Crise do recall de fórmulas infantis gera mudança na legislação
Mudança regulatória surge após o registro de produtos contaminados em diversos países
por Gabriel Noronha em
A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) decidiu reduzir o limite permitido de cereulida após a crise que resultou no recall de fórmulas infantis em diversos países. As informações são da InfoMoney.
A substância, que pode causar náuseas e vômitos, foi identificada em uma fábrica chinesa responsável pelo fornecimento de ingredientes a grandes players do setor, como Nestlé, Danone e Lactalis.
A contaminação só foi identificada após a fabricação e distribuição das fórmulas, o que levou à retirada de produtos das gôndolas em países como Austrália, Chile, China, Colômbia, Congo, Equador, Espanha, França, Geórgia, Grécia, Kuwait, Madagascar, México, Mônaco, Peru, República Tcheca, Taiwan e Uzbequistão.
Novas regras podem gerar outra onda de recall de fórmulas infantis
A mudança na legislação foi motivada por uma solicitação da Comissão Europeia, que pediu a definição de um limite científico urgente, conhecido como dose de referência aguda, para orientar governos e fabricantes sobre quando os produtos devem ser retirados das prateleiras.
Em sua avaliação, a EFSA propôs um novo limite de 0,014 microgramas por quilograma de peso corporal, destacando que crianças muito pequenas processam substâncias de forma diferente e exigem proteção adicional. A França, por sua vez, afirmou que parâmetros mais restritivos tendem a resultar em um número maior de recalls preventivos.
Para chegar a esse número, a agência estimou a quantidade de fórmula consumida em um período de 24 horas, permitindo aos cientistas calcular em que ponto o novo limite seria excedido.
Com base nesses níveis de consumo, a EFSA afirmou que concentrações de cereulida acima de 0,054 microgramas por litro em fórmulas infantis e de 0,1 microgramas por litro em fórmulas de transição podem representar um risco à segurança alimentar.