Empreendedora cresceu na farmácia e agora lidera expansão
Caroline Furlan comanda a AC Farma Dalila, no interior de Santa Catarina e onde atua desde a infância
por César Ferro em
A farmacêutica Caroline Furlan, de 41 anos, cresceu entre prateleiras e balcões de farmácia. Não por acaso, ela tem apenas um ano a mais do que a empresa que hoje dirige – a AC Farma Dalila, de Urussanga (SC).
Para abrir a temporada do Minha História em 2026, o Panorama Farmacêutico apresenta a trajetória de uma profissional que cresceu no varejo farmacêutico e, atualmente, tem a missão de manter vivo o legado iniciado por sua mãe há quatro décadas.
Farmacêutica mantém vocação que nasceu no balcão
Em 1986, Dalila Furlan, então auxiliar de enfermagem em um hospital de Urussanga (SC), decidiu mudar de rumo, sem se afastar da área da saúde. Ao lado do marido, Antônio, abriu uma drogaria que levava seu nome.
A Farmácia Dalila era de pequeno porte – “uma portinha”, como define a filha –, mas se destacava pelo atendimento. “Minha mãe sempre ofereceu um cuidado muito humanizado, sem medir esforços para atender aos pacientes. Com apenas uma bicicleta, percorria a cidade para realizar atendimentos domiciliares, inclusive durante a madrugada”, relembra Caroline.
A proximidade com os clientes tornou-se uma marca registrada do negócio. Caroline começou a ajudar na farmácia desde muito pequena e, com o passar do tempo, começou a assumir mais responsabilidades.

Família entra para o associativismo nos anos 2000
A virada do milênio foi marcada por transformações na Farmácia Dalila. Além da transferência para um terreno mais amplo, onde permanece até hoje, o estabelecimento deu os primeiros passos rumo ao associativismo.
“Algumas amigas que também empreendiam no setor me convidaram para unir forças e reduzir custos com ações simples, como compras conjuntas ou o rateio na produção de sacolas. Assim surgiu a AC Farma”, conta. A iniciativa fortaleceu os empreendedores catarinenses, embora o alcance ainda fosse limitado até uma nova transformação.
Farmarcas profissionalizou gestão, mas trouxe desafios
No início da década de 2010, Caroline graduou-se em farmácia e passou a assumir papel central na gestão da empresa. O avanço profissional, no entanto, coincidiu com um momento delicado na esfera familiar. “Minha mãe recebeu diagnóstico de Alzheimer com apenas 55 anos. Ela ainda permaneceu na operação por um período, mas infelizmente isso se tornou inviável em curto prazo”, relata.
Foi nesse contexto que surgiu uma nova oportunidade. Em 2016, Valdenir Montanha, então líder da AC Farma, anunciou a união da rede de farmácias associativistas com a Farmarcas. Caroline e outros gestores viajaram a São Paulo (SP) para conhecer o projeto.
“A apresentação do projeto me impressionou e claramente nos levaria a um novo patamar de profissionalismo”, afirma. A transição, porém, exigiu adaptações. “Havia muitos processos e estava profundamente envolvida na operação. Recebemos uma grande quantidade de informações e ferramentas, e nos adaptar a esse novo cenário foi desafiador”, reconhece.

Unidade superou conservadorismo do mercado
Com cerca de 20 mil habitantes, Urussanga apresenta um mercado peculiar, marcado pela fidelidade dos consumidores. “Grandes redes já tentaram se estabelecer na região, mas drogarias tradicionais como a nossa, continuam sendo as preferidas”, afirma Caroline.
Mudanças mais profundas na identidade e na operação poderiam gerar resistência. No entanto, a transição ocorreu de forma natural. “A comunidade percebeu que, apesar da nova bandeira e do novo nome – AC Farma Dalila –, continuávamos a ser a mesma família”, ressalta.
Inovação e tradição levaram a faturamento recorde
Apesar do desempenho positivo, a gestora decidiu dar um novo passo oito anos depois da entrada na Farmarcas. Caroline apresentou à rede um projeto de ampliação da loja, com foco especial no mix de HPC, iniciativa inédita no varejo farmacêutico local.
“Recebi todo o apoio para tirar essa ideia do papel. Da organização da loja à definição do mix, tudo contou com a expertise da Farmarcas”, explica. Após a reforma, a unidade passou a ocupar um terreno de cerca de 300 m², sendo 200 m² destinados à área de vendas. Com o portfólio reformulado, o faturamento mensal cresceu de forma consistente, superando a marca do meio milhão de reais em dezembro.Consolidação é o foco para os próximos cinco anos
Com 17% de market share, Caroline ainda identifica espaço para expansão. “Quero aproveitar ao máximo tudo o que a Farmarcas oferece. Assim, poderemos atingir facilmente receita de R$ 700 mil a R$ 800 mil”, projeta. A abertura de uma segunda unidade não está descartada, especialmente após a recuperação dos investimentos da reforma, mas não é prioridade no momento. O principal objetivo, segundo ela, é consolidar a AC Farma Dalila como referência em atendimento humanizado. “Quero manter viva a memória do trabalho da minha mãe junto à comunidade e mostrar que o atendimento tradicional e humanizado pode caminhar, sim, lado a lado com as melhores práticas do mercado moderno”, finaliza.
