Anvisa prioriza análise de novas canetas emagrecedoras
Expiração de patente impulsiona corrida por aprovação de novos medicamentos no país
por Gabriel Noronha em
Em preparação para a quebra da patente da semaglutida, que expira em 20 de março, a Anvisa passou a priorizar a análise de solicitações relacionadas à fabricação nacional de canetas emagrecedoras. As informações são do NeoFeed.
Segundo as projeções da autarquia, as primeiras autorizações para que concorrentes da Novo Nordisk iniciem a fabricação de seus produtos devem ser concedidas até abril. Com isso, as canetas emagrecedoras podem chegar às gôndolas ainda no primeiro semestre.
EMS encabeça lista de pretendentes
De acordo com a apuração do portal, três propostas já estão em análise na Anvisa. A primeira é da EMS, que já possui uma plataforma pronta para a produção de semaglutida em Hortolândia (SP), no mesmo parque fabril onde fabrica as canetas à base de liraglutida Olire e Lirux.
A farmacêutica também mantém pré-encomendas de matérias-primas, como a própria caneta e o insumo farmacêutico ativo (IFA), junto a fornecedores da China. Os pedidos, no entanto, só serão confirmados após a aprovação da Anvisa.
“Esse vai ser o principal lançamento do mercado da nossa empresa em 2026. Estamos preparados para, assim que nosso pedido for analisado e aprovado pela Anvisa, dar início ao processo de produção”, afirma Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS.
Projeções da farmacêutica indicam que sua versão do Ozempic deve gerar entre R$ 350 milhões e R$ 400 milhões em receita nos primeiros 12 meses de vendas, com a comercialização de aproximadamente 700 mil canetas.
MP solicitou prioridade para canetas emagrecedoras
A agilidade no processo decorre de uma solicitação do Ministério Público, que permitiu que esses pedidos “pulassem a fila” como parte de um esforço para estimular a fabricação de fármacos da categoria no Brasil.
Um relatório publicado pelo Itaú em janeiro aponta que as canetas emagrecedoras movimentaram R$ 10 bilhões no país em 2025, incluindo produtos à base de semaglutida, liraglutida e tirzepatida. A instituição projeta que esse volume pode alcançar R$ 20 bilhões em 2026.