Justiça bloqueia contas de Sidney Oliveira e da Ultrafarma
Decisão envolve ação de cobrança e cita supostas manobras societárias. Caso se soma à crise financeira e reputacional enfrentada pela rede
por Gabriel Noronha em e atualizado em
A Justiça de São Paulo determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 864,3 mil das contas bancárias do empresário Sidney Oliveira e da Ultrafarma. A decisão marca mais um capítulo da crise financeira e de credibilidade que atinge a rede de farmácias.
A medida foi adotada no âmbito de uma ação de cobrança de dívida movida pelo empresário Anthony Wang. Inicialmente, o processo era direcionado contra Edson Rodrigo Sanches, empresário do setor farmacêutico que se associou a Sidney Oliveira em 2019.
No curso do processo, o Judiciário decidiu incluir Oliveira e a Ultrafarma no polo passivo, ao entender que ambos teriam participado de manobras societárias destinadas a blindar o patrimônio de Sanches e dificultar a satisfação de credores.
Na decisão, o juiz Luiz Valdez afirma que, diante de “dívidas vultosas” em nome de Sanches e de suas empresas, foi criada a Ultrafarma Popular Serviços de Escritório Ltda, estrutura que, segundo o magistrado, teria servido para desviar, na prática, o patrimônio do Grupo Sanches, ainda que sob a forma de contratos de licenciamento de marca.
O juiz também destaca a transferência das cotas societárias de Sanches para Sidney Oliveira pelo valor de R$ 60 mil, considerado incompatível com a realidade econômica da empresa.
Na sequência, um contrato de prestação de serviços garantiria a Sanches remuneração equivalente a 30% do faturamento da companhia, o mesmo percentual que ele detinha como sócio.
“A manobra fraudulenta é bastante clara. Na prática, permaneceu recebendo os mesmos 30% dos lucros que faria jus como sócio, mas evitava a penhora das suas cotas para a satisfação das dívidas”, escreveu o magistrado.
Defesa contesta acusação
Em sua defesa, Sidney Oliveira negou qualquer fraude ou ocultação patrimonial, afirmando que a acusação “não tem nenhuma lógica”. Segundo ele, Sanches jamais transferiu ativos ou recursos financeiros à Ultrafarma.
O empresário sustenta que não houve união societária, mas apenas um contrato de licenciamento de marca, pelo qual farmácias ligadas a Sanches passaram a utilizar o logotipo da Ultrafarma Popular. A defesa também afirma que a apresentação de Sanches como diretor ou vice-presidente da companhia em redes sociais seria “fruto de devaneio”, já que ele não ocuparia cargos formais na empresa.
Um recurso apresentado por Sidney Oliveira ainda aguarda julgamento. A reportagem não conseguiu localizar Edson Rodrigo Sanches.
Novo episódio em meio a cenário adverso
O bloqueio judicial ocorre em um momento sensível para a Ultrafarma. A companhia passa por uma reorganização operacional, que inclui o encerramento de unidades tradicionais na Avenida Jabaquara, em São Paulo, e a concentração das operações em uma megaloja na zona norte da capital.
Como o Panorama Farmacêutico já revelou, o movimento acontece em meio a investigações, litígios judiciais e dificuldades na expansão via franquias, além dos efeitos da Operação Ícaro, que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo créditos de ICMS.
Para analistas do setor, o bloqueio das contas reforça a percepção de risco em torno da Ultrafarma, ampliando a pressão sobre sua liquidez, relações comerciais e estratégia de crescimento, em um dos períodos mais desafiadores da história da rede.