Votorantim pode se tornar segundo maior acionista da Hypera
Conselho da farmacêutica aprovou aumento de capital de até R$ 1,5 bi
por César Ferro em e atualizado em
O conselho de administração da Hypera Pharma acaba de aprovar um aumento de capital de até R$ 1,5 bilhão. O Grupo Votorantim, que faz parte do bloco controlador da farmacêutica, se comprometeu a injetar R$ 1 bilhão, o que pode torná-lo o segundo maior investidor do laboratório. As informações são do Valor Econômico.
O bloco de investidores que controla a companhia detém 53% do capital, distribuído da seguinte forma:
- João Alves de Queiroz Filho, fundador da Hypera – 27,3%
- Maiorem, companhia mexicana – 14,7%
- Grupo Votorantim – 11%
O piso da transação, estabelecido em R$ 1,15 bilhão, pode ser acompanhado por Queiroz Filho e pela Maiorem. A operação está prevista para ocorrer entre 9 de fevereiro e 17 de março.
De acordo com o comunicado ao mercado, a empresa está aumentando o capital para fortalecer a estrutura do negócio, com o objetivo de reduzir o endividamento líquido. No 3T25, a Hypera fechou o período com um endividamento líquido de R$ 7,3 bilhões, o equivalente a 2,4 vezes o Ebitda anualizado. Procuradas pelo jornal, Votorantim e Hypera não comentaram.
Hypera emitirá até 70,5 milhões de ações ordinárias
No processo de aumento de capital, a Hypera irá emitir até 70,5 milhões de ações ordinárias, cada uma com preço de emissão de R$ 21,25. Considerando o preço médio ponderado por volume das ações nos últimos 30 pregões da B3, o valor do papel representa um desconto de 10,7%.
Após concretizar o aporte, a fatia do Votorantim na farmacêutica pode variar entre 14% e 17%, a depender de quanto o direito de preferência for exercido pelos demais acionistas, segundo fontes ouvidas pela publicação.
Com a operação, o capital do laboratório saltaria dos atuais R$ 9,6 bilhões para algo em torno de R$ 10,85 bilhões e R$ 11,2 bilhões. Já o número de ações em circulação avançaria de 633 milhões para até 704 milhões.
Ações fecharam em queda depois do anúncio
Na quarta-feira, dia 4, o mercado reagiu ao anúncio de forma negativa. Cotados a R$ 22,99, os papéis da companhia amargaram a terceira maior baixa do Ibovespa, com queda de 10,30%.
Para os analistas do Citi, chamam a atenção o desconto agressivo no preço de subscrição dos papéis e a falta de visibilidade sobre a destinação dos recursos que serão levantados. Agentes do mercado teorizam que o aumento de capital possa estar relacionado a uma eventual aquisição da Medley. O BTG Pactual, por sua vez, afirma que o valor levantado não seria suficiente para a operação e fontes ouvidas pela publicação julgam o movimento pouco provável, uma vez que a Hypera não teria se classificado para as etapas posteriores do processo.
O J.P. Morgan disse que a operação deve beneficiar a empresa, reduzindo a alavancagem de 2,5 vezes para 2 vezes e viabilizando oportunidades de crescimento orgânico. Já o Bradesco BBI destaca que o aumento deve diluir a participação dos acionistas minoritários em 10%.
Oferta hostil da EMS aumentou presença do Votorantim na farmacêutica
Depois que a EMS fez uma oferta hostil pela companhia, em outubro de 2024, o Votorantim aumentou sua exposição à empresa. Em março de 2025, a família Ermírio de Moraes aumentou sua participação de 5% para 11% e, cinco meses depois, o Cade aprovou a entrada dos investidores no bloco controlador.