Split payment transforma gestão financeira das farmácias
Novo conceito entra em cena com a implementação da reforma tributária
Com a implementação da reforma tributária, cujo período de transição começa agora em 2026, um novo protagonista entra em cena, com potencial para mudar radicalmente a gestão financeira das farmácias. O sistema split payment prevê a divisão automática dos impostos no momento da venda, encerrando uma era em que as empresas financiavam o capital de giro com recursos que, por direito, pertenciam ao governo.
Para Leandro Curado, CEO da Curado e que integra a seção Os Especialistas do Panorama Farmacêutico, essa mudança impõe uma nova fase de profissionalização para o setor. “A partir de agora, a agilidade e a organização do fluxo de caixa não serão mais diferenciais, mas uma condição de sobrevivência”, alerta.
Split payment põe fim ao ‘caixa turbinado’
A lógica anterior ao split payment era simples. Quando uma farmácia vendia um produto que custava R$ 100 e cujo imposto era de R$ 10, o preço ao consumidor chegava a R$ 110. A loja podia ficar com esse valor em caixa por até 30 dias, o que possibilitava financiar operações diárias como se fosse um “empréstimo sem juros”.
Com o novo modelo, essa realidade acaba. Assim que o cliente efetuar o pagamento – seja por PIX, cartão ou boleto – a instituição financeira separará automaticamente a parcela do imposto e a enviará diretamente aos cofres públicos.
E quando o pagamento for em dinheiro?
Uma dúvida crescente no varejo farmacêutico é como o sistema tratará os pagamentos em dinheiro vivo. O split payment foi desenhado para funcionar de forma integrada com meios de pagamento eletrônicos. Para as transações em espécie, a regra é diferente e se enquadra na modalidade de split payment manual.
Vendas para o consumidor final
Quando um cliente pessoa física paga uma compra em dinheiro, nada muda. Não há como o sistema separar o imposto automaticamente. Nesse caso, a farmácia recebe o valor integral e fica responsável por recolher o tributo posteriormente, assim como ocorre atualmente.
“Embora as vendas em dinheiro continuem regidas pelo recolhimento tradicional, a tendência é que a digitalização dos pagamentos reduza cada vez mais essas operações”, analisa Curado.
Vendas para empresas
Se uma loja vende para outra empresa e recebe em dinheiro, a responsabilidade se inverte. A companhia compradora é quem deve fazer o recolhimento do IBS e da CBS diretamente ao Fisco.
Apesar dos impactos significativos, o split payment não entra em vigor em janeiro de 2026. Este ano será marcado pelos testes e adaptações à reforma tributária. Em 2027 começa a virada para o mercado B2B e, apenas em uma fase posterior – com data a ser definida –, haverá a expansão para o B2C. Será nessa fase que o valor recebido pelas farmácias mudará, mas a definição do quando dependerá da maturidade dos sistemas financeiros.
Adaptação não pode ficar para depois
Embora o split payment ainda não esteja em vigor, as farmácias que não parametrizarem agora seus sistemas podem enfrentar falhas fiscais e financeiras. Curado elenca os cinco principais passos para o setor.
1 – Controle financeiro fortalecido
A perda do capital de giro proveniente dos impostos exige um planejamento de caixa impecável. É fundamental ter projeções financeiras detalhadas, acompanhar o fluxo de caixa diariamente e manter reservas de emergência. Ferramentas de conciliação bancária e sistemas de gestão integrados deixam de ser um luxo e se tornam uma necessidade
2 – Revise o cadastro de produtos
Com a possibilidade de alíquotas reduzidas para medicamentos, a classificação fiscal correta de cada item (NCM) é crucial. Um erro no cadastro pode significar a perda de benefícios fiscais e o pagamento de mais impostos do que o devido
3 – Formalize todas as despesas
Para aproveitar os créditos tributários gerados no novo modelo de IVA, todas as despesas da farmácia devem estar vinculadas ao CNPJ e acompanhadas de nota fiscal
4 – Invista em tecnologia
Os softwares de gestão (ERPs) precisam ser atualizados para emitir as novas notas fiscais, controlar os créditos tributários e se comunicar com o sistema de split payment
5 – Busque assessoria especializada
A complexidade da legislação farmacêutica, somada às novas regras tributárias, torna indispensável o apoio de uma contabilidade especializada no setor. Um profissional experiente pode garantir a conformidade fiscal, otimizar o aproveitamento de benefícios e auxiliar no planejamento estratégico para enfrentar a mudança
Webinar sobre reforma tributária supera 100 inscritos em um dia
No dia 20 de janeiro, o Panorama Farmacêutico abriu as inscrições para o primeiro webinar da seção Os Especialistas em 2026. O evento, conduzido por Curado e justamente dedicado a debater os impactos da reforma tributária para farmácias, alcançou a marca de mais de 100 gestores inscritos em menos de 24 horas.
No dia 4 de fevereiro, o expert irá analisar os impactos da reforma tributária no varejo farmacêutico, destacando riscos, pontos de atenção e oportunidades de negócios que tendem a surgir nesse novo cenário. Entre os assuntos previstos estão:
- O que muda com a reforma tributária para o varejo farmacêutico
- Desafios práticos para adequação das farmácias
- Impactos na formação de preços e margens
- Oportunidades de ganho competitivo no novo modelo tributário
- Estratégias para atravessar o período de transição
- Sessão de perguntas e respostas ao vivo
A transmissão inaugura um novo formato de interação da seção com o mercado. A partir de agora, serão realizados webinars semanais e gratuitos todas as quartas-feiras, às 19h. Nesses encontros, os líderes e empresários poderão tirar dúvidas com especialistas de renome em nove áreas de atuação diferentes.