa ser transportada para a fábrica antes de seguir aos mercados consumidores.
A DaColônia também atua internacionalmente, exportando para mais de 20 países, ainda que desafios como tarifas e custos de exportação representem obstáculos a serem superados.