Fiocruz e Gilead costuram acordo para produção de injeção contra HIV
Produção nacional pode reduzir custos, mas modelo ainda está em análise
por Gabriel Noronha em e atualizado em
A Fiocruz, por meio do Farmanguinhos, firmou um memorando de entendimento com a farmacêutica americana Gilead Sciences para avaliar a produção nacional do lenacapavir, uma injeção contra HIV de aplicação semestral. As informações são da Folha de S. Paulo.
O documento representa o primeiro passo da parceria e tem como principal objetivo avaliar alternativas de cooperação. Segundo a farmacêutica, uma das possibilidades em estudo envolve uma futura transferência de tecnologia.
Injeção contra HIV já foi aprovada no Brasil
O lenacapavir foi registrado pela Anvisa no dia 12 de janeiro, mas ainda não pode ser comercializado, pois aguarda a definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).
A eventual inclusão do medicamento no rol do SUS depende da avaliação da Conitec, mas o custo elevado do tratamento tende a dificultar o processo. Nos Estados Unidos, onde o lenacapavir já está disponível, o valor anual varia entre US$ 25,3 mil (R$ 136 mil) e US$ 44,8 mil (R$ 241 mil).
A fabricação de uma versão genérica poderia reduzir drasticamente esse custo, alcançando valores inferiores a US$ 50 por ano, de acordo com um estudo publicado na revista Lancet.
No entanto, esse cenário não se aplica ao Brasil, já que a Gileadnão autorizou o país a produzir versões genéricas do medicamento. Ao todo, outros 120 países foram contemplados com acordos de licenciamento para a fabricação de alternativas.
Lenacapavir será utilizado em estudo no Brasil
Outra novidade prevista no acordo entre a farmacêutica e a Fiocruz envolve a liberação de doses gratuitas para a realização de um estudo.
Homens gays e bissexuais, pessoas não binárias designadas como do sexo masculino ao nascer e pessoas transgênero, com idades entre 16 e 30 anos, de sete cidades brasileiras (São Paulo, Campinas (SP), Rio de Janeiro, Nova Iguaçu (RJ), Salvador, Florianópolis e Manaus) poderão optar por receber o novo tratamento ou utilizar o comprimido de uso diário disponível desde 2018.